{"id":9885,"date":"2025-01-12T06:48:38","date_gmt":"2025-01-12T09:48:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9885"},"modified":"2025-01-12T07:23:49","modified_gmt":"2025-01-12T10:23:49","slug":"trump-e-a-volta-do-imperialismo-yankee","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/trump-e-a-volta-do-imperialismo-yankee\/","title":{"rendered":"Trump e a volta do &#8220;imperialismo yankee&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Agora, \u00e0s v\u00e9speras de tomar posse, Trump choca o mundo com uma vis\u00e3o geopol\u00edtica expansionista que vai muito al\u00e9m da &#8220;guerra comercial&#8221; com a China<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por defini\u00e7\u00e3o, o imperialismo ocorre quando uma na\u00e7\u00e3o promove uma expans\u00e3o territorial, econ\u00f4mica e\/ou cultural sobre outra na\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a. A coloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, da \u00c1sia e da Oceania, que se iniciou na segunda metade do s\u00e9culo XIX, representou o auge do imperialismo. Em termos atuais, pode ser empregada no caso da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, por exemplo. Segundo o historiador Eric Hobsbawm, essa forma de neocolonialismo representou a ocupa\u00e7\u00e3o de 25% das terras do planeta.<\/p>\n<p>O revolucion\u00e1rio russo Vladimir L\u00eanin, que liderou a Revolu\u00e7\u00e3o de 1917 e fundou a antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, por\u00e9m, associava o imperialismo ao est\u00e1gio monopolista do capitalismo. \u201cEssa defini\u00e7\u00e3o compreenderia o principal, pois, por um lado, o capital financeiro \u00e9 o capital banc\u00e1rio de alguns grandes bancos monopolistas fundido com o capital das associa\u00e7\u00f5es monopolistas de industriais e, por outro, a partilha do mundo \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica colonial que se estendeu sem obst\u00e1culos \u00e0s regi\u00f5es n\u00e3o apropriadas por nenhuma pot\u00eancia capitalista para uma pol\u00edtica colonial de posse monopolista dos territ\u00f3rios da Terra, j\u00e1 inteiramente repartida.\u201d<\/p>\n<p>Com o fim da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, que havia se transformado de uma for\u00e7a anticolonialista, sobretudo na \u00c1sia e na \u00c1frica, numa pot\u00eancia imperialista na Europa Oriental, essa vis\u00e3o perdeu relev\u00e2ncia. Com o fim do colonialismo, a integra\u00e7\u00e3o das diversas regi\u00f5es do globo por meio do desenvolvimento dos transportes e das comunica\u00e7\u00f5es ultrapassou os modelos nacional-desenvolvimentistas que nela se baseavam, sobretudo a partir de a China adotar o capitalismo de estado e emergir como nova pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o \u201cliquefez\u201d a sociedade industrial e elevou a moderniza\u00e7\u00e3o a um novo patamar, com impacto direto no modo de vida de todas as pessoas. For\u00e7ou os governos a adotarem pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o \u00e0 economia mundial para n\u00e3o apenas arcar com as suas consequ\u00eancias mais danosas. No Brasil, a globaliza\u00e7\u00e3o intensificou-se a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX, com a maior inser\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no mercado econ\u00f4mico global, sobretudo a partir do governo Collor de Mello, em 1990. A tentativa de retomar um projeto nacional-desenvolvimentista, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, resultou no colapso econ\u00f4mico que a levou ao impeachment, em 2016.<\/p>\n<p>Entretanto, a integra\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas globais e o multilateralismo, que pareciam pautar a globaliza\u00e7\u00e3o, sobretudo a partir da forma\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, passaram a ser fortemente questionados pelos Estados Unidos, a partir da emerg\u00eancia da China como segunda economia mundial. Quem controlar\u00e1 o com\u00e9rcio global, cujo eixo se deslocou do Atl\u00e2ntico para o Pac\u00edfico? Esse tipo de disputa entre o Reino Unido e a Alemanha, uma pot\u00eancia mar\u00edtima e outra continental, foi uma das causas de duas guerras mundiais no s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p><em>Leia