{"id":10926,"date":"2018-03-28T02:22:05","date_gmt":"2018-03-28T05:22:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=10926"},"modified":"2018-03-28T07:34:59","modified_gmt":"2018-03-28T10:34:59","slug":"ministerio-publico-pede-condenacao-de-ortiz-por-diversas-fraudes-em-concursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/ministerio-publico-pede-condenacao-de-ortiz-por-diversas-fraudes-em-concursos\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio P\u00fablico pede condena\u00e7\u00e3o de Ortiz por diversas fraudes em concursos"},"content":{"rendered":"<p>ANA VIRIATO<\/p>\n<p>O processo contra os l\u00edderes da M\u00e1fia dos Concursos est\u00e1 prestes a ficar pronto para julgamento. O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal e Territ\u00f3rios (MPDFT) apresentou as alega\u00e7\u00f5es finais na a\u00e7\u00e3o por organiza\u00e7\u00e3o criminosa, fraude em certame de interesse p\u00fablico e falsifica\u00e7\u00e3o de documento p\u00fablico contra H\u00e9lio e Bruno Ortiz, Rafael Rodrigues e Johann Gutemberg \u2014 este \u00faltimo confirmou a exist\u00eancia do esquema. No documento, o \u00f3rg\u00e3o pede a condena\u00e7\u00e3o dos quatro, al\u00e9m do pagamento de multa no valor de R$ 5.484.868,20.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As alega\u00e7\u00f5es do MPDFT destacam o depoimento de Johann ao juiz da Vara Criminal e Tribunal do J\u00fari de \u00c1guas Claras como evid\u00eancia dos crimes. O processo est\u00e1 sob a responsabilidade da promotora de Justi\u00e7a Fernanda Molyna. Em ju\u00edzo, Johann alegou que intermediou o encontro entre uma mulher e Helio Ortiz, respons\u00e1vel por explicar os detalhes do esquema. Na conversa, ficou acertado que, por uma vaga no Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), a mo\u00e7a pagaria uma entrada de R$ 100 mil e, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, repassaria o valor equivalente a 20 vezes a remunera\u00e7\u00e3o do cargo disputado. No caso de \u00eaxito da fraude, Johann ficaria com R$ 50 mil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o MPDFT, um rapaz identificado como \u201cAndr\u00e9\u201d, investigado em outra opera\u00e7\u00e3o policial, \u201catravessou os neg\u00f3cios\u201d, e recebeu o montante inicial, por interm\u00e9dio de Johann. A mo\u00e7a, contudo, n\u00e3o obteve sucesso no concurso, nem a devolu\u00e7\u00e3o do dinheiro, apesar de recorrentes cobran\u00e7as. Em um dos di\u00e1logos interceptados com autoriza\u00e7\u00e3o judicial, H\u00e9lio afirma a Johann que, se tivesse embolsado o valor, n\u00e3o haveria problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outro epis\u00f3dio, Johann conduziu o namorado dela a Weverson Vin\u00edcius, bra\u00e7o-direito do ex-funcion\u00e1rio do Cebraspe Ricardo Silva do Nascimento, que, supostamente, retirava da sala cofre as folhas de respostas dos candidatos benefici\u00e1rios da fraude, para posterior preenchimento. Esses dois foram alvos da segunda fase da Opera\u00e7\u00e3o Panoptes e est\u00e3o presos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo depoimento de Johann, o rapaz ficou hesitante devido \u00e0 reprova\u00e7\u00e3o da companheira e preferiu negociar com outra pessoa. Pela fraude, pagou R$ 100 mil, mas n\u00e3o obteve aprova\u00e7\u00e3o no certame. N\u00e3o h\u00e1 mais detalhes sobre o caso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m destas intermedia\u00e7\u00f5es, o r\u00e9u confessou a falsifica\u00e7\u00e3o de um certificado de especializa\u00e7\u00e3o em UTI a uma enfermeira aprovada no concurso do Hospital Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia (HUB) pelo valor de R$ 5 mil e recebeu mais R$ 1 mil de gratifica\u00e7\u00e3o. Noutro caso, fraudou a certifica\u00e7\u00e3o em direito penal de uma delegada de Pol\u00edcia, esposa do operador identificado como \u201cAndr\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com base nas alega\u00e7\u00f5es, o MPDFT pediu a condena\u00e7\u00e3o de Johann pelos crimes de organiza\u00e7\u00e3o criminosa e falsifica\u00e7\u00e3o de documento p\u00fablico, mas o absolveu da fraude em certame de interesse p\u00fablico, \u201cuma vez que suas condutas se limitaram \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o de vagas e recebimento de valores\u201d. Os demais r\u00e9us, contudo, responder\u00e3o pelos tr\u00eas crimes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O papel de cada um<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo as investiga\u00e7\u00f5es da Deco, Helio e Bruno Ortiz comandavam a associa\u00e7\u00e3o criminosa, escolhendo os aliciadores e os \u201cpilotos\u201d \u2014 especialistas que realizavam as provas e repassavam os gabaritos a concurseiros. Pai e filho tamb\u00e9m criavam os m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o, compravam os equipamentos necess\u00e1rios \u00e0s fraudes, realizavam os pagamentos aos integrantes da m\u00e1fia, al\u00e9m de aliciarem estudantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rafael Rodrigues, por sua vez, era bra\u00e7o direito de Bruno Ortiz, e contribu\u00eda com a coopta\u00e7\u00e3o de concurseiros. Para aderir ao esquema, os concorrentes tinham de desembolsar uma entrada, cujo valor variava entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, a depender do cargo desejado. Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o, o candidato pagava o valor equivalente a 20 vezes a remunera\u00e7\u00e3o inicial prevista no edital.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Segunda fase<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O processo contra os oito r\u00e9us investigados na segunda fase da Panoptes ainda est\u00e1 na fase de entrega de peti\u00e7\u00f5es de defesa. Al\u00e9m do ex-funcion\u00e1rio do Cebraspe Ricardo Silva, respondem \u00e0 a\u00e7\u00e3o por crimes de organiza\u00e7\u00e3o criminosa e fraude em certames de interesse p\u00fablico Alda Maria Gomes, Milson Iran da Silva, Edney de Oliveira Santos, Andr\u00e9 Luis dos Santos Pereira e Natal Jos\u00e9 da Lima, que, segundo as investiga\u00e7\u00f5es, atuavam como aliciadores; Weverson Vinicius da Silva, suspeito de trabalhar como \u201cbra\u00e7o-direito\u201d de Ricardo Silva; e Ant\u00f4nio Alves Filho, apontado como um dos l\u00edderes da associa\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na peti\u00e7\u00e3o inicial, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do DF e Territ\u00f3rios (MPDFT) pede a condena\u00e7\u00e3o dos denunciados ao pagamento de R$ 2,7 milh\u00f5es pelos preju\u00edzos decorrentes dos crimes praticados: les\u00f5es \u00e0 f\u00e9 p\u00fablica e \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e ainda \u00e0 confiabilidade das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pelos certames, bem como a perda de bens il\u00edcitos eventualmente apreendidos, em favor da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das testemunhas ouvidas na instru\u00e7\u00e3o processual afirmou que Natal Jos\u00e9 de Lima a apresentou a H\u00e9lio Ortiz ap\u00f3s ela mostrar interesse na aprova\u00e7\u00e3o em um concurso p\u00fablico. Para garantir o sucesso da fraude, Natal teria dito que \u201cj\u00e1 havia acertado uma vaga no concurso da C\u00e2mara Legislativa e recebeu instru\u00e7\u00f5es de H\u00e9lio sobre como proceder, com indica\u00e7\u00e3o para deixar quest\u00f5es da prova em aberto, pois haveria o preenchimento posterior\u201d. O relato tamb\u00e9m consta nas alega\u00e7\u00f5es finais do MPDFT.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANA VIRIATO O processo contra os l\u00edderes da M\u00e1fia dos Concursos est\u00e1 prestes a ficar pronto para julgamento. 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