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Os bastidores da política e notícias exclusivas de Brasília

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Câmara aprova instituto para administrar hospital e seis UPAs; texto vai à sanção

CLDF aprova instituto
Helena Mader CLDF aprova instituto

Ana Viriato

Alexandre de Paula

Helena Mader

 

Após uma sessão de mais de sete horas, os distritais aprovaram, em dois turnos, por 14 votos a 8, o projeto de lei que expande o modelo de gestão do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF). Com o sinal verde da Casa, a entidade passará a se chamar Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do DF (IGESDF) e ficará responsável pela administração do Hospital Regional de Santa Maria e das seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital, além do Base. O texto vai à sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB).

 

A matéria aprovada no auditório da Câmara Legislativa, nesta quinta-feira (24/01), é diferente da versão enviada pelo Executivo local. O texto original previa a extensão do modelo, ainda, para o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) e o Hospital Regional de Taguatinga (HRT). A alteração foi viabilizada pela base, em acordo com o Palácio do Buriti.

 

Outra mudança realizada pelos parlamentares prevê que o diretor-presidente, indicado pelo Conselho de Administração da entidade, seja sabatinado pela Câmara Legislativa para assumir o posto – inclusive em casos de recondução ao cargo. Para ampliar a transparência, os deputados determinaram que o relatório e o plano de trabalho constem nos sites da entidade e da Secretaria de Saúde, bem como o relatório mensal das atividades, com receitas, despesas, contratos, termos aditivos e documentos fiscais.

 

No segundo turno, os distritais acataram emenda que determina que o servidor estatutário cedido para o Instituto pela Secretaria de Saúde não sofra alterações na carga de trabalho.

 

Investidas

 

Entre diversas investidas, a oposição tentou adiar a análise da proposta. Fábio Félix (PSol) apresentou à Justiça um mandado de segurança com pedido liminar para que o projeto fosse retirado de pauta – a requisição acabou indeferida. O parlamentar do PSol ainda apresentou um requerimento ao presidente da Câmara Legislativa, Rafael Prudente (MDB), com o mesmo intuito. Nos discursos, a constante era a mesma.

 

Vinte e dois dos 24 distritais estavam presentes no auditório da Casa, onde ocorreu a deliberação – Agaciel Maia (PR) e Rodrigo Delmasso (PRB) não compareceram, pois estão em viagem. O vice-governador Paco Britto (Avante) compareceu, nesta tarde, à Câmara Legislativa para realizar as últimas costuras políticas.  

 

A sessão foi realizada a pedido do GDF, que entende que a aprovação do PL precisava de urgência. “A criação do Instituto Hospital de Base conferiu autonomia e flexibilidade mais adequadas às demandas e aos anseios da sociedade, mediante manutenção integral do atendimento exclusivo e gratuito aos usuários do SUS”, ressalta o pedido de ampliação enviado à Câmara.

 

A organização será renomeada Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do DF.  A entidade funciona de forma independente da Secretaria de Saúde e, dado ao orçamento próprio, terá autonomia. Com a natureza jurídica de serviço social autônomo, em vigor desde janeiro de 2018, a entidade permanece com a possibilidade de realizar compras de insumos sem licitação, contratar prestadores de serviços da iniciativa privada e admitir profissionais pelo regime celetista.

 

Polêmica

 

Antes da avaliação da proposta, os distritais tiveram três minutos para se pronunciar. Apenas parlamentares contrários à proposta quiseram se manifestar nessa primeira oportunidade. Na tribuna, deputados como Fábio Félix (PSol) e Reginaldo Veras (PDT) utilizaram citações do próprio governador Ibaneis Rocha (MDB), durante a campanha, criticando o modelo de gestão do IHB.

 

Parlamentares de oposição, como os petistas Chico Vigilante e Arlete Sampaio, fizeram críticas duras à proposta. “Esse projeto foi construído sob a base da ideologia do mercado. Saúde não é mercadoria e não rima com lucro.”Mesmo fazendo parte da base do governo, João Cardoso (Avante) e Jorge Vianna (Podemos) se colocaram contra a proposta.

 

Presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura (Cesc), Vianna, inclusive, apresentou relatório com posicionamento desfavorável ao PL apresentado pelo Executivo no colegiado. “O modelo não foi debatido com profissionais da saúde, conselho de saúde, organizações sociais e sindicatos. A proposta não está alinhada à igualdade de oportunidade promovida pelo concurso público. Além disso, o formato apresenta insegurança jurídica, capaz de de prejudicar os servidores estatutários, empregados, fornecedores e gestores”, argumentou. O parecer acabou rejeitado por 14 x 8.  

 

A proposta ainda passou pelo crivo das Comissões de Assuntos Sociais (CAS), de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof) e de Constituição e Justiça (CCJ).

 

Ao defender as posições, deputados da base explicaram o voto a favor do projeto. Líder do governo na Câmara, Cláudio Abrantes (PDT) afirmou que a proposta do Executivo foi aprimorada pelas sugestões dos parlamentares. “Nós tiramos a extinção de cargos, a redução do poder da secretaria, melhoramos esse projeto”, afirmou.

 

 

Veja como votaram os distritais:

 

Agaciel Maia (PR) – ausente

Arlete Sampaio (PT) – Não

Chico Vigilante (PT) – Não

Cláudio Abrantes (PDT) – Sim

Daniel Donizet (PRP) – Sim

Delmasso (PRB) – Ausente

Eduardo Pedrosa (PTC) – SIm

Fábio Félix (PSol) – Não

Hermeto (PHS) – Sim

Iolando (PSC) – Sim

Jaqueline Silva (PTB) – Sim

João Cardoso (Avante) – Não

Jorge Vianna (Podemos) – Não

José Gomes (PSB) – Sim

Julia Lucy (Novo) – Não

Leandro Grass (Rede) – Não

Martins Machado (PRB) – Sim

Reginaldo Veras (PDT) – Não

Reginaldo Sardinha (Avante) – Sim

Robério Negreiros (PSD) – Sim

Roosevelt VIlela (PSB) – Sim

Telma Rufino (Pros) – SIm

Valdelino Barcelos (PP) – Sim

Rafael Prudente (MDB) – Sim