{"id":8264,"date":"2023-09-20T07:24:09","date_gmt":"2023-09-20T10:24:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=8264"},"modified":"2023-09-20T07:24:09","modified_gmt":"2023-09-20T10:24:09","slug":"nas-entrelinhas-lula-encontra-biden-e-zelensky-e-antecipa-volta-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-lula-encontra-biden-e-zelensky-e-antecipa-volta-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Lula encontra Biden e Zelensky e antecipa volta ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Lula retomou a tradi\u00e7\u00e3o brasileira. Tratou de todos os temas que desafiam o mundo globalizado, cobrou dos pa\u00edses ricos os recursos prometidos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, depois de quatro anos de governo Bolsonaro, reposicionou o Brasil no cen\u00e1rio internacional, na linha que nos levou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds que faz a abertura dos trabalhos da institui\u00e7\u00e3o. O Brasil voltou \u00e0 defesa do multilateralismo, como \u00e9 da nossa tradi\u00e7\u00e3o, e assumiu uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a incontest\u00e1vel no enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e no combate \u00e0 fome e \u00e0 desigualdade. Lula fez um discurso no qual foi, sim, um porta voz dos pa\u00edses em desenvolvimento. Enquanto uma das maiores democracias do mundo, essa \u00e9 a lideran\u00e7a que lhe cabe como presidente.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil est\u00e1 de volta&#8221; mesmo, n\u00e3o apenas nas palavras de Lula, que foi uma esp\u00e9cie de fregu\u00eas de carteirinha de quase todos os encontros multilaterais realizados desde sua posse. Nesta ter\u00e7a-feira, colheu os frutos de seu protagonismo. \u201cO Brasil est\u00e1 se reencontrando consigo mesmo, com nossa regi\u00e3o, com o mundo e com o multilateralismo\u201d, disse na ONU. \u201cResgatamos o universalismo da nossa pol\u00edtica externa, marcada por di\u00e1logo respeitoso com todos.\u201d Foi uma mudan\u00e7a da \u00e1gua para o vinho no posicionamento do Brasil na mais importante institui\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a mundial, em que pese seus problemas, como ficou demonstrado durante a pandemia.<\/p>\n<p>S\u00e3o raros os momentos na hist\u00f3ria do Brasil em que o pa\u00eds andou para tr\u00e1s, mais raros ainda aqueles em que o pa\u00eds diminuiu de tamanho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais na\u00e7\u00f5es do mundo. Em 2019, um agressivo e radical discurso do ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro, na qual reiterou posi\u00e7\u00f5es ultraconservadoras, antiambientalistas e antiglobalistas, transformou o pa\u00eds em um autoproclamado \u201cp\u00e1ria internacional\u201d. Jogou no lixo um legado de gera\u00e7\u00f5es de diplomatas, desde Rio Branco, que todo presidente da Rep\u00fablica, inclusive os militares, valorizaram. A tradi\u00e7\u00e3o de o Brasil fazer a abertura da Assembleia Geral come\u00e7ou no segundo encontro mundial, quando discursou o ent\u00e3o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Oswaldo Aranha; Bolsonaro usou-a para fazer proselitismo negacionista e de extrema direita.<\/p>\n<p>O choque foi muito grande, porque o privil\u00e9gio se manteve ao longo dos anos, sem que houvesse qualquer texto ou norma da ONU que determine a sua obrigatoriedade. A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 o Brasil buscar um ponto de equil\u00edbrio, um posicionamento que corresponda ao consenso majorit\u00e1rio, fugindo dos confrontos entre as na\u00e7\u00f5es. Na ONU, Bolsonaro quebrara essa tradi\u00e7\u00e3o, ao fazer um discurso duro, quase belicoso, que elegeu como advers\u00e1rios os ind\u00edgenas, os ambientalistas, alguns l\u00edderes europeus e seus advers\u00e1rios de sempre: os l\u00edderes da Venezuela, de Cuba e dos partidos de esquerda. Foi um discurso para o p\u00fablico bolsonarista, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e outros l\u00edderes conservadores com os quais se alinhava.<\/p>\n<p>Lula retomou a tradi\u00e7\u00e3o brasileira. Tratou de todos os temas que desafiam o mundo globalizado, da crise clim\u00e1tica, cobrou dos pa\u00edses ricos os recursos prometidos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a preserva\u00e7\u00e3o das florestas, sobretudo a Amaz\u00f4nia, que foi o tema de seu encontro com os l\u00edderes da Alemanha e da Noruega. Sem os recursos prometidos, o Acordo de Paris e o Marco Global da Biodiversidade ser\u00e3o letra morta. Outros destaques foram para os temas da fome e da desigualdade: \u201cEstabilidade e seguran\u00e7a n\u00e3o ser\u00e3o alcan\u00e7ados onde h\u00e1 exclus\u00e3o social e desigualdade\u201d, afirmou. Anunciou que pretende transformar a agenda do combate \u00e0s desigualdades num marco de sua passagem pela presid\u00eancia do G20.