{"id":9388,"date":"2024-08-27T09:03:45","date_gmt":"2024-08-27T12:03:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9388"},"modified":"2024-08-27T09:04:56","modified_gmt":"2024-08-27T12:04:56","slug":"nas-entrelinhas-o-brasil-no-admiravel-mundo-dos-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-brasil-no-admiravel-mundo-dos-brics\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O Brasil no admir\u00e1vel mundo dos BRICS"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Uma grande mudan\u00e7a geopol\u00edtica est\u00e1 por tr\u00e1s da crise da Venezuela, que rompeu com o Ocidente. Essa n\u00e3o pode ser a nossa, defendemos a democracia e nossos interesses<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O economista Paulo Gala, professor da economia da EESP\/FGV, \u00e9 um dos maiores especialistas em pol\u00edtica industrial e com\u00e9rcio exterior do Brasil. Muito ativo nas redes sociais, vem chamando a aten\u00e7\u00e3o do grande p\u00fablico para a import\u00e2ncia dos BRICS (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), em particular, para o Brasil. Estabelecido em 2006, o grupo pesa cada vez mais nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, com destaque para a China e a \u00cdndia.<\/p>\n<p>Segunda maior economia do mundo, depois dos Estados Unidos, a China se estabeleceu como um l\u00edder global em inova\u00e7\u00e3o e tecnologia, com empresas como a Huawei, Tencent e Alibaba, que atuam em setores como telecomunica\u00e7\u00f5es, com\u00e9rcio eletr\u00f4nico e intelig\u00eancia artificial. E passou por um grande avan\u00e7o na infraestrutura, com a constru\u00e7\u00e3o de sua rede de ferrovias de alta velocidade e projetos ambiciosos de log\u00edstica, como a iniciativa do Cintur\u00e3o Econ\u00f4mico da Rota da Seda.<\/p>\n<p>A \u00cdndia tamb\u00e9m emergiu como l\u00edder global em servi\u00e7os de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e terceiriza\u00e7\u00e3o de processos de neg\u00f3cios. Cidades como Bangalore s\u00e3o centros tecnol\u00f3gicos, com empresas de TI de renome.<br \/>\nO pa\u00eds \u00e9 um dos maiores produtores de medicamentos gen\u00e9ricos do mundo. Destaca-se, tamb\u00e9m, na pesquisa espacial, com realiza\u00e7\u00f5es not\u00e1veis, incluindo a Miss\u00e3o Marte Orbiter (Mangalyaan) e o lan\u00e7amento de in\u00fameros sat\u00e9lites para diversos fins.<\/p>\n<p>Em postagem recente no X (antigo Twitter), Gala elencou diversas raz\u00f5es para que o G-7 (Canad\u00e1, Estados Unidos, Reino Unido, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Alemanha e Jap\u00e3o), o grupo de pa\u00edses mais desenvolvidos e industrializados do mundo, passe a levar mais a s\u00e9rio a exist\u00eancia dos BRICS, que somar\u00e3o, em breve, 3,7 trilh\u00f5es de habitantes \u2014 ou seja, 46% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Vamos a elas.<\/p>\n<p>China, \u00cdndia e Brasil est\u00e3o entre as 10 maiores economias do mundo. Os indianos tamb\u00e9m pousaram na Lua, e os BRICS (R\u00fassia, oito; China, tr\u00eas; e \u00cdndia, um) est\u00e3o quase igualando o n\u00famero de miss\u00f5es lunares dos EUA (15).<\/p>\n<p>Os BRICS representam 32,1% do PIB global contra os 29,9% do G-7. Em 2024, cinco pa\u00edses se associaram: Emirados \u00c1rabes Unidos, Ar\u00e1bia Saudita, Eti\u00f3pia, Egito e Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Em 2023, a \u00cdndia tornou-se a maior popula\u00e7\u00e3o do mundo, com o maior n\u00famero de usu\u00e1rios do Facebook, Instagram, You- Tube e WhatsApp, e exportou mais em software (US$ 133 bilh\u00f5es) do que a Ar\u00e1bia Saudita em petr\u00f3leo (US$113 bilh\u00f5es). Em 2022, a China comprou 97% de todo o l\u00edtio da Australia, o maior produtor mundial, e responde por 57% dos carros el\u00e9tricos do planeta.