{"id":9936,"date":"2025-01-26T09:41:35","date_gmt":"2025-01-26T12:41:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/?p=9936"},"modified":"2025-01-26T09:41:36","modified_gmt":"2025-01-26T12:41:36","slug":"entre-a-picanha-e-a-salsicha-o-marketing-reverso-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/entre-a-picanha-e-a-salsicha-o-marketing-reverso-de-lula\/","title":{"rendered":"Entre a picanha e a salsicha, o marketing reverso de Lula"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>O pre\u00e7o dos alimentos tem din\u00e2mica pr\u00f3pria, influenciado por oferta e demanda, clima, safra, cota\u00e7\u00f5es internacionais. N\u00e3o existe bala de prata para derrub\u00e1-lo<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na publicidade, o marketing reverso \u00e9 uma invers\u00e3o de perspectivas. O processo mais comum e tradicional \u00e9 a busca da aten\u00e7\u00e3o e dos recursos dos consumidores. O marketing reverso faz com que o consumidor passe a procurar pelo servi\u00e7o e\/ou produto oferecido de forma mais org\u00e2nica. \u00c9 uma estrat\u00e9gia menos invasiva e agressiva, mas, \u00e0s vezes, d\u00e1 errado.<\/p>\n<p>O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 um comunicador nato e voltou ao poder com uma narrativa ancorada nos seus dois mandatos anteriores. Um dos motes de sua campanha foi uma esp\u00e9cie de marketing reverso: a esperan\u00e7a dos pobres de que voltariam a comer picanha no churrasco do fim de semana.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 popularidade que resista \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, sobretudo de alimentos. Por ironia, o maior problema com a infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o as carnes, que sumiram das geladeiras da maioria dos brasileiros, porque o pre\u00e7o das prote\u00ednas est\u00e1 proibitivo. Por exemplo: a picanha fatiada para churrasco custa R$ 54. O ac\u00e9m mo\u00eddo, a carne que mais rende na mesa, em torno de R$ 19. A primeira prote\u00edna bovina que entra na casa do pobre \u00e9 processada: a salsicha, que custa em torno de R$ 13. Nas g\u00f4ndolas, o quilo do frango inteiro ou de pernil su\u00edno picado (com osso) est\u00e1 R$ 9, o mesmo pre\u00e7o do p\u00e9 de galinha e da orelha de porco.<\/p>\n<p><em>Leia tamb\u00e9m:<\/em><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2025\/01\/7042814-inflacao-desacelera-mas-alimentos-e-transportes-pressionam-os-precos.html\"><strong> Infla\u00e7\u00e3o desacelera, mas alimentos e transportes pressionam os pre\u00e7os<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Para o falecido historiador franc\u00eas Pierre Chaunu, especialista em estudos sobre a Am\u00e9rica espanhola, uma das causas de os chineses n\u00e3o terem conquistado as Am\u00e9ricas antes de espanh\u00f3is e portugueses foi a falta de prote\u00edna animal (Expans\u00e3o europeia do s\u00e9culo XIII ao XV, Editora Pioneira). A China era a maior pot\u00eancia econ\u00f4mica da \u00e9poca e dispunha de uma grande for\u00e7a naval, com tecnologia e conhecimentos de navega\u00e7\u00e3o para atravessar todos os mares.<\/p>\n<p>O ex-comandante da Marinha brit\u00e2nica Gavin Menzies (O ano que a China descobriu o mundo, Editora Bertrand) revelou que os chineses, liderados pelo grande navegador eunuco mu\u00e7ulmano Zheng He, haviam navegado da \u00c1frica at\u00e9 a foz do Rio Orenoco, na atual Venezuela. Depois, desceram a costa do continente at\u00e9 o Estreito de Magalh\u00e3es, ao sul da Am\u00e9rica do Sul, ainda no ano de 1421. Ou seja, 71 anos antes de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo. A expans\u00e3o chinesa foi contida pela decad\u00eancia da dinastia Ming, sob crescente amea\u00e7a do l\u00edder mongol Alt\u00e3 C\u00e3 (1507-1582), que invadiu a China e dominou grande parte do territ\u00f3rio, at\u00e9 os arredores de Pequim.