{"id":9703,"date":"2024-11-21T08:16:31","date_gmt":"2024-11-21T11:16:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9703"},"modified":"2024-11-21T08:17:04","modified_gmt":"2024-11-21T11:17:04","slug":"brasil-fica-mais-perto-da-nova-rota-da-seda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/brasil-fica-mais-perto-da-nova-rota-da-seda\/","title":{"rendered":"Brasil fica mais perto da nova Rota da Seda"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Os chineses tentam atrair a ades\u00e3o do Brasil ao programa h\u00e1 anos. At\u00e9 agora, os governos brasileiros resistiram, por raz\u00f5es econ\u00f4micas e geopol\u00edticas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 mais perto da Rota da Seda, ou vice-versa, com a assinatura de 37 novos acordos bilaterais com a China, no encontro entre o presidente chin\u00eas Xi Jinping e o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, durante a visita de Estado do l\u00edder asi\u00e1tico, que foi recebido com honras militares no Pal\u00e1cio da Alvorada, resid\u00eancia oficial. Eles se reuniram a portas fechadas com a participa\u00e7\u00e3o de diversos ministros de ambos os pa\u00edses. Os acordos alcan\u00e7am as seguintes \u00e1reas: agricultura, com\u00e9rcio, investimentos, infraestrutura, ind\u00fastria, energia, minera\u00e7\u00e3o, finan\u00e7as, ci\u00eancia e tecnologia, comunica\u00e7\u00f5es, desenvolvimento sustent\u00e1vel, turismo, esportes, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e cultura.<\/p>\n<p>Lula destacou que, apesar das dist\u00e2ncias geogr\u00e1ficas, h\u00e1 meio s\u00e9culo China e Brasil &#8220;cultivam uma amizade estrat\u00e9gica, baseada em interesses compartilhados e vis\u00f5es de mundo pr\u00f3ximas&#8221;. Maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, o com\u00e9rcio com a China teve, em 2023, o recorde hist\u00f3rico de US$ 157 bilh\u00f5es. &#8220;O superavit com a China \u00e9 respons\u00e1vel por mais da metade do saldo comercial global brasileiro&#8221;, lembrou Lula. Para Xi Jinping, a rela\u00e7\u00e3o entre os dois pa\u00edses vive o seu melhor momento na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8220;Mantive uma reuni\u00e3o cordial, amistosa e frut\u00edfera com o presidente Lula. Fizemos uma retrospectiva do relacionamento da China com o Brasil ao longo dos \u00faltimos 50 anos. Coincidimos que este relacionamento est\u00e1 no melhor momento da hist\u00f3ria. Tem uma proje\u00e7\u00e3o global estrat\u00e9gica e de longo prazo cada vez mais destacada. E estabeleceu um exemplo para avan\u00e7arem juntos com solidariedade e coopera\u00e7\u00e3o, entre os grandes pa\u00edses em desenvolvimento&#8221;, disse Xi Jinping.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2024\/08\/6922816-brasil-e-china-50-anos.html\"><strong>Brasil e China, 50 anos<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Como se sabe, os chineses n\u00e3o t\u00eam pressa, t\u00eam estrat\u00e9gia. A rela\u00e7\u00e3o bilateral sino-brasileira adquiriu o status diplom\u00e1tico de &#8220;Comunidade de Futuro Compartilhado por um Mundo mais Justo e um Planeta Sustent\u00e1vel&#8221;. Isso significa uma proje\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos 50 anos em \u00e1reas como infraestrutura sustent\u00e1vel, transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, intelig\u00eancia artificial, economia digital, sa\u00fade e ind\u00fastria aeroespacial. Os programas de desenvolvimento Nova Ind\u00fastria Brasil (NIB), de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), de Rotas da Integra\u00e7\u00e3o Sul-Americana, al\u00e9m do Plano de Transforma\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica ser\u00e3o objeto de sinergia entre os dois pa\u00edses, principalmente com a Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota, conhecida como a Nova Rota da Seda.