{"id":8479,"date":"2023-11-26T10:35:27","date_gmt":"2023-11-26T13:35:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=8479"},"modified":"2023-11-26T10:35:27","modified_gmt":"2023-11-26T13:35:27","slug":"nas-entrelinhas-a-paz-na-palestina-ainda-tera-um-longo-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-a-paz-na-palestina-ainda-tera-um-longo-caminho\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: A paz na Palestina ainda ter\u00e1 um longo caminho"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>A guerra de Gaza mant\u00e9m Netanyahu no poder, at\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o se cansar. Tamb\u00e9m mant\u00e9m o prest\u00edgio pol\u00edtico, as fontes de financiamento e a revolta social que retroalimentam o Hamas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de um m\u00eas de negocia\u00e7\u00f5es em sigilo, intermediadas por Catar e Estados Unidos, come\u00e7ou na sexta-feira a troca de ref\u00e9ns em poder do Hamas por prisioneiros palestinos em Israel. Foram libertadas inicialmente 24 pessoas, sendo 13 mulheres e crian\u00e7as israelenses, 10 cidad\u00e3os tailandeses e 1 filipino em Gaza. Israel libertou 39 palestinos da Cisjord\u00e2nia que j\u00e1 estavam presos, antes mesmo de a guerra come\u00e7ar, e iniciou a tr\u00e9gua de quatro dias na guerra de Gaza.<\/p>\n<p>O grupo sob poder do Hamas em Gaza, desde os ataques terroristas de 7 de outubro, foi entregue \u00e0 Cruz Vermelha, que coordenou a opera\u00e7\u00e3o de travessia da fronteira entre Gaza e o Egito, pela cidade de Rafah. Recebidos por m\u00e9dicos e especialistas em comunica\u00e7\u00e3o com ref\u00e9ns, foram levados de volta ao territ\u00f3rio de Israel por helic\u00f3pteros do ex\u00e9rcito. Os tailandeses e o filipino receber\u00e3o atendimento m\u00e9dico antes de voltarem para seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos dias, outros ref\u00e9ns devem ser liberados, na base de tr\u00eas prisioneiros palestinos, menores de idade e mulheres, para cada ref\u00e9m israelense, num total que deve chegar a 150 palestinos por 50 israelense. A suspens\u00e3o rec\u00edproca dos ataques, como resultado de negocia\u00e7\u00f5es que duraram mais de 30 dias, \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que uma paz duradoura \u00e9 poss\u00edvel se houver vontade pol\u00edtica em torno de objetivos exequ\u00edveis. A cria\u00e7\u00e3o do Estado Palestino exigir\u00e1 negocia\u00e7\u00f5es mais complexas e demoradas, mas continua sendo a condi\u00e7\u00e3o para a paz definitiva.<\/p>\n<p>O acordo de Paris para o fim da guerra do Vietn\u00e3, negociado entre o Vietn\u00e3 do Norte e os Estados Unidos, resultou de quatro anos de negocia\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s a ofensiva do Tet (Ano Novo Lunar) de 1968. Iniciadas em janeiro de 1969 e conclu\u00eddas somente em 27 de janeiro de 1973, somente foram exitosas porque havia um ambiente interno nos Estados Unidos contra a guerra, uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacional favor\u00e1vel, mesmo em meio \u00e0 guerra fria, e a vontade pol\u00edtica do conselheiro de seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos Henry Klissinger e do l\u00edder comunista Le Duc Tho. Ambos receberam o pr\u00eamio Nobel da Paz, mas o segundo recusou. Alegou que a paz n\u00e3o havia sido alcan\u00e7ada completamente.