{"id":9442,"date":"2024-09-12T09:07:01","date_gmt":"2024-09-12T12:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9442"},"modified":"2024-09-12T09:45:55","modified_gmt":"2024-09-12T12:45:55","slug":"nas-entrelinhas-chile-quer-rever-anistia-de-golpistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-chile-quer-rever-anistia-de-golpistas\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Chile quer rever anistia de golpistas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Segundo dados oficiais, 3.216 pessoas foram assassinadas, 1.400 pessoas desapareceram; um total de 40 mil pessoas foram presas e torturadas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O presidente do Chile, Gabriel Boric, anunciou que pretende revogar a lei de anistia aos crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura Pinochet, entre 1973 e 1990. Sua inten\u00e7\u00e3o coincide com as comemora\u00e7\u00f5es de 51 anos do golpe de Estado que derrubou o governo democr\u00e1tico de Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, e colocou Augusto Pinochet no poder. Essa decis\u00e3o, com certeza, ter\u00e1 repercuss\u00f5es no Brasil, que precisam ser levadas em considera\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o faltam os que desejam fazer a mesma coisa por aqui.<\/p>\n<p>Um projeto de lei apresentado pela ent\u00e3o presidente Michelle Bachelet, em 2014, dorme nos bastidores do Congresso chileno. Exclui da anistia, indulto e prescri\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos crimes contra a humanidade cometidos por agentes do Estado ou com sua autoriza\u00e7\u00e3o \u2014 ou seja, os torturadores e seus comandantes.<\/p>\n<p>As discuss\u00f5es sobre a proposta no Chile est\u00e3o paralisadas desde 2018. Dados oficiais revelam que 3.216 pessoas foram assassinadas e 1.400 pessoas detidas desapareceram. Segundo o Programa Oficial de Direitos Humanos, um total de 40 mil pessoas foram presas e torturadas. Boric anunciou a inten\u00e7\u00e3o de rever a lei durante a cerim\u00f4nia de homenagem a Allende e demais v\u00edtimas do golpe, no Pal\u00e1cio de La Moneda. Uma parte da sociedade chilena ainda carrega os traumas do regime. Outra, quer esquecer.<\/p>\n<p>O sangrento golpe de Estado deflagrado por oficiais das For\u00e7as Armadas, ao qual aderiu o comandante-chefe do Ex\u00e9rcito, general Augusto Pinochet, p\u00f4s fim \u00e0 \u00fanica experi\u00eancia de uma via democr\u00e1tica ao socialismo na Am\u00e9rica Latina. Durante tr\u00eas horas, houve combate entre as for\u00e7as legalistas e golpistas no pal\u00e1cio presidencial de La Moneda, bombardeado por avi\u00f5es da For\u00e7a A\u00e9rea e invadido pelo Ex\u00e9rcito. Ao final, Allende foi encontrado morto.<\/p>\n<p>A Junta Militar decretou estado de guerra e promoveu um regime de terror que durou 17 anos. Em 2011, 21 anos ap\u00f3s o fim da ditadura no Chile, uma per\u00edcia confirmou que o pr\u00f3prio Allende se suicidou. A CIA (ag\u00eancia central de intelig\u00eancia dos EUA), multinacionais, empres\u00e1rios e locais e organiza\u00e7\u00f5es neofascistas \u2014 como o grupo Patria y Libertad \u2014 participaram diretamente do golpe. Havia for\u00e7as navais norte-americanas na costa chilena, no Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Milhares de pessoas foram presas e levadas para o Est\u00e1dio Nacional, inclusive brasileiros que estavam exilados no pa\u00eds, entre os quais Jane Vanini, Luiz Carlos Almeida, Nelson de Souza Kohl, T\u00falio Roberto Cardoso Quintiliano e W\u00e2nio Jos\u00e9 de Matos, que foram assassinados. Seus corpos nunca foram encontrados.<\/p>\n<p>As liberdades e garantias constitucionais foram suprimidas. O Parlamento foi fechado. Em 1974, Pinochet assumiu formalmente o cargo de chefe supremo da Na\u00e7\u00e3o e, quatro anos depois, em 1978, realizou um plebiscito de cartas marcadas para respaldar sua perman\u00eancia no poder. Implantou um regime econ\u00f4mico liberal monetarista, com sucesso inicial, mas que levou o pa\u00eds a uma grave depress\u00e3o no in\u00edcio dos anos 1980. A partir da\u00ed, a oposi\u00e7\u00e3o ganhou as ruas.