mais:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2025\/01\/7029259-os-argumentos-de-trump-sobre-controle-da-groenlandia-do-canal-do-panama-e-ate-do-canada.html\"><strong>Os argumentos de Trump sobre controle da Groenl\u00e2ndia, do Canal do Panam\u00e1 e at\u00e9 do Canad\u00e1<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Era Trump<\/strong><\/p>\n<p>O velho \u201cimperialismo yankee\u201d parece estar de volta. No seu primeiro mandato, o presidente Donald Trump deu um cavalo de pau na pol\u00edtica externa norte-americana em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 China e ao multilateralismo, estrat\u00e9gia que foi mantida pelo democrata Joe Biden, que deu sequ\u00eancia \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o das suas cadeias de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, \u00e0s v\u00e9speras de tomar posse, Trump choca o mundo com uma vis\u00e3o geopol\u00edtica expansionista que vai muito al\u00e9m da \u201cguerra comercial\u201d com a China. Seu America First promove pol\u00edticas que prioriza a soberania dos EUA e a redu\u00e7\u00e3o de sua depend\u00eancia em termos de com\u00e9rcio e manufatura. A OTAN, a ONU e a OMS s\u00e3o estorvos econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Tratados comerciais como antigos aliados, como a NAFTA, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A rivalidade com a China tende a desaguar numa nova corrida armamentista. Trump tudo far\u00e1 para conter o crescimento da influ\u00eancia tecnol\u00f3gica e econ\u00f4mica chinesa, sobretudo na infraestrutura e nas comunica\u00e7\u00f5es. Em contrapartida, tende a se aproximar de l\u00edderes autocr\u00e1ticos como Vladimir Putin (R\u00fassia), Kim Jong-un (Coreia do Norte) e Mohammed bin Salman (Ar\u00e1bia Saudita).<\/p>\n<p>Antes mesmo de tomar posse, estressou as rela\u00e7\u00f5es com a OTAN, com declara\u00e7\u00f5es sobre a anexa\u00e7\u00e3o do Canad\u00e1 e a compra da Groel\u00e2ndia, ao mesmo tempo em que pressiona os demais pa\u00edses a aumentarem seus gastos com defesa. Trump pretende apoiar a anexa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios Palestinos por Benjamin Netanyahu e for\u00e7ar uma aproxima\u00e7\u00e3o de seus aliados \u00e1rabes com Israel. Ao mesmo tempo, tende a largar de m\u00e3o o Afeganist\u00e3o e a S\u00edria.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2025\/01\/7030460-quem-manda-no-golfo-do-mexico-e-como-trump-pode-mudar-o-nome.html\"><strong>Quem manda no Golfo do M\u00e9xico \u2014 e como Trump pode mudar o nome?<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Sua pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica Latina pode provocar nova crise humanit\u00e1ria, sobretudo no M\u00e9xico, com o fechamento da fronteira e a expuls\u00e3o em massa de imigrantes. As san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas contra os regimes da Venezuela, Nicaragua e Cuba ser\u00e3o ampliadas e a amea\u00e7a de retomada \u00e0 for\u00e7a do Canal do Panam\u00e1 se insere no contexto da disputa com a China pelo controle do com\u00e9rcio do Atl\u00e2ntico com o Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica energ\u00e9tica de Trump \u00e9 uma amea\u00e7a ambiental ao planeta, com a explora\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de petr\u00f3leo e g\u00e1s por meio da fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica. Os EUA v\u00e3o se retirar novamente do Acordo de Paris sobre o clima. Tudo isso est\u00e1 associado a um novo complexo tecnol\u00f3gico nas \u00e1reas de infraestrutura, comunica\u00e7\u00f5es, militar e espacial, num novo ciclo hist\u00f3rico, n\u00e3o apenas conjuntural.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em> <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agora, \u00e0s v\u00e9speras de tomar posse, Trump choca o mundo com uma vis\u00e3o geopol\u00edtica expansionista que vai muito al\u00e9m da &#8220;guerra comercial&#8221; com a China Por defini\u00e7\u00e3o, o imperialismo ocorre quando uma na\u00e7\u00e3o promove uma expans\u00e3o territorial, econ\u00f4mica e\/ou cultural sobre outra na\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a. 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