{"id":9509,"date":"2024-10-02T07:39:24","date_gmt":"2024-10-02T10:39:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9509"},"modified":"2024-10-02T07:40:57","modified_gmt":"2024-10-02T10:40:57","slug":"nas-entrelinhas-alguem-precisa-barrar-a-escalada-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-alguem-precisa-barrar-a-escalada-da-guerra\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: Algu\u00e9m precisa barrar a escalada da guerra"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Uma guerra total entre Israel e o Ir\u00e3 parece iminente. O homem que poderia impedi-la \u00e9 o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Sua impot\u00eancia, por\u00e9m, n\u00e3o tem precedentes<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Jean Jaur\u00e9s (1859-1914) era um liberal radical que se tornou socialista, integrando a ala direita do Partido Socialista Franc\u00eas. Em 1897, com \u00c9mile Zola e Georges Clemenceau, liderou a campanha em favor de Alfred Dreyfus, o capit\u00e3o franc\u00eas injustamente acusado de espionagem pelo alto comando do Ex\u00e9rcito franc\u00eas por ser judeu. Sempre defendeu a aproxima\u00e7\u00e3o entre a Fran\u00e7a e a Alemanha para garantir a paz na Europa. Era um pacifista, precursor de Mahatma Gandhi (&#8220;Posso at\u00e9 estar disposto a morrer por uma causa, mas nunca a matar por ela!&#8221;) e Martin Luther King (&#8220;Sempre e cada vez mais devemos nos erguer \u00e0s alturas majestosas de enfrentar a for\u00e7a f\u00edsica com a for\u00e7a da alma&#8221;).<\/p>\n<p>Jaur\u00e9s foi assassinado no dia da declara\u00e7\u00e3o da guerra, 31 de julho de 1914, por Raoul Villain, um nacionalista fan\u00e1tico. Foi o principal l\u00edder da II Internacional a defender a paz. Quase todos os demais apoiaram a entrada dos seus pa\u00edses na guerra, a come\u00e7ar pelos dirigentes da poderosa Social-Democracia Alem\u00e3, que estava no poder. Com exce\u00e7\u00e3o de Vladimir L\u00eanin, que defendeu a paz para derrubar a autocracia czarista.<\/p>\n<p>Gandhi e King foram igualmente assassinados. \u00c9 o caso tamb\u00e9m do l\u00edder que quase conseguiu a paz entre judeus e palestinos: Yitzhak Rabin. Outra vez, o algoz foi um ultranacionalista: o judeu Yigal Amir. Em 4 de novembro de 1995, com dois tiros certeiros, matou o homem e a ideia que defendia: israelenses e palestinos terem uma paz duradoura.<\/p>\n<p>Dois anos antes, Rabin, ent\u00e3o primeiro-ministro israelense, e Yasser Arafat, l\u00edder da Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP), apertaram as m\u00e3os e sorriram durante a assinatura dos Acordos de Oslo, patrocinados pelo presidente Bill Clinton. Esses acordos despertaram uma pequena luz no fim do t\u00fanel no conflito que os atingiu por d\u00e9cadas, tamb\u00e9m desencadeou uma onda de viol\u00eancia e \u00f3dio tanto entre a direita israelense quanto entre radicais do grupo isl\u00e2mico Hamas.<\/p>\n<p>Desde a Guerra dos Seis Dias, com seus vizinhos \u00e1rabes, Egito, S\u00edria e Jord\u00e2nia, da qual foi vencedor, Israel ocupa as \u00e1reas da Faixa de Gaza, da Cisjord\u00e2nia, das Colinas Gol\u00e3 e a parte oriental da cidade de Jerusal\u00e9m. Nunca houve uma paz verdadeira na regi\u00e3o. Os palestinos vivem como p\u00e1rias. Em termos geopol\u00edticos, por\u00e9m, os Acordos de Oslo permanecem sendo a chave para a solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, Israel e a Palestina, com fronteiras reconhecidas internacionalmente.