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 grande densidade demogr\u00e1fica, resolver o problema alimentar, principalmente a escassez de prote\u00edna animal, sempre foi a chave da estabilidade dos governos chineses. Foi a necessidade chinesa de importa\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal que fez o Brasil se tornar o segundo produtor mundial de carnes, com 11,9 milh\u00f5es de toneladas (19,5% da produ\u00e7\u00e3o mundial). O primeiro s\u00e3o os Estados Unidos (12,3 milh\u00f5es, 20%) e o terceiro, a pr\u00f3pria China (7,8 milh\u00f5es\/ 12,7%), hoje o nosso maior parceiro comercial.<\/p>\n<p><strong>Sem bala de prata<\/strong><\/p>\n<p>Ao analisar as causas da atual infla\u00e7\u00e3o de alimentos (in natura, semiprocessados e industrializados), constata-se que os produtos exportados (commodities) s\u00e3o os que sofrem maior influ\u00eancia do c\u00e2mbio. Como o real desvalorizou-se 27% em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar no ano passado, era inevit\u00e1vel seu impacto no pre\u00e7o dos alimentos. Esse \u00e9 o tamanho do problema, ainda que o d\u00f3lar tenha baixado a menos de R$ 6 desde a posse de Donald Trump.<\/p>\n<p>O IPCA-15, pr\u00e9via da infla\u00e7\u00e3o oficial, foi de 0,11% em janeiro, acima da expectativa de queda. S\u00f3 a alimenta\u00e7\u00e3o em casa subiu 1,10% em janeiro. O caf\u00e9, por exemplo, subiu 7% em apenas um m\u00eas. O tomate, por sua vez, ficou 17% mais caro no mesmo per\u00edodo. Alguns alimentos tiveram queda, como \u00e9 o caso da batata-inglesa (-14,16%) e do leite longa vida (-2,81%). Mas o ciclo da carne n\u00e3o ter\u00e1 al\u00edvio: nas proje\u00e7\u00f5es do IPCA, deve ter alta de 16,8%, em 2025, depois de encarecer 20,8%, em 2024.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 m\u00e1gica para segurar a infla\u00e7\u00e3o de alimentos, muito influenciada pelo c\u00e2mbio. Como se sabe, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real est\u00e1 associada ao deficit fiscal, \u00e0 alta taxa de juros e ao crescimento da d\u00edvida p\u00fablica. Sofre com um ciclo vicioso que abala a credibilidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica. Quando o ministro da Casa Civil, Rui Costa, na quarta-feira, disse que conversaria com ministros &#8220;para buscar um conjunto de interven\u00e7\u00f5es que sinalizem para o barateamento dos alimentos&#8221;, ampliou as desconfian\u00e7as de que o governo optar\u00e1 por solu\u00e7\u00f5es populistas de curto prazo para conter a infla\u00e7\u00e3o, acelerando esse ciclo.<\/p>\n<p><em>Leia mais:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2025\/01\/7044100-dolar-alto-amplia-desigualdade-e-impacta-no-dia-a-dia-dos-brasileiros.html\"><strong>D\u00f3lar alto amplia desigualdade e impacta no dia a dia dos brasileiros<\/strong><\/a><\/p>\n<p>De acordo com pesquisa Quaest, 78% dos brasileiros consideraram ter havido aumento no pre\u00e7o dos alimentos e 65% nas contas de \u00e1gua e luz, patamares mais altos desde o in\u00edcio do mandato de Lula. O pre\u00e7o dos alimentos tem din\u00e2mica pr\u00f3pria, influenciado por oferta e demanda, clima, safra, cota\u00e7\u00f5es internacionais. N\u00e3o existe bala de prata para derrub\u00e1-lo. Inexiste sa\u00edda sustent\u00e1vel fora do arcabou\u00e7o fiscal.<\/p>\n<p>Quem mais resiste ao corte de gastos na Esplanada, por\u00e9m, \u00e9 o Pal\u00e1cio do Planalto. Melhor dizendo, o pr\u00f3prio Lula, o pai da picanha para os pobres.<\/p>\n<p><strong>Nas entrelinhas<\/strong><em>: todas as colunas no<\/em> <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/azedo\/\"><strong>Blog do Azedo<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o dos alimentos tem din\u00e2mica pr\u00f3pria, influenciado por oferta e demanda, clima, safra, cota\u00e7\u00f5es internacionais. N\u00e3o existe bala de prata para derrub\u00e1-lo Na publicidade, o marketing reverso \u00e9 uma invers\u00e3o de perspectivas. 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