{"id":8457,"date":"2023-11-21T07:42:43","date_gmt":"2023-11-21T10:42:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=8457"},"modified":"2023-11-21T08:19:19","modified_gmt":"2023-11-21T11:19:19","slug":"nas-entrelinhas-milei-governara-entre-liberais-e-peronistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-milei-governara-entre-liberais-e-peronistas\/","title":{"rendered":"Nas Entrelinhas: Milei governar\u00e1 entre liberais e peronistas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A Liberdade Avan\u00e7a e Juntos pela Mudan\u00e7a t\u00eam 20 deputados a mais do que os peronistas. Essa alian\u00e7a \u00e9 a chave para a governabilidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Se a vit\u00f3ria de Javier Milei nas elei\u00e7\u00f5es argentinas foi incontest\u00e1vel, com uma diferen\u00e7a de quase 3 milh\u00f5es de votos a mais que Sergio Massa, o futuro de seu governo ainda \u00e9 uma grande inc\u00f3gnita. Tem um m\u00eas para montar seu governo e formar maioria no Congresso. Nesse \u00ednterim, ter\u00e1 que administrar as incertezas econ\u00f4micas do pa\u00eds, com uma corrida atr\u00e1s de d\u00f3lar e a infla\u00e7\u00e3o em disparada.<\/p>\n<p>No seu primeiro dia como presidente eleito, Milei reiterou a inten\u00e7\u00e3o de fechar o Banco Central, dolarizar a economia e p\u00f4s na ordem do dia as privatiza\u00e7\u00f5es, a come\u00e7ar pela petroleira do pa\u00eds. Milei quer privatizar, tamb\u00e9m, a Tel\u00e1m \u2014 a TV p\u00fablica do pa\u00eds \u2014 e a R\u00e1dio Nacional. E pretende visitar Israel e os Estados Unidos antes de tomar posse, marcada para 10 de dezembro.<\/p>\n<p>Precisa formar maioria no Congresso, principalmente na C\u00e2mara. A coliga\u00e7\u00e3o de partidos peronistas Uni\u00e3o pela P\u00e1tria, do candidato Sergio Massa, perdeu 10 assentos, mas seguir\u00e1 sendo a maior bancada da Casa, com 108 das 257 cadeiras. A segunda for\u00e7a, com 93 deputados, \u00e9 a coaliz\u00e3o de centro-direita Juntos pela Mudan\u00e7a, cuja candidata Patricia Bullrich ficou de fora do segundo turno, mas apoiou o presidente eleito. O partido A Liberdade Avan\u00e7a, de Milei, elegeu 35 deputados.<\/p>\n<p>Juntos, A Liberdade Avan\u00e7a e Juntos pela Mudan\u00e7a, por\u00e9m, t\u00eam 20 deputados a mais do que os peronistas. Essa alian\u00e7a com os liberais-conservadores \u00e9 a chave para a estabilidade pol\u00edtica do pa\u00eds e a sustenta\u00e7\u00e3o do programa econ\u00f4mico de Milei. O ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), que o apoiou, \u00e9 uma lideran\u00e7a influente no Congresso. No segundo turno, foi um fator de modera\u00e7\u00e3o do discurso de Milei. Entretanto, os fantasmas dos ex-presidentes Ra\u00fal Alfonsin e Fernando de La R\u00faa, da Uni\u00e3o C\u00edvica Radical, que derrotaram o peronismo nas urnas, mas n\u00e3o terminaram o mandato, assombram a Argentina de Milei.<\/p>\n<p><strong>Resili\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Alfons\u00edn havia imposto ao peronismo a primeira derrota nas urnas, com o pa\u00eds quebrado, humilhado e frustrado. Em 1985, o Plano Austral tentou corrigir o curso, com controle de pre\u00e7os, sal\u00e1rios e c\u00e2mbio, redu\u00e7\u00e3o dos gastos do Estado e freio \u00e0 emiss\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Seguiram-se os Planos Austral II e Primavera: congelamento de pre\u00e7os, tarifas, sal\u00e1rios e c\u00e2mbio. O fracasso desses planos produziu hiperinfla\u00e7\u00e3o, escalada do d\u00f3lar, desemprego, recess\u00e3o e desgaste pol\u00edtico. Alfons\u00edn renunciou cinco meses antes de concluir o mandato, no dia 8 de julho de 1989. O peronista Carlos Menem assumiu a Presid\u00eancia com um programa neoliberal.