{"id":24543,"date":"2023-12-01T10:35:26","date_gmt":"2023-12-01T13:35:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=24543"},"modified":"2023-12-01T10:35:26","modified_gmt":"2023-12-01T13:35:26","slug":"deu-me-a-sensacao-de-dever-cumprido-conta-reco-do-bandolim-sobre-paul-mccartney-no-clube-do-choro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/deu-me-a-sensacao-de-dever-cumprido-conta-reco-do-bandolim-sobre-paul-mccartney-no-clube-do-choro\/","title":{"rendered":"&#8220;Deu-me a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido&#8221;, conta Reco do Bandolim sobre Paul McCartney no Clube do Choro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Ana Dubeux &#8211;<\/strong> \u00c0 queima-roupa &#8211;\u00a0Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro de Bras\u00edlia<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea, alguma vez na vida, pensou em receber sir Paul McCartney no Clube do Choro? Como foi esse momento m\u00e1gico?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, de fato, jamais imaginei receber Paul McCartney no Clube do Choro. \u00c9 um momento m\u00e1gico, como voc\u00ea colocou. H\u00e1 cerca de uma semana, a produ\u00e7\u00e3o dele entrou em contato conosco e nos contou uma hist\u00f3ria que \u00e9 a seguinte: Paul e John Lennon, juntos, estudaram em uma escola de m\u00fasica em Liverpool e, depois de muito tempo, j\u00e1 famosos com os Beatles, viram que a escola havia entrado em fal\u00eancia. Paul recuperou a escola, e ela est\u00e1 em pleno funcionamento, com mais de quatro mil estudantes. E, de alguma maneira, ele entrou em contato com a nossa hist\u00f3ria, a hist\u00f3ria da escola Raphael Rabello, a primeira escola brasileira de choro. Ficou encantado, viu a qualidade da programa\u00e7\u00e3o da Escola do Choro, viu o projeto de Oscar Niemeyer. Tanto que tentei contar a hist\u00f3ria do projeto de Niemeyer para o produtor e ele respondeu: &#8220;N\u00e3o precisa, o Paul j\u00e1 conhece essa hist\u00f3ria&#8221;. Nem precisei falar nada. Ciente da hist\u00f3ria, Paul, por decis\u00e3o dele, gostaria de tocar no Clube do Choro. Se eu aceitava? Imagina se aceitaria (risos). Foi uma alegria enorme. Reservaram 30 ingressos para os alunos da nossa escola.<\/p>\n<p><strong>Quais foram as condi\u00e7\u00f5es que eles impuseram?<\/strong><\/p>\n<p>Eles colocaram duas condi\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 sigilo absoluto, por motivos \u00f3bvios. Um show de Paul McCartney atrai multid\u00f5es em est\u00e1dios. O Clube do Choro re\u00fane, no m\u00e1ximo, 400 pessoas. Seria motivo de confus\u00e3o. A segunda \u00e9 que ficaria ao encargo deles toda a gest\u00e3o do show, o que aceitei tamb\u00e9m. Ele trabalha com uma equipe extraordin\u00e1ria, com tudo fluindo. Dois dias antes do show, come\u00e7aram a chegar quatro carretas enormes com equipamentos. No dia do show, eles me destinaram 10 ingressos. Eu disse que seriam insuficientes para a dire\u00e7\u00e3o do Clube, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel conseguir mais. Eles informaram que o Clube j\u00e1 estava lotado.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 exagerado dizer que esse show muda a hist\u00f3ria do Clube do Choro?