<\/p>\n<p>Kissinger e Duc Tho foram art\u00edfices de negocia\u00e7\u00f5es muito complexas. O primeiro cessar fogo ocorreu em 1972, quando os Estados Unidos se retiraram do Vietn\u00e3, em troca de liberta\u00e7\u00e3o de 566 prisioneiros americanos preso em Hanoi. A segunda parte do acordo, a perman\u00eancia dos governos do Norte e do Sul at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es, fracassou, porque as tropas do Vietn\u00e3 do Norte permaneceram no Sul.<\/p>\n<p>Em retalia\u00e7\u00e3o, o presidente Richard Nixon determinou o bombardeio de Hanoi e da cidade portu\u00e1ria de Haiphong, nas quais foram lan\u00e7adas 100 mil bombas, o equivalente a cinco bombas nucleares. Mas as negocia\u00e7\u00f5es continuaram e a reunifica\u00e7\u00e3o do Vietn\u00e3 acabou ocorrendo, ap\u00f3s a autodissolu\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito do Vietn\u00e3 do Sul.<\/p>\n<p><strong>Vontade pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que aconteceu no Acordo de Paz de Paris, n\u00e3o h\u00e1 interlocutores em Israel e no Hamas interessados na paz duradoura, com a cria\u00e7\u00e3o do Estado palestino, em troca de pleno reconhecimento do Estado de Israel, respectivamente. O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, j\u00e1 declarou que o cessar-fogo \u00e9 uma &#8220;pausa breve&#8221; e os combatentes continuar\u00e3o de &#8220;modo intensivo&#8221;, no m\u00ednimo dois meses. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que as tropas do pa\u00eds continuar\u00e3o em Gaza at\u00e9 &#8220;trazer de volta todos os ref\u00e9ns e liquidar o Hamas&#8221;.<\/p>\n<p>Netanyahu pretende manter o controle definitivo sobre a Faixa de Gaza ap\u00f3s as For\u00e7as de Defesa de Israel (FDI) eliminarem o Hamas. A liberta\u00e7\u00e3o de ref\u00e9ns n\u00e3o deveria incentivar a continua\u00e7\u00e3o da guerra. O cessar-fogo deu ao Hamas mais tempo para se reorganizar e fazer mais exig\u00eancias nas negocia\u00e7\u00f5es para libertar os 190 que ainda permanecem em seu poder, o que vai aumentar a press\u00e3o das fam\u00edlias e dos Estados Unidos sobre Netanyahu.<\/p>\n<p>Hahaha Sinwar, comandante do Hamas em Gaza, tenta ganhar tempo com o argumento de que precisa ainda localizar os demais ref\u00e9ns, que estariam distribu\u00eddos entre diversas fac\u00e7\u00f5es. Sinwar retornou a Gaza em 2011, libertado na troca de mil prisioneiros pelo soldado israelense Gilad Shalid, depois de 23 anos preso. Seis anos depois, foi eleito para chefiar o territ\u00f3rio, cargo que ocupa indefinidamente.<\/p>\n<p>Os jovens palestinos libertados na sexta-feira foram recebidos como her\u00f3is e n\u00e3o escondiam a gratid\u00e3o ao Hamas. Os 14 mil palestinos civis mortos, dos quais 10 mil s\u00e3o mulheres e, principalmente, crian\u00e7as, s\u00e3o tratados como m\u00e1rtires da independ\u00eancia da Palestina, muito mais do que v\u00edtimas de uma guerra insana, iniciada por uma a\u00e7\u00e3o terrorista do Hamas.<\/p>\n<p>A guerra manter\u00e1 Netanyahu no poder, at\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o se cansar. Tamb\u00e9m manter\u00e1 o prest\u00edgio pol\u00edtico, as fontes de financiamento e a revolta social que retroalimenta o Hamas. Defendida pelos Estados Unidos e pela Uni\u00e3o Europeia, a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados \u00e9 a \u00fanica poss\u00edvel para o conflito, mas est\u00e1 muito longe de ser alcan\u00e7ada. Netanyahu n\u00e3o aceita a cria\u00e7\u00e3o do Estado palestino, assim como o Hamas, apoiado pelo Ir\u00e3, n\u00e3o reconhece o Estado de Israel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra de Gaza mant\u00e9m Netanyahu no poder, at\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o se cansar. 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