{"id":9017,"date":"2024-05-15T10:58:01","date_gmt":"2024-05-15T13:58:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9017"},"modified":"2024-05-15T11:00:10","modified_gmt":"2024-05-15T14:00:10","slug":"nas-entrelinhas-o-tempo-e-o-vento-a-saga-gaucha-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-tempo-e-o-vento-a-saga-gaucha-continua\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O tempo e o vento, a saga ga\u00facha continua"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O mais importante, em meio \u00e0 cat\u00e1strofe f\u00edsica, \u00e9 o drama humano e a resili\u00eancia dos ga\u00fachos diante das adversidades.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O \u00e9pico O Tempo e o Vento, obra do escritor ga\u00facho Erico Verissimo (1905-1975), foi publicado em tr\u00eas volumes: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquip\u00e9lago (1962). A trilogia conta a hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul ao longo de 200 anos, tendo forjado a identidade do povo ga\u00facho e, ao mesmo tempo, a empatia nacional com o estado. \u00c9 um dos grandes romances de interpreta\u00e7\u00e3o do Brasil. Muitos nem de longe ouviram falar no romance, mas sabem quem foram a destemida Ana Terra e um certo capit\u00e3o Rodrigo Cambar\u00e1, seja pelo cinema, seja pela teledramaturgia.<\/p>\n<p>Obra de fic\u00e7\u00e3o baseada em fatos, teceu o arqu\u00e9tipo dos nossos ga\u00fachos, que s\u00e3o brasileiros por op\u00e7\u00e3o, porque tamb\u00e9m h\u00e1 ga\u00fachos nos pampas do Uruguai e da Argentina, com os mesmos costumes tradicionais. A fam\u00edlia Terra Cambar\u00e1, cuja trajet\u00f3ria protagoniza os tr\u00eas volumes do romance, tece na literatura a hist\u00f3ria geogr\u00e1fica, cultural e pol\u00edtica do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Quando o presidente Lula destaca a presen\u00e7a dos pol\u00edticos ga\u00fachos na hist\u00f3ria republicana, tem toda a raz\u00e3o. Foram seis presidentes da Rep\u00fablica \u2014 Hermes da Fonseca, Get\u00falio Vargas, Jo\u00e3o Goulart, Costa e Silva, Garrastazu M\u00e9dici e Ernesto Geisel \u2014, e alguns que n\u00e3o chegaram l\u00e1, mas deixaram seu nome na hist\u00f3ria: Bento Gon\u00e7alves, J\u00falio de Castilhos, Borges de Medeiros, Luiz Carlos Prestes e Leonel Brizola, por exemplo.<\/p>\n<p>Os personagens de Verissimo moldaram o nosso imagin\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o aos ga\u00fachos. Tudo come\u00e7ou em Sete Povos das Miss\u00f5es, em meio \u00e0s disputas territoriais entre Portugal e Espanha e ao genoc\u00eddio dos povos guaranis. Filho de uma ind\u00edgena que morreu no parto, Pedro Missioneiro, criado por um padre espanhol, conhece Ana Terra, filha de uma fam\u00edlia paulista estabelecida nas terras ao sul. Do relacionamento proibido nasce Pedro Terra.<\/p>\n<p>O ciclo de viol\u00eancia e mortes faz com que Ana e seu filho rumem para Santa F\u00e9, cidade que abriga os protagonistas de O Tempo e o Vento. Filha de Pedro Terra, Bibiana se apaixona pelo capit\u00e3o Rodrigo Cambar\u00e1, forasteiro mulherengo e destemido. Rodrigo sobrevive a um tiro desferido \u00e0 trai\u00e7\u00e3o por um de seus inimigos, Bento Amaral, rival na disputa pelo cora\u00e7\u00e3o de Bibiana.