{"id":11623,"date":"2018-07-04T05:49:50","date_gmt":"2018-07-04T08:49:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=11623"},"modified":"2018-07-03T18:55:54","modified_gmt":"2018-07-03T21:55:54","slug":"mp-questiona-regularizacao-do-condominio-estancia-quintas-da-alvorada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/mp-questiona-regularizacao-do-condominio-estancia-quintas-da-alvorada\/","title":{"rendered":"MP questiona a regulariza\u00e7\u00e3o\u00a0do Condom\u00ednio Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada"},"content":{"rendered":"<p><em>Promotores de Defesa da Ordem Urban\u00edstica se op\u00f5em \u00e0 assinatura de um termo de coopera\u00e7\u00e3o, firmado pelo GDF com moradores da \u00e1rea. Para o MP, a \u00e1rea n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de legaliza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que nem sequer consta do Pdot<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>HELENA MADER<br \/>\nO in\u00edcio da regulariza\u00e7\u00e3o do Condom\u00ednio Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada, no Lago Sul, celebrada pelos moradores em junho, \u00e9 alvo de questionamentos do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal. No m\u00eas passado, o governo assinou um termo de coopera\u00e7\u00e3o com a comunidade, para come\u00e7ar a legalizar o parcelamento. Mas o MP amea\u00e7a entrar com a\u00e7\u00e3o de improbidade contra os respons\u00e1veis pelo acordo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Promotoria de Defesa da Ordem Urban\u00edstica argumenta que o condom\u00ednio n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de regulariza\u00e7\u00e3o e nem sequer consta do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot) \u2013 principal instrumento de disciplinamento do uso do solo. Moradores do local negociam para tentar viabilizar a regulariza\u00e7\u00e3o dos lotes, \u00e0 exemplo do que ocorreu em parcelamentos vizinhos. O governo argumenta que o processo de concess\u00e3o de escrituras n\u00e3o ser\u00e1 feito nos moldes da regulariza\u00e7\u00e3o tradicional, por conta das restri\u00e7\u00f5es impostas pelo Pdot, e defende o termo de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada foi um dos maiores alvos de grilagem na capital federal na \u00faltima d\u00e9cada. Localizada em \u00e1rea nobre, ao lado da QI 27 do Lago Sul, a terra p\u00fablica \u00e9 de propriedade da Ag\u00eancia de Desenvolvimento de Bras\u00edlia (Terracap). O governo tentou coibir o crescimento da invas\u00e3o, mas as opera\u00e7\u00f5es de derrubada n\u00e3o foram suficientes para acabar com a a\u00e7\u00e3o dos grileiros. Em 2016, a Justi\u00e7a determinou que o GDF n\u00e3o realizasse mais opera\u00e7\u00f5es e demoli\u00e7\u00f5es no local. O TJDFT proibiu ainda que houvesse novas constru\u00e7\u00f5es no parcelamento. O Poder Executivo n\u00e3o fez mais derrubadas desde ent\u00e3o, mas a comunidade n\u00e3o cumpriu sua parte no acordo. Com isso, o n\u00famero de casas constru\u00eddas cresceu rapidamente, sem nenhum controle.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir de um acordo extrajudicial, o governo firmou um termo de coopera\u00e7\u00e3o com moradores do Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada. O documento foi assinado durante uma cerim\u00f4nia realizada em 17 de junho, que contou at\u00e9 com a presen\u00e7a do governador Rodrigo Rollemberg. O termo detalhou como seria realizada a legaliza\u00e7\u00e3o dos terrenos do local. O parcelamento tem 1.963 lotes, dos quais cerca de 1 mil est\u00e3o ocupados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o acerto realizado entre o GDF e os moradores do Est\u00e2ncias, caber\u00e1 \u00e0 comunidade contratar e realizar estudos ambientais e urban\u00edsticos, para a libera\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as. O valor gasto com esses estudos ser\u00e1 abatido no momento da compra do im\u00f3vel. A Terracap, al\u00e9m de supervisionar o processo, vai fiscalizar o condom\u00ednio, para evitar novas constru\u00e7\u00f5es, e fazer a infraestrutura. Segundo o governo, s\u00f3 poder\u00e3o ser legalizadas casas constru\u00eddas antes de agosto de 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O