<\/p>\n<p><strong>Vit\u00f3ria do \u201cN\u00e3o&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Em setembro de 1986, Pinochet sofreria um atentado em que morreram cinco de seus guarda-costas e do qual escapou apenas com ferimentos leves. O epis\u00f3dio levou a uma brutal escalada repressiva, que culminou com a Opera\u00e7\u00e3o Alb\u00e2nia, na qual foram assassinados 12 opositores do regime chileno. O atentado foi organizado por um grupo armado que havia rompido com o Partido Comunista chileno.<\/p>\n<p>Em 1988, ao final do mandato de oito anos, como estabelecia a Constitui\u00e7\u00e3o aprovada pelo pr\u00f3prio Pinochet, em 1980, o ditador convocou um novo plebiscito, mas a campanha do \u201cn\u00e3o\u201d foi vitoriosa, com 55,9% dos votos. No ano seguinte, o democrata crist\u00e3o Patricio Aylwin, foi eleito. Houve uma transi\u00e7\u00e3o negociada para que Pinochet deixasse o poder, no qual a moeda de troca foi sua perman\u00eancia como chefe supremo das For\u00e7as Armadas \u2014 depois senador vital\u00edcio. Foi o primeiro beneficiado pela Lei da Anistia de 1978, que impediu a puni\u00e7\u00e3o dos torturadores e comandantes militares.<\/p>\n<p>Deu menos sorte na Inglaterra, em 1998, quando foi detido pela Scotland Yard. Havia uma ordem de pris\u00e3o contra Pinochet emitida pelo juiz Baltasar Garz\u00f3n, por genoc\u00eddio, terrorismo e abuso dos direitos humanos. O governo brit\u00e2nico negou sua extradi\u00e7\u00e3o, declarando-o mentalmente incapacitado. O general regressou ao Chile em 2000, mas teve que renunciar ao mandato de senador vital\u00edcio. Em 2004, descobriu-se que mantinha contas secretas no exterior com saldos de US$ 28 milh\u00f5es de origem il\u00edcita. Morreu impune, em 2006, de infarto e edema pulmonar. Na ocasi\u00e3o, foi homenageado pelas For\u00e7as Armadas chilenas.<\/p>\n<p><strong>Controle da Vale<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 somente o governo Lula que tenta ter o controle da Vale e enfrenta resist\u00eancia dos acionistas. Resolvida a presid\u00eancia, com a escolha de Gustavo Pimenta para o lugar Eduardo Bartolomeo \u2014 solu\u00e7\u00e3o prata da casa \u2014, a briga agora \u00e9 pelo controle do Departamento Jur\u00eddico. Os advogados Lu\u00eds Fernando Franceschini e Marcos Oliveira, que s\u00e3o colegas do Banco do Brasil e s\u00f3cios de banca, t\u00eam neg\u00f3cios de minera\u00e7\u00e3o e est\u00e3o fazendo um lobby fort\u00edssimo para emplacar o novo diretor. O presidente resiste.<\/p>\n<p><em>Todas as colunas anteriores no Blog do Azedo<\/em>:\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\">https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo dados oficiais, 3.216 pessoas foram assassinadas, 1.400 pessoas desapareceram; um total de 40 mil pessoas foram presas e torturadas O presidente do Chile, Gabriel Boric, anunciou que pretende revogar a lei de anistia aos crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura Pinochet, entre 1973 e 1990. Sua inten\u00e7\u00e3o coincide com as comemora\u00e7\u00f5es de 51 anos do golpe de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[561,589,4,7,972,9,3,68],"tags":[1074,1350,1071,542,351,1764],"class_list":["post-9442","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-chile","category-eua","category-governo","category-justica","category-memoria","category-politica-2","category-politica","category-violencia","tag-allende","tag-anistia","tag-boric","tag-chile","tag-ditadura","tag-pinochet"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9442"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9451,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9442\/revisions\/9451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}