<\/p>\n<p>\u00c9 um sonho cada vez mais distante. Uma guerra total entre Israel e o Ir\u00e3 parece iminente. O homem que poderia impedi-la \u00e9 o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Sua impot\u00eancia diante do que est\u00e1 acontecendo no Oriente M\u00e9dio n\u00e3o tem precedentes. Na Assembleia Geral da ONU, Benjamin Netanyahu amea\u00e7ou o Ir\u00e3 e anunciou a escalada das a\u00e7\u00f5es israelitas contra o Hezbollah no L\u00edbano. Mostrou um mapa do que seria a &#8220;maldi\u00e7\u00e3o&#8221; de uma guerra contra o Ir\u00e3. No mapa, por\u00e9m, Cisjord\u00e2nia e Gaza aparecem como territ\u00f3rio israelense.<\/p>\n<p><strong>Poder nuclear<\/strong><\/p>\n<p>Diante de suas sucessivas recusas \u00e0s propostas de paz dos Estados Unidos, Netanyahu mostra que a escalada no L\u00edbano \u00e9 parte de uma estrat\u00e9gia de guerra total contra seus advers\u00e1rios na regi\u00e3o, principalmente o Ir\u00e3. Biden \u00e9 contingenciado pela sombra do verdadeiro aliado do primeiro-ministro israelense, o ex-presidente Donald Trump. O poder nuclear de Israel \u00e9 um segredo de polichinelo.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 I Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918. Foi uma trag\u00e9dia para humanidade, pois viria a desaguar na II Guerra Mundial. Liberais e conservadores foram confrontados pelo fascismo e pelo nazismo, enquanto social-democratas e comunistas se digladiavam. Esse processo resultou de for\u00e7as muito superiores \u00e0 capacidade de um s\u00f3 homem: a fus\u00e3o do capital financeiro com o capitalismo industrial, na virada para s\u00e9culo 20, e a expans\u00e3o territorial das pot\u00eancias europeias em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1sia, \u00e0 \u00c1frica e \u00e0 Oceania.<\/p>\n<p>O estopim da I Guerra foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da \u00c1ustria-Hungria, em 28 de janeiro de 1914, em Sarajevo, capital da B\u00f3snia, por um militante da organiza\u00e7\u00e3o terrorista M\u00e3o Negra, de nacionalistas s\u00e9rvios. As alian\u00e7as de \u00c1ustria e S\u00e9rvia entraram em a\u00e7\u00e3o, o conflito envolveu todas as pot\u00eancias da \u00e9poca. Ao longo da guerra, o uso de novas armas, como o g\u00e1s t\u00f3xico, e de inven\u00e7\u00f5es como o avi\u00e3o, aumentaram a trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Em 1989, Francis Fukuyama publicou o artigo &#8220;O Fim da Hist\u00f3ria?&#8221;, na revista The National Interest, segundo o qual a dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, consequentemente, o fim da Guerra Fria, eram a vit\u00f3ria do ideal da democracia ocidental sobre o mundo. O liberalismo e a democracia seriam os eixos de um &#8220;Estado homog\u00eaneo universal&#8221;. Essa tese est\u00e1 \u00e0 prova faz tempo.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe o desfecho da crise de Israel com o Ir\u00e3. Netanyahu \u00e9 audacioso, implac\u00e1vel e sagaz. Acuado internamente por causa de Gaza, viu no confronto com o Hezbollah, no L\u00edbano, uma oportunidade de confrontar o Ir\u00e3 e arrastar os EUA para o conflito, com objetivo de consolidar a hegemonia pol\u00edtica de Israel em todo o mundo \u00e1rabe, pela for\u00e7a militar. Aliados do Ir\u00e3, R\u00fassia e Coreia do Norte pouco podem fazer. A China n\u00e3o se mete, s\u00f3 observa.<\/p>\n<p>A Marcha da Insensatez (Editora Jos\u00e9 Olympio), da escritora Barbara W. Tuchman, mostra como decis\u00f5es erradas dos governantes voltaram-se contra seus pr\u00f3prios interesses, da Guerra de Troia \u00e0 do Vietn\u00e3. Diante da ideologia e dos interesses mais mesquinhos, como na I Guerra Mundial, a raz\u00e3o foi impotente. A paz perdeu.<\/p>\n<p><em>Todas as colunas anteriores no Blog do Azedo<\/em>:\u00a0<a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\">https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma guerra total entre Israel e o Ir\u00e3 parece iminente. O homem que poderia impedi-la \u00e9 o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. 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