termo de coopera\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o prev\u00ea a venda direta dos lotes aos ocupantes, como realizado em outros condom\u00ednios em \u00e1reas p\u00fablicas do Distrito Federal. No caso do Est\u00e2ncias Quintas da Alvorada, de acordo com o governo, a legaliza\u00e7\u00e3o teria que ser feita por meio de licita\u00e7\u00e3o com direito de prefer\u00eancia, porque o condom\u00ednio n\u00e3o est\u00e1 inserida no Plano Diretor de Ordenamento Territorial como \u00e1rea de regulariza\u00e7\u00e3o, mas, como terra para parcelamento futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Restri\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A promotora de Defesa da Ordem Urban\u00edstica Neurimar Patr\u00edcia de Almeida explica que o Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada n\u00e3o pode ser regularizado porque o parcelamento n\u00e3o consta do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot). \u201c\u00c9 um absurdo o governo fazer acordo com um condom\u00ednio que desrespeitou reiteradamente v\u00e1rias decis\u00f5es judiciais\u201d, comenta a promotora. \u201cA Prourb se insurge contra os termos desse acordo. Se fosse para negociar, deveria haver compensa\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas por parte do governo e do condom\u00ednio, em vez de simplesmente ignorar as decis\u00f5es judiciais que foram descumpridas ao longo do tempo\u201d, acrescenta Neurimar.<br \/>\nA promotora n\u00e3o descarta entrar com uma a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa contra os respons\u00e1veis pelo acordo com o Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada. Inicialmente, o MP avalia a possibilidade de ajuizar uma a\u00e7\u00e3o de cumprimento de senten\u00e7a, para que seja executada a decis\u00e3o que determinou a desconstitui\u00e7\u00e3o do parcelamento. Houve apela\u00e7\u00f5es contra essa senten\u00e7a, mas nenhum recurso foi admitido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A representante da Promotoria de Ordem Urban\u00edstica explica ainda que, em abril, foi cassada pela 5\u00aa Turma C\u00edvel a decis\u00e3o que homologava o acordo para regulariza\u00e7\u00e3o. Para Neurismar, a assinatura de um termo de coopera\u00e7\u00e3o entre o GDF e os moradores do Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada \u00e9 equivocada. \u201cO documento assinado faz refer\u00eancia ao acordo j\u00e1 cassado pela Justi\u00e7a e induz a uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada sobre a regulariza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente da Terracap, J\u00falio C\u00e9sar Reis, defende o termo de coopera\u00e7\u00e3o e afirma que o documento foi firmado a partir de um acordo extrajudicial que contou com a participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico. \u201cPor meio da procuradoria que atua na segunda inst\u00e2ncia, o MP participou da celebra\u00e7\u00e3o do acordo, que contou ainda com o aval do Ibram, da Agefis e da Segeth\u201d, explica Reis.<br \/>\nSegundo ele, o governo n\u00e3o pretende regularizar o Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada nos moldes da venda direta, como tem sido feito em outros parcelamentos vizinhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata de um processo de regulariza\u00e7\u00e3o, mas da cria\u00e7\u00e3o de um novo parcelamento, com base na Lei 6.766\/79, que vai contemplar as unidades ocupadas. Elas passar\u00e3o por licita\u00e7\u00e3o com direito de prefer\u00eancia\u201d, justifica o presidente da Terracap. De acordo com J\u00falio C\u00e9sar Reis, como o Est\u00e2ncia Quintas da Alvorada n\u00e3o consta do Plano Diretor de Ordenamento Territorial, ele n\u00e3o pode ser regularizado com base nas diretrizes da Lei 13.465\/17. A legisla\u00e7\u00e3o, editada a partir da Medida Provis\u00f3ria da Regulariza\u00e7\u00e3o, flexibilizou os procedimentos para a venda direta de lotes ocupados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promotores de Defesa da Ordem Urban\u00edstica se op\u00f5em \u00e0 assinatura de um termo de coopera\u00e7\u00e3o, firmado pelo GDF com moradores da \u00e1rea. 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