<\/p>\n<p>A maioria das pessoas no Ocidente n\u00e3o conhece a Saudi Aramco, a petroleira da Ar\u00e1bia Saudita, que, agora, faz parte dos BRICS e fatura U$ 48 bilh\u00f5es\/ano, mais do que a Tesla, Meta, Apple e Microsoft juntas, que somam US$ 45 bilh\u00f5es\/ano. As duras san\u00e7\u00f5es do Ocidente contra a R\u00fassia s\u00e3o quase in\u00fateis, porque os russos est\u00e3o inundando a \u00c1sia com petr\u00f3leo \u2014 e os chineses inundando a R\u00fassia com produtos industrializados.<\/p>\n<p><strong>Pragmatismo<\/strong><\/p>\n<p>Os chineses lideram a distribui\u00e7\u00e3o de supercomputadores. A indiana Tata Motors comprou a Jaguar e a Land Rover. A chinesa Geely comprou a Volvo, e a vietnamita Vinfast abriu capital na Bolsa de Nova York e j\u00e1 vale mais do que a General Motors.<\/p>\n<p>O leste da \u00c1sia (China, \u00cdndia, Cor\u00e9ia do Sul, Taiwan e Jap\u00e3o) formam o bloco econ\u00f4mico mais importante do mundo, maior do que os EUA ou a Zona do Euro, pois 70% do crescimento do mundo este ano vem da \u00c1sia \u2014 a China, sozinha, responde por 1\/3 do crescimento mundial.<\/p>\n<p>Mais de 20 pa\u00edses querem entrar nos BRICS. Bangladesh, por influ\u00eancia da \u00cdndia; Egito, Eti\u00f3pia e Marrocos, da R\u00fassia; Belarus e Cazaquist\u00e3o, antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, tamb\u00e9m fizeram a solicita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tail\u00e2ndia e Vietn\u00e3 pediram para ingressar no bloco, e Arg\u00e9lia busca aproxima\u00e7\u00e3o. Pa\u00edses ligados aos Emirados \u00c1rabes Unidos \u2014 como a Palestina, Nig\u00e9ria e Bahreim \u2014 j\u00e1 manifestaram interesse. O Ir\u00e3 n\u00e3o fica atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, pa\u00edses como Cuba, Honduras e Venezuela querem ingressar no bloco. O pr\u00f3ximo encontro do BRICS ser\u00e1 em Moscou e caminha nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 uma grande mudan\u00e7a geopol\u00edtica. Entretanto, h\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas relevantes entre esses pa\u00edses. Exemplo: a R\u00fassia \u00e9 aliada da China, por\u00e9m, a \u00cdndia \u00e9 aliada dos Estados Unidos. \u00c9 um erro avaliar que esses pa\u00edses formam um bloco monol\u00edtico, tanto quanto \u00e9 insensato, no caso do Brasil, um alinhamento que n\u00e3o leve em considera\u00e7\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas com os EUA e a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Nosso principal parceiro comercial \u00e9 a China, que compra nossas commodities minerais e de alimentos, e nos vende a maior parte dos produtos industrializados que consumimos. Isso est\u00e1 matando a nossa ind\u00fastria e nos toma mercado. Essa mudan\u00e7a geopol\u00edtica est\u00e1 por tr\u00e1s da crise da Venezuela, que rompeu com o Ocidente democr\u00e1tico e se tornou aliada incondicional da China.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o pode ser a nossa. Defendemos a democracia e uma pol\u00edtica externa independente e pragm\u00e1tica, cujo eixo s\u00e3o nossos interesses. Devemos nos relacionar igualmente com todos os pa\u00edses dos BRICS e o Ocidente democr\u00e1tico, ao qual pertencemos.<\/p>\n<p><em>Todas as colunas anteriores no Blog do Azedo<\/em>:\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\">https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma grande mudan\u00e7a geopol\u00edtica est\u00e1 por tr\u00e1s da crise da Venezuela, que rompeu com o Ocidente. 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