{"id":9889,"date":"2025-01-14T07:34:23","date_gmt":"2025-01-14T10:34:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9889"},"modified":"2025-01-14T07:34:23","modified_gmt":"2025-01-14T10:34:23","slug":"na-questao-fiscal-vale-o-que-esta-escrito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/na-questao-fiscal-vale-o-que-esta-escrito\/","title":{"rendered":"Na quest\u00e3o fiscal, vale o que est\u00e1 escrito"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Lula n\u00e3o precisou adotar uma dura pol\u00edtica recessiva no primeiro ano de governo, por\u00e9m se comprometeu com limites de gastos, arrecada\u00e7\u00e3o e endividamento do arcabou\u00e7o fiscal<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No mundo dos neg\u00f3cios, como nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, credibilidade \u00e9 fundamental. Esse \u00e9 o xis da quest\u00e3o quando se compara os indicadores positivos da economia, como o crescimento do PIB, a queda do desemprego, os aumentos da renda m\u00e9dia e do sal\u00e1rio real, com o ambiente de incerteza que tomou conta do mercado. O governo est\u00e1 diante de uma sinuca de bico: cortar os gastos p\u00fablicos ou ver a infla\u00e7\u00e3o comer a renda de milh\u00f5es de brasileiros, principalmente dos assalariados que sa\u00edram da faixa de pobreza e correm o risco de voltar.<\/p>\n<p>Lula foi eleito com uma narrativa de campanha contra o teto de gastos, que foi substitu\u00eddo por novas regras e diretrizes para as finan\u00e7as p\u00fablicas. De comum acordo com o Congresso, deu o pulo do gato e evitou um colapso fiscal no final do mandato de Bolsonaro. Com isso, n\u00e3o precisou adotar uma dura pol\u00edtica recessiva no primeiro ano de governo. Entretanto, se comprometeu com os limites e as prioridades de gastos, arrecada\u00e7\u00e3o e endividamento nos anos subsequentes do arcabou\u00e7o.<\/p>\n<p>O objetivo principal do arcabou\u00e7o fiscal negociado em 2023 era assegurar a sustentabilidade das contas p\u00fablicas a longo prazo e, com isso, manter a confian\u00e7a dos mercados, controlar a infla\u00e7\u00e3o e promover o crescimento econ\u00f4mico. Buscava-se equilibrar a necessidade de investimentos p\u00fablicos com a responsabilidade de evitar deficits excessivos e crescimento descontrolado da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>As novas regras estabeleceram que as despesas poder\u00e3o crescer abaixo do ritmo das receitas, com limites claros, para evitar descontrole or\u00e7ament\u00e1rio. O arcabou\u00e7o limita o crescimento da d\u00edvida p\u00fablica em 70% da receita no limite de 2,5%. Entretanto, como ocorreu com o teto de gastos no governo Bolsonaro, a nova regra est\u00e1 sendo burlada pelo governo, com a anu\u00eancia do Congresso, que \u00e9 avesso a cortar gastos e, simultaneamente, a aumentar impostos. Sempre que preciso, retiram-se gastos do arcabou\u00e7o fiscal, para &#8220;cumprir&#8221; a lei da responsabilidade fiscal sem cortar outras despesas como deveria. Precat\u00f3rios, gastos com o combate \u00e0s queimadas, socorro aos ga\u00fachos durante as enchentes do Rio Grande do Sul, por exemplo.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2025\/01\/7032926-mercado-teme-descumprimento-de-meta-e-retorno-da-dominancia-fiscal.html\"><strong>Mercado teme descumprimento de meta e retorno da domin\u00e2ncia fiscal<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas cen\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Resultado: a infla\u00e7\u00e3o fechou 2024 em 4,83%, muito acima do centro da meta, 3%, e at\u00e9 do teto, de 4,5%. Em dezembro, ficou dentro do esperado, nos 0,52%, por\u00e9m, como a meta \u00e9 de 3% em 12 meses (com toler\u00e2ncia de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo), os juros crescentes n\u00e3o foram suficientes para segurar os pre\u00e7os. Com a Selic nos 12,25% ao ano, 2025 come\u00e7a com a infla\u00e7\u00e3o em alta.<\/p>\n<p>A alta do d\u00f3lar tem um papel relevante em tudo isso, com uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do real em torno de 27%, o que deve repercutir na infla\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3ximos meses. A perda de confian\u00e7a na pol\u00edtica fiscal do governo impactou o c\u00e2mbio e os juros futuros. Pode-se responsabilizar a especula\u00e7\u00e3o dos agentes financeiros, mas n\u00e3o foi s\u00f3 isso: a demanda de bens e servi\u00e7os cresceu, a escassez de m\u00e3o de obra jogou os sal\u00e1rios para cima, a Petrobras segurou o pre\u00e7o dos combust\u00edveis, os juros derrubaram o cr\u00e9dito, a inadimpl\u00eancia cresceu, o capital de giro ficou mais caro, a d\u00edvida p\u00fablica cresce. Essa ciranda, segundo o Banco Central, far\u00e1 com que a Selic chegue aos 14,25% em mar\u00e7o, para conter uma explos\u00e3o inflacion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, h\u00e1 tr\u00eas cen\u00e1rios. O otimista aposta numa recupera\u00e7\u00e3o acelerada, com crescimento de 2,5% a 3,5% do PIB, infla\u00e7\u00e3o controlada, investimentos estrangeiros, mais empregos na constru\u00e7\u00e3o civil, servi\u00e7os e tecnologia, amplia\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior. O pessimista prev\u00ea crescimento abaixo de 1%, com recess\u00e3o em setores na ind\u00fastria e no com\u00e9rcio, infla\u00e7\u00e3o acima de 6%, instabilidade pol\u00edtica, redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de emprego, agravados por desacelera\u00e7\u00e3o da China e protecionismo nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><em>Leia ainda:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2025\/01\/7032927-desafios-na-area-fiscal-serao-maiores-em-2025-afirmam-especialistas.html\"><strong>Desafios na \u00e1rea fiscal ser\u00e3o maiores em 2025, afirmam especialistas<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio mais realista, por\u00e9m, aponta para um crescimento entre 1,5% e 2,5%, impulsionado pelo agroneg\u00f3cio e pelas commodities; infla\u00e7\u00e3o entre 4% e 5%; ajustes fiscais e tribut\u00e1rios parciais; manuten\u00e7\u00e3o dos atuais n\u00edveis de desigualdade; e novas oportunidades comerciais em raz\u00e3o da regionaliza\u00e7\u00e3o das cadeias globais de valor. O que poderia erradicar o pessimismo e transformar a avalia\u00e7\u00e3o mais realista no cen\u00e1rio positivo? Lula aceitar que as despesas do governo respeitem o arcabou\u00e7o fiscal para recuperar a confian\u00e7a no ambiente econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em> <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lula n\u00e3o precisou adotar uma dura pol\u00edtica recessiva no primeiro ano de governo, por\u00e9m se comprometeu com limites de gastos, arrecada\u00e7\u00e3o e endividamento do arcabou\u00e7o fiscal No mundo dos neg\u00f3cios, como nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, credibilidade \u00e9 fundamental. 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