<\/p>\n<p>Rodrigo e Bibiana se casam e t\u00eam tr\u00eas filhos, entre eles Bol\u00edvar, outro protagonista da saga, assim como seus descendentes, o filho Licurgo e o neto Rodrigo. Santa F\u00e9 \u00e9 uma alegoria da pol\u00edtica ga\u00facha, com suas oligarquias e guerras civis, honra e trai\u00e7\u00e3o, que atravessaram a Guerra dos Farrapos (1835-1845), a Guerra do Paraguai (1864-1870) e a Revolu\u00e7\u00e3o Federalista (1893-1895), at\u00e9 a transi\u00e7\u00e3o do campo para a cidade e a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o do patriarcado ga\u00facho \u00e9 marcada pela presen\u00e7a de mulheres fortes. &#8220;Elas eram o ch\u00e3o firme que os her\u00f3is pisavam. A casa que os abrigava quando eles voltavam da guerra. O fogo que os aquecia. As m\u00e3os que lhe davam de comer e de beber. Elas eram o elemento vertical e permanente da ra\u00e7a&#8221;, afirma Verissimo, cuja obra foi consagrada no cinema e na televis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O drama humano<\/strong><\/p>\n<p>Walter George Durst e Cassiano Gabus Mendes dirigiram o longa-metragem O Sobrado, em 1956, a primeira adapta\u00e7\u00e3o audiovisual de O Tempo e o Vento. Mostra a luta de Licurgo (Fernando Baleroni) para proteger o casar\u00e3o dos Terra Cambar\u00e1 do cerco das tropas comandadas pela inimiga fam\u00edlia Amaral durante a Revolu\u00e7\u00e3o Federalista. Na antiga TV Excelsior, O Tempo e o Vento teve 210 cap\u00edtulos, com Ge\u00f3rgia Gomide (Ana Terra), Carlos Zara (Capit\u00e3o Rodrigo) e Maria Estela (Bibiana) no elenco.<\/p>\n<p>Um Certo Capit\u00e3o Rodrigo (1971) foi dirigido por Anselmo Duarte, com Francisco di Franco vivendo o personagem, e Elza de Castro como Bibiana. Ana Terra (1972), de Durval Garcia, foi estrelado por Rossana Ghessa. A miniss\u00e9rie O Tempo e o Vento (Globo,1985), com dire\u00e7\u00e3o de Paulo Jos\u00e9 e trilha sonora de Tom Jobim, teve 25 cap\u00edtulos dedicados a Ana Terra (Gl\u00f3ria Pires), Um Certo Capit\u00e3o Rodrigo (Tarc\u00edsio Meira), Bibiana (Louise Cardoso), Teiniagu\u00e1, com Lilian Lemmertz e Carla Camuratti no papel de Bibiana e Luzia, e O Sobrado, no qual L\u00e9lia Abramo reluz como Bibiana j\u00e1 idosa.<\/p>\n<p>A \u00faltima adapta\u00e7\u00e3o de O Tempo e o Vento \u00e9 de Jayme Monjardim. Estreou como longa-metragem, em 2013, e ganhou vers\u00e3o ampliada na miniss\u00e9rie da Globo, em 2014. Abarca os 150 anos narrados em O Continente, com Cleo Pires (Ana Terra) e Thiago Lacerda (Capit\u00e3o Rodrigo), al\u00e9m de Marjorie Estiano e Fernanda Montenegro vivendo Bibiana em diferentes fases.<\/p>\n<p>O tempo e o vento de novo emolduram a vida dos ga\u00fachos, nessa trag\u00e9dia clim\u00e1tica. As medidas que est\u00e3o sendo tomadas para enfrentar a cat\u00e1strofe ambiental revelam a presen\u00e7a da Uni\u00e3o e a solidariedade da federa\u00e7\u00e3o. O Congresso aprovar\u00e1, de hoje para amanh\u00e3, o pacote de medidas adotadas pelo presidente Lula para socorrer os ga\u00fachos. O mais importante, em meio \u00e0 cat\u00e1strofe f\u00edsica, \u00e9 o drama humano e a resili\u00eancia dos ga\u00fachos diante das adversidades. S\u00e3o Anas, Pedros, Bibianas e Rodrigos.<\/p>\n<p><em>Colunas anteriores no Blog do Azedo<\/em>:\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\">https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais importante, em meio \u00e0 cat\u00e1strofe f\u00edsica, \u00e9 o drama humano e a resili\u00eancia dos ga\u00fachos diante das adversidades. 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