<\/strong><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que foi um show inesquec\u00edvel, um neg\u00f3cio deslumbrante. Vi muita gente chorando, numa vibra\u00e7\u00e3o incr\u00edvel. O Paul \u00e9 um homem de mais de 81 anos de idade, mas tocou guitarra, contrabaixo e piano, cantando todas as m\u00fasicas, que exigem muita energia. \u00c9 rock. Quando cantou <em>Ob-La-Di, Ob-La-Da,<\/em> foi a senha para o encerramento. Ele disse &#8220;obrigado&#8221; em portugu\u00eas. \u00c9 muito simp\u00e1tico. Foi para a coxia, o p\u00fablico pediu mais, voltou, deu o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto biz. \u00c9 um neg\u00f3cio inacredit\u00e1vel a energia, a disposi\u00e7\u00e3o e a alegria de Paul. Eu sempre sou muito grato aos m\u00fasicos brasileiros que tornaram aquele um palco sagrado. Mas considero que agora existe um marco, antes e depois de Paul. Ele deu uma dimens\u00e3o internacional ao Clube do Choro. Tenho recebido contatos de gente da Noruega, da Dinamarca, da Alemanha. Tenho a consci\u00eancia de que haver\u00e1 uma mudan\u00e7a substantiva a partir desse momento. Acho que os m\u00fasicos estrangeiros que vierem ao Brasil v\u00e3o querer se apresentar no Clube do Choro. J\u00e1 est\u00e3o comparando o Clube do Choro ao Cavern Club, onde os Beatles tocavam.<\/p>\n<p><strong>Como nasceu a ideia do arranjo de<em> Yesterday<\/em>, dos Beatles, e <em>Carinhoso<\/em>, de Pixinguinha?<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do <em>Carinhoso<\/em> com <em>Yesterday<\/em> nasceu do Henrique Neto, meu filho, violonista e diretor da Escola de Choro. Ele disse: &#8220;Pai, pod\u00edamos juntar as m\u00e3os de Pixinguinha com os Beatles. O que voc\u00ea acha?&#8221; Come\u00e7amos a ver que <em>Carinhoso<\/em> est\u00e1 na mesma tonalidade de<em> Yesterday.<\/em> Come\u00e7amos a fazer um arranjo, mas, infelizmente, ficou muito em cima do show. Estou convencido de que ficou interessant\u00edssimo. Mas vamos gravar e mandar para o Paul. Tenho certeza de que dar\u00e1 um resultado importante.<\/p>\n<p><strong>Rock e chorinho s\u00e3o g\u00eaneros, aparentemente, de planetas distintos. O que o show de Paul na casa do choro tem a nos ensinar sobre a riqueza das diferen\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>As diferen\u00e7as representam riquezas, essas riquezas que podem e devem ser um fator de aproxima\u00e7\u00e3o entre as pessoas, venham de onde vieram, pensem como pensarem. Paul veio de Liverpool, do rock, na casa do choro, na casa de Pixinguinha. S\u00e3o diferen\u00e7as que acabam se transformando em grandes riquezas para todos. \u00c9 um reconhecimento cada vez mais importante nos dias de hoje.<\/p>\n<p><strong>A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a coroa\u00e7\u00e3o de todos esses anos de luta para manter um dos espa\u00e7os mais ic\u00f4nicos de Bras\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p>O que senti durante o show foi que n\u00e3o \u00e9 sem motivo que esse grande astro internacional est\u00e1 pisando nesse palco. Senti que valeram a pena esses 30 anos de trabalho no Clube do Choro. O fato de ter criado a primeira escola de choro no Brasil sensibilizou um estrangeiro, a presen\u00e7a do Paul e da sua banda, um Beatle em nossa casa, ter\u00e1 uma import\u00e2ncia muito grande para o destino do Clube do Choro, os projetos, os patroc\u00ednios. Tenho agora a presen\u00e7a de um monstro sagrado da m\u00fasica, extraordin\u00e1rio compositor, arranjador, instrumentista. Um homem que fez uma hist\u00f3ria bel\u00edssima no mundo inteiro, embalou o cora\u00e7\u00e3o de uma juventude, na qual me incluo. Deu-me a sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ana Dubeux &#8211; \u00c0 queima-roupa &#8211;\u00a0Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro de Bras\u00edlia Voc\u00ea, alguma vez na vida, pensou em receber sir Paul McCartney no Clube do Choro? Como foi esse momento m\u00e1gico? Olha, de fato, jamais imaginei receber Paul McCartney no Clube do Choro. \u00c9 um momento m\u00e1gico, como voc\u00ea colocou. 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