<\/p>\n<p>Em 1999, 10 anos depois, as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e a deteriora\u00e7\u00e3o do quadro econ\u00f4mico-social no segundo mandato de Menem levaram o eleitorado a votar, novamente, contra o peronismo. As elei\u00e7\u00f5es foram vencidas pela Alianza UCR-Frepaso, Fernando De la R\u00faa-Carlos &#8220;Chacho&#8221; \u00c1lvarez, que se mostrou incapaz de governar.<\/p>\n<p>Domingo Cavallo, que comandou o programa de reformas neoliberais de Menem, retornou ao Minist\u00e9rio da Economia, em 2001, e recebeu do Congresso a miss\u00e3o de buscar a estabilidade, com a receita &#8220;blindagem&#8221; financeira, aumento de impostos, reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e deficit zero. A deteriora\u00e7\u00e3o social e a desordem econ\u00f4mica, por\u00e9m, atingiram n\u00edveis insustent\u00e1veis, com saques e violentas manifesta\u00e7\u00f5es. Sob a press\u00e3o dos &#8220;panela\u00e7os&#8221;, Cavallo e De la R\u00faa renunciam.<\/p>\n<p>Em duas semanas, entre 20 de dezembro de 2001 e 2 de janeiro de 2002, a Argentina teve cinco presidentes. O peronista Ram\u00f3n Puerta, presidente do Senado, que assumiu porque &#8220;Chacho&#8221; Alvarez havia renunciado; Adolfo Rodr\u00edguez Sa\u00e1, governador da prov\u00edncia de San Luis, eleito presidente provis\u00f3rio, que decretou a morat\u00f3ria e, depois, renunciou; novamente o presidente do Senado Ram\u00f3n Puerta, que ap\u00f3s 15 minutos entregou o cargo; o peronista Eduardo Cama\u00f1o, presidente da C\u00e2mara, como designa a Constitui\u00e7\u00e3o, para os casos de ren\u00fancia do presidente do Senado.<\/p>\n<p>Finalmente, a Assembleia Legislativa escolheu o senador peronista Eduardo Duhalde como novo presidente, para completar o mandato de De la R\u00faa, at\u00e9 dezembro de 2003. Em seu discurso ao Congresso, logo ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, ele anunciou o fim da conversibilidade que mantinha o peso atrelado ao d\u00f3lar h\u00e1 10 anos. Al\u00e9m disso, manteve a morat\u00f3ria de sua d\u00edvida externa.<\/p>\n<p>Duhalde assumiu a Presid\u00eancia de um pa\u00eds desnorteado. Sua prioridade era reconstruir a governabilidade. Substituiu o apoio do establishment econ\u00f4mico-financeiro por uma alian\u00e7a entre o setor produtivo nacional e o peronismo tradicional, &#8220;pesificou&#8221; a economia, mas, pela primeira vez na hist\u00f3ria, a Argentina conheceu a fome e a prolifera\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Com a posse do ministro da Economia Roberto Lavagna, em 2002, o pa\u00eds come\u00e7ou a se recuperar. Inicia-se um breve ciclo de crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es de 2003, enfrentam-se propostas antag\u00f4nicas para a Argentina, polarizadas nas candidaturas de N\u00e9stor Kirchner (centro-esquerda) e Carlos Menem (centro-direita), ambos peronistas. Vitorioso ap\u00f3s a desist\u00eancia deste \u00faltimo, Kirchner assegura a governabilidade e o crescimento do pa\u00eds, que chamou de &#8220;refunda\u00e7\u00e3o&#8221; da Argentina, ciclo pol\u00edtico que se esgotou agora, com a derrota de Massa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Liberdade Avan\u00e7a e Juntos pela Mudan\u00e7a t\u00eam 20 deputados a mais do que os peronistas. Essa alian\u00e7a \u00e9 a chave para a governabilidade Se a vit\u00f3ria de Javier Milei nas elei\u00e7\u00f5es argentinas foi incontest\u00e1vel, com uma diferen\u00e7a de quase 3 milh\u00f5es de votos a mais que Sergio Massa, o futuro de seu governo ainda \u00e9 uma grande inc\u00f3gnita. 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