<\/p>\n<p><strong>Mercosul<\/strong><\/p>\n<p>O presidente brasileiro teve um posicionamento estrat\u00e9gico correto ao tratar do tema no qual mais trope\u00e7ou na sua diplomacia presidencial: a guerra da Ucr\u00e2nia. Sua declara\u00e7\u00e3o de que conflito \u201cescancara nossa incapacidade coletiva de fazer prevalecer os prop\u00f3sitos e princ\u00edpios da Carta da ONU\u201d manteve as pontes com a R\u00fassia, mas abriu caminho para o importante encontro que ter\u00e1 ainda nesta quarta-feira com o presidente ucraniano Volodymir Zelensky. Outro tema pol\u00eamico foi a cr\u00edtica ao bloqueio econ\u00f4mico contra Cuba, que \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o da diplomacia brasileira desde o restabelecimento das rela\u00e7\u00f5es com o governo cubano, pelo presidente Jos\u00e9 Sarney, em 1986.<\/p>\n<p>Na agenda de bilaterais, Lula esteve com o presidente da \u00c1ustria, Alexander van der Bellen, em Nova York, para tratar da COP30, em 2025, em Bel\u00e9m, e da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. H\u00e1 empresas austr\u00edacas em buscar oportunidades de investimento no Brasil. Tamb\u00e9m esteve com o primeiro-ministro da Alemanha, Olaf Scholz; e com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, para tratar do Fundo da Amaz\u00f4nia, cujos recursos foram congelados durante o governo Bolsonaro. Esses encontros foram muito importantes por causa das negocia\u00e7\u00f5es do Acordo entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia, que estava travado.<\/p>\n<p>As possibilidades de o acordo finalmente sair s\u00e3o reais. Uma mudan\u00e7a significativa ocorreu nesta semana. A Uni\u00e3o Europeia sinalizou a disposi\u00e7\u00e3o de concluir o acordo at\u00e9 dezembro. Uma das raz\u00f5es \u00e9 a guerra da Ucr\u00e2nia, que est\u00e1 prejudicando toda a economia europeia. A resposta do Mercosul \u00e0s exig\u00eancias adicionais ambientais da Uni\u00e3o Europeia (UE), para conclus\u00e3o do Acordo de Associa\u00e7\u00e3o Birregional, est\u00e1 sendo assimilada. O bloco est\u00e1 disposto a levar em conta a legisla\u00e7\u00e3o interna dos pa\u00edses e considerando \u201cdiferentes circunst\u00e2ncias nacionais\u2019\u201d, mas rejeita imposi\u00e7\u00e3o unilateral de Bruxelas.<\/p>\n<p>Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai querem incluir um mecanismo de compensa\u00e7\u00e3o: se o Mercosul considerar que regulamenta\u00e7\u00f5es unilaterais europeias reduzem as concess\u00f5es feitas no acordo, algo ter\u00e1 de ser feito logo para compensar essa situa\u00e7\u00e3o. Na Uni\u00e3o Europeia, a resposta do Mercosul acelerou as negocia\u00e7\u00f5es. Os 27 Estados-membros receberam o comunicado, e o presidente da Comiss\u00e3o de Com\u00e9rcio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, anunciou que a contraproposta do Mercosul est\u00e1 sendo analisada: \u201cPrecisamos construir uma parceria genu\u00edna e igualit\u00e1ria que aborde os desafios mais urgentes de nosso tempo, inclusive o desmatamento. S\u00f3 poderemos enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se estivermos de acordo e trabalharmos juntos\u201d, declarou.<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 de concluir os acordos com o Mercosul, M\u00e9xico e Austr\u00e1lia at\u00e9 o fim do ano. Como sinal de que a quest\u00e3o ambiental ajuda no processo, o diretor-geral de Com\u00e9rcio da Comiss\u00e3o Europeia, Rupert Schlegelmilch, retuitou uma declara\u00e7\u00e3o da ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, promovendo o acordo birregional: &#8220;Reduzimos o desmatamento na Amaz\u00f4nia em 48% nos primeiros sete meses do ano. Portanto, o acordo de livre com\u00e9rcio deve ser assinado agora\u201d. O vice-presidente executivo da UE, Valdis Dombrovskis, destacou que os acordos comerciais s\u00e3o mais importantes diante das mudan\u00e7as geopol\u00edticas. A Uni\u00e3o Europeia precisa reorganizar suas cadeias de suprimentos, promover seguran\u00e7a, bons empregos e prosperidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lula retomou a tradi\u00e7\u00e3o brasileira. 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