{"id":992,"date":"2016-11-04T07:24:51","date_gmt":"2016-11-04T09:24:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=992"},"modified":"2016-11-04T07:24:51","modified_gmt":"2016-11-04T09:24:51","slug":"nas-entrelinhas-o-grande-operador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/nas-entrelinhas-o-grande-operador\/","title":{"rendered":"Nas entrelinhas: O grande operador"},"content":{"rendered":"<p><em>O discurso em defesa da Petrobras serviu para a montagem do esquema de propina e financiamento de campanhas eleitorais <\/em><\/p>\n<p>O juiz federal S\u00e9rgio Moro, da 13\u00aa Vara Federal de Curitiba, aceitou ontem a den\u00fancia feita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra o ex-ministro Ant\u00f4nio Palocci e outras 14 pessoas, por crimes de corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A den\u00fancia \u00e9 um \u201ccase\u201d de como funcionava o esquema de propina da Petrobras e da escala de desvio de recursos p\u00fablicos para financiamento do PT e enriquecimento dos envolvidos. Foram pagos, segundo o MPF, R$ 252,5 milh\u00f5es em propinas em 21 contratos de afretamento de sondas para explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal, por meio da Sete Brasil. A propina foi fixada em 0,9% sobre o valor total dos contratos: R$ 28 bilh\u00f5es. Seis sondas foram negociadas com o Estaleiro Enseada do Paragua\u00e7u, da Odebrecht.<\/p>\n<p>Tal opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria poss\u00edvel se a Lei de Licita\u00e7\u00f5es n\u00e3o tivesse sido escanteada pelo \u201cregime especial\u201d criado para a contrata\u00e7\u00e3o de obras e servi\u00e7os pela Petrobras, a pretexto de dar agilidade \u00e0 empresa nos seus investimentos e opera\u00e7\u00f5es comerciais. Tamb\u00e9m n\u00e3o seria poss\u00edvel se n\u00e3o houvesse uma lei para favorecer a forma\u00e7\u00e3o de empresas nacionais de tecnologia, estabelecendo a obrigatoriedade de componentes nacionais. E n\u00e3o ocorreria se o governo n\u00e3o tivesse financiado, a juros camaradas, a cria\u00e7\u00e3o de estaleiros para salvar a ind\u00fastria naval. Muito menos se n\u00e3o houvesse uma lei que obrigasse a Petrobras a ter 30% de participa\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo da camada pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Ou seja, o discurso em defesa da Petrobras e da tecnologia nacional, de salva\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria naval e de est\u00edmulo aos \u201ccampe\u00f5es nacionais\u201d serviu para a montagem do grande esquema de desvio de recursos p\u00fablicos e financiamento de campanhas eleitorais que quebrou a Petrobras e levou de rold\u00e3o a economia do pa\u00eds. Naturalmente, pagando um ped\u00e1gio alt\u00edssimo para seus operadores: \u201cConforme planilha apreendida durante a opera\u00e7\u00e3o, identificou-se que entre 2008 e o final de 2013 foram pagos mais de R$ 128 milh\u00f5es ao PT e seus agentes, incluindo Palocci. Remanesceu, ainda, em outubro de 2013, um saldo de propina de R$ 70 milh\u00f5es, valores estes que eram destinados tamb\u00e9m ao ex-ministro para que ele os gerisse no interesse do Partido dos Trabalhadores\u201d, afirma a den\u00fancia.<\/p>\n<p>A lista dos envolvidos n\u00e3o tem p\u00e9 de chinelo: Antonio Palocci, Branislav Kontic, Marcelo Odebrecht, Fernando Migliaccio da Silva, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, Luiz Eduardo da Rocha, Olivio Rodrigues Junior, Marcelo Rodrigues, Rog\u00e9rio Santos de Ara\u00fajo, Monica Moura, Jo\u00e3o Santana, Jo\u00e3o Vaccari Neto, Jo\u00e3o Ferraz, Eduardo Musa e Renato Duque. Na \u00e9poca em que o esc\u00e2ndalo da Sete Brasil estourou, a presidente Dilma Rousseff moveu mundos e fundos para tentar salvar a empresa, mas o rombo era grande demais.<\/p>\n<p><strong>Campanha eleitoral<\/strong><br \/>\nFoi de um contrato da Sete Brasil que sa\u00edram as nove transfer\u00eancias feitas por Zwi Skornick, de US$ 500 mil cada uma, para contas mantidas no exterior em nome da offshore Shellbill, descobertas pela Lava-Jato, que levaram \u00e0 pris\u00e3o do casal de marqueteiros de Lula e Dilma: \u201cTanto Jo\u00e3o quanto M\u00f4nica tinham pleno conhecimento de que tais recursos haviam sido auferidos pelo Partido dos Trabalhadores em decorr\u00eancia de crimes praticados contra a Petrobras\u201d, diz a den\u00fancia. \u201cA utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e3o refinada t\u00e9cnica de lavagem de dinheiro revelou claramente a consci\u00eancia de ambas as partes de que os US$ 4,5 milh\u00f5es eram produto de crime anterior e que, exatamente por isso, n\u00e3o poderiam ser repassados \u00e0 campanha eleitoral da forma legalmente estabelecida.\u201d<\/p>\n<p>A casa come\u00e7ou a cair quando Pedro Barusco, ex-presidente da Sete Brasil, em dela\u00e7\u00e3o premiada, entregou \u00e0 Lava-Jato US$ 96 milh\u00f5es que estavam escondidos em contas secretas ligadas a offshores. Foi um espanto na Petrobras, onde o montante passou a ser considerado pelos t\u00e9cnicos e executivos da empresa uma unidade de valor na hora de discutir projetos e or\u00e7amentos: \u201cum barusco, dois baruscos&#8230;\u201d Na verdade, o dinheiro n\u00e3o era s\u00f3 dele, era uma esp\u00e9cie de caixa 2 do esquema cujo principal operador seria Palocci.<\/p>\n<p>O ex-ministro da Fazenda entrou na al\u00e7a de mira dos investigadores da Lava-Jato quando o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que acaba de se livrar da tornozeleira eletr\u00f4nica, disse que, em 2010, o doleiro Alberto Yousseff lhe pediu R$ 2 milh\u00f5es da cota de propinas do PP para a campanha presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff. O pedido teria sido feito por encomenda de Palocci.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O discurso em defesa da Petrobras serviu para a montagem do esquema de propina e financiamento de campanhas eleitorais O juiz federal S\u00e9rgio Moro, da 13\u00aa Vara Federal de Curitiba, aceitou ontem a den\u00fancia feita pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra o ex-ministro Ant\u00f4nio Palocci e outras 14 pessoas, por crimes de corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36,46,4,7,5,8,9,3],"tags":[34],"class_list":["post-992","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-eleicoes","category-governo","category-justica","category-lava-jato","category-partidos","category-politica-2","category-politica","tag-lavajato"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=992"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/992\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":999,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/992\/revisions\/999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}