<\/p>\n<p>Brasil e China s\u00e3o os dois maiores pa\u00edses em desenvolvimento da \u00c1sia e da Am\u00e9rica do Sul, com posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a no chamado Sul Global, que abarca as na\u00e7\u00f5es pobres ou em desenvolvimento da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia. Jinping tamb\u00e9m quer estreitar a rela\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o com o Brasil em f\u00f3runs multilaterais, como Na\u00e7\u00f5es Unidas, G20 e Brics, &#8220;enfrentando a fome e a pobreza&#8221;. Isso \u00e9 m\u00fasica para Lula e o agroneg\u00f3cio brasileiro. Xi Jinping deve voltar mais duas vezes Brasil, em 2025, uma para participar da C\u00fapula do Brics, em julho, e outra para a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP30), em Bel\u00e9m. At\u00e9 l\u00e1, a geopol\u00edtica mundial estar\u00e1 muito alterada, por causa do governo de Donald Trump.<\/p>\n<p><em>Leia mais:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/opiniao\/2024\/11\/6993177-uniao-global-contra-a-fome.html\"><strong>Uni\u00e3o global contra a fome<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Pragmatismo diplom\u00e1tico<\/strong><\/p>\n<p>Nos bastidores, a agenda mais importante foi a n\u00e3o entrada do Brasil na Nova Rota da Seda, o trilion\u00e1rio projeto chin\u00eas iniciado em 2013, que prev\u00ea a realiza\u00e7\u00e3o de obras e investimentos para ampliar a presen\u00e7a do pa\u00eds no mercado mundial. Os chineses tentam atrair a ades\u00e3o do Brasil ao programa h\u00e1 anos. At\u00e9 agora, os governos brasileiros resistiram, por raz\u00f5es econ\u00f4micas e geopol\u00edticas: no primeiro caso, a China \u00e9 concorrente e vem ocupando mercados que eram da ind\u00fastria brasileira na Am\u00e9rica Latina; a segunda, a necessidade de manter boas rela\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia, mercados importantes para as manufaturas e prote\u00ednas brasileiras. \u00c9 um equil\u00edbrio delicado, pois se trata de tirar partido da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e n\u00e3o aderir a um dos lados.<\/p>\n<p>A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que comanda o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, e o assessor especial Celso Amorim, no governo brasileiro, s\u00e3o entusiastas de uma maior aproxima\u00e7\u00e3o com a China, mas, at\u00e9 agora, tem prevalecido a tradicional estrat\u00e9gia de independ\u00eancia e pragmatismo do Itamaraty. Num cen\u00e1rio internacional conturbado, com Donald Trump na Presid\u00eancia dos Estados Unidos, manter uma posi\u00e7\u00e3o equidistante da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo n\u00e3o ser\u00e1 nada f\u00e1cil.<\/p>\n<p>A Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative, em ingl\u00eas) investe pesadamente em obras de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, produ\u00e7\u00e3o e linhas de transmiss\u00e3o de energia, oleodutos e gasodutos, que conectam a \u00c1sia \u00e0 Europa. Agora, a China visa os pa\u00edses da \u00c1frica e da Am\u00e9rica Latina, como \u00e9 o caso do megaporto inaugurado na semana passada por Xi Jinping no Peru. Atualmente, 147 pa\u00edses aderiram ou demonstraram interesse em integrar o plano, o que representa dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial e 40% do PIB global.<\/p>\n<p><em>Leia ainda<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2024\/11\/6992672-por-que-brasil-resiste-a-entrar-em-nova-rota-da-seda-da-china.html\"><strong>Por que Brasil resiste a entrar em Nova Rota da Seda da China<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, em torno de 20 pa\u00edses integram a iniciativa, incluindo a Argentina, que assinou um memorando de ades\u00e3o em abril de 2022. O presidente argentino Javier Milei reuniu-se bilateralmente com Xi Jinping na segunda-feira, no Rio de Janeiro, durante o G20. Entretanto, Donald Trump j\u00e1 anunciou que aumentar\u00e1 as tarifas sobre as importa\u00e7\u00f5es de pa\u00edses que aderirem \u00e0 Rota da Seda. Os Estados Unidos s\u00e3o o principal destino de nossas manufaturas, que geram mais empregos e t\u00eam mais valor agregado do que min\u00e9rio de ferro e produtos agr\u00edcolas in natura. Em 2023, a os chineses investiram US$ 1,73 bilh\u00e3o no pa\u00eds, um aumento de 33% em rela\u00e7\u00e3o a 2022, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em> <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os chineses tentam atrair a ades\u00e3o do Brasil ao programa h\u00e1 anos. 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