{"id":8573,"date":"2023-12-31T08:39:37","date_gmt":"2023-12-31T11:39:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=8573"},"modified":"2023-12-31T08:39:37","modified_gmt":"2023-12-31T11:39:37","slug":"nas-entrelinhas-o-pior-ja-passou-feliz-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-pior-ja-passou-feliz-ano-novo\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas \u2014 O pior j\u00e1 passou, feliz ano novo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>H\u00e1 possibilidade de a economia crescer acima das previs\u00f5es, como ocorreu neste ano. De onde pode vir esse crescimento? Da nova economia verde e do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Os balan\u00e7os de fim de ano s\u00e3o un\u00e2nimes: 2023 terminou muito melhor do que come\u00e7ou. Os aspectos determinantes dessa conclus\u00e3o s\u00e3o: na economia, a queda da infla\u00e7\u00e3o, o crescimento acima do esperado, a redu\u00e7\u00e3o do desemprego a patamares que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o se via, a eleva\u00e7\u00e3o da renda e a reforma tribut\u00e1ria; na pol\u00edtica, a normalidade institucional, amea\u00e7ada pelo golpismo, gra\u00e7as \u00e0 firme atua\u00e7\u00e3o dos Poderes; na quest\u00e3o ambiental, o combate ao desmatamento, \u00e0s queimadas e ao garimpo ilegal; e na pol\u00edtica internacional, em que pese atitudes d\u00fabias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, a volta do Brasil \u00e0 cena mundial.<\/p>\n<p>Para quem apoiou a elei\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, tudo isso \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o; para quem perdeu, de acomoda\u00e7\u00e3o, como no caso do Centr\u00e3o. Ou enorme frustra\u00e7\u00e3o, caso da extrema-direita, diante do fracasso da tentativa de destitui\u00e7\u00e3o de Lula, da condena\u00e7\u00e3o dos v\u00e2ndalos que depredaram os pal\u00e1cios do Executivo, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) e da inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).<\/p>\n<p>O par\u00e2metro \u00e9 2022, \u00faltimo do mandato de Bolsonaro, cuja avalia\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 o caso. Trata-se de projetar o cen\u00e1rio de 2024. As novas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o o choque entre o Executivo e o Congresso, que vira o ano em alta octanagem, por causa do avan\u00e7o de deputados e senadores sobre o Or\u00e7amento de investimentos da Uni\u00e3o e da desonera\u00e7\u00e3o da folha trabalhista de 17 setores &#8211; que o governo n\u00e3o aceita, apesar de aprovada por ampla maioria no Legislativo. Incertezas fazem a pol\u00edtica de deficit zero parecer um conto-da-carochinha. O governo n\u00e3o pretende cortar gastos, o Congresso n\u00e3o quer aumentar impostos e o Supremo Tribunal Federal (STF), que ajustou suas di\u00e1rias, cuida do seu primeiro.<\/p>\n<p>Em casa onde falta p\u00e3o, todos brigam e ningu\u00e9m tem raz\u00e3o, diz o ditado popular. N\u00e3o \u00e9 bem assim. A austeridade dos tr\u00eas Poderes nas atividades-meio resolveria o problema do deficit p\u00fablico, seria at\u00e9 um choque de produtividade e inova\u00e7\u00e3o. O deficit fiscal projetado por analistas econ\u00f4micos \u00e9 de 0,75% a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), o que coloca em risco a credibilidade da equipe econ\u00f4mica. Entretanto, ningu\u00e9m convencer\u00e1 a sociedade de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel cortar 1% dos gastos sup\u00e9rfluos do Executivo, do Legislativo e do Judici\u00e1rio, como di\u00e1rias, passagens, consultorias e contratos, sem preju\u00edzo de atividades indispens\u00e1veis. Qualquer gestor p\u00fablico respons\u00e1vel sabe que gastos precisam ser aparados como se corta as unhas, semanalmente.<\/p>\n<p><strong>Sal\u00e1rios e educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o deve ser descartada a possibilidade de a economia crescer acima das previs\u00f5es, como ocorreu neste ano. De onde pode vir esse crescimento? Dos investimentos na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, ou seja, da economia verde, se cair a ficha para os pol\u00edticos de que o pa\u00eds precisa regulamentar a reforma tribut\u00e1ria e garantir seguran\u00e7a jur\u00eddica para quem deseja aplicar recursos em atividades produtivas. Essa \u00e9 a grande janela de oportunidade que o pa\u00eds n\u00e3o pode perder. E, tamb\u00e9m, da pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que foi interrompida em 2019.<\/p>\n<p>Entre economistas, est\u00e1 de volta a velha pol\u00eamica sobre a import\u00e2ncia do sal\u00e1rio m\u00ednimo na redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, que pautou o debate econ\u00f4mico na d\u00e9cada de 1970, durante o governo Geisel, quando o chamado &#8220;milagre econ\u00f4mico&#8221; se esgotou e o pa\u00eds descobriu que crescera a taxas de 10% do PIB, por\u00e9m, a renda havia se concentrado ainda mais. Na quarta-feira, artigo do economista Edmar Bacha, o guru da Casa das Gar\u00e7as, publicado no Valor Econ\u00f4mico, resgatou a velha pol\u00eamica entre Carlos Langoni e Albert Fishlow sobre o papel da qualidade da educa\u00e7\u00e3o e do arrocho salarial na concentra\u00e7\u00e3o de renda. Eis um tema para o ex-governador e economista Cristovam Buarque debater.<\/p>\n<p>Na economia neocl\u00e1ssica, o sal\u00e1rio real \u00e9 determinado pela produtividade marginal do trabalho, que varia segundo a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, ou seja, a educa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, tese defendida por Langoni \u00e0quela \u00e9poca. Entretanto, a pol\u00edtica de arrocho salarial era uma realidade e levou \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o da renda. Hoje, h\u00e1 certo consenso tanto sobre o papel do sal\u00e1rio m\u00ednimo na redu\u00e7\u00e3o das desigualdades quanto da oferta e demanda de m\u00e3o de obra mais qualificada na eleva\u00e7\u00e3o da renda dos assalariados, o que reduz essa dicotomia. A zona de sombra \u00e9 o impacto da eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo no emprego e na economia informal.<\/p>\n<p>Em tempo: o novo sal\u00e1rio m\u00ednimo, de R$ 1.412, a partir de 1\u00ba de janeiro, ter\u00e1 um impacto de quase R$ 70 bilh\u00f5es na economia, o que pode alavancar o crescimento, se a infla\u00e7\u00e3o estiver controlada e a taxa de juros continuar em decl\u00ednio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 possibilidade de a economia crescer acima das previs\u00f5es, como ocorreu neste ano. De onde pode vir esse crescimento? Da nova economia verde e do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo Os balan\u00e7os de fim de ano s\u00e3o un\u00e2nimes: 2023 terminou muito melhor do que come\u00e7ou. 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