{"id":27103,"date":"2025-08-17T15:02:57","date_gmt":"2025-08-17T18:02:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=27103"},"modified":"2025-08-18T17:23:43","modified_gmt":"2025-08-18T20:23:43","slug":"homens-ainda-sao-socializados-em-modelo-que-associa-controle-aos-relacionamentos-diz-advogado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/homens-ainda-sao-socializados-em-modelo-que-associa-controle-aos-relacionamentos-diz-advogado\/","title":{"rendered":"\u201cHomens ainda s\u00e3o socializados em modelo que associa controle aos relacionamentos&#8221;, diz advogado Fernando Felix"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00c0 queima roupa publicada no domingo, dia 17 de agosto de 2025, por Ana Maria Campos<\/strong>\u00a0\u2014 Entrevista com Fernando Felix, advogado especialista em direito de fam\u00edlia e sucess\u00f5es, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Fam\u00edlia (IBDFAM)<\/p>\n<p><strong>Por que os casos de feminic\u00eddio t\u00eam aumentado no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><em>O aumento dos casos est\u00e1 relacionado a fatores culturais profundos e n\u00e3o \u00e0 aus\u00eancia de leis. Mesmo com o endurecimento das puni\u00e7\u00f5es, a viol\u00eancia persiste, o que evidencia que o problema \u00e9 mais complexo. Homens ainda s\u00e3o socializados em um modelo que associa controle e domina\u00e7\u00e3o aos relacionamentos. Mulheres, por outro lado, muitas vezes aprendem a relativizar o abuso e a romantizar rela\u00e7\u00f5es desequilibradas. \u00c9 a cultura da posse, da depend\u00eancia emocional e da aus\u00eancia de limites que alimenta a viol\u00eancia dom\u00e9stica. O direito interv\u00e9m depois, quando j\u00e1 falhamos na educa\u00e7\u00e3o emocional e na constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos saud\u00e1veis.<\/em><\/p>\n<p><strong>A campanha Agosto Lil\u00e1s contribui para o enfrentamento da viol\u00eancia contra a mulher?<\/strong><\/p>\n<p><em>A campanha tem um papel importante no aspecto educativo e simb\u00f3lico. Ajuda a dar nome a comportamentos abusivos que, historicamente, foram naturalizados dentro dos relacionamentos. Ao promover informa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, o Agosto Lil\u00e1s funciona como alerta e ferramenta de conscientiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma iniciativa que n\u00e3o resolve o problema sozinha, mas ajuda a formar uma nova cultura onde a mulher reconhece a viol\u00eancia desde os primeiros sinais, e onde o agressor tamb\u00e9m passa a entender que o afeto n\u00e3o se constr\u00f3i com controle ou imposi\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os diferentes tipos de viol\u00eancia abordados pela campanha Agosto Lil\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p><em>A campanha aborda as cinco formas de viol\u00eancia previstas na Lei Maria da Penha: f\u00edsica, que envolve agress\u00f5es corporais; psicol\u00f3gica, presente em insultos, humilha\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as e isolamento; sexual, que trata da imposi\u00e7\u00e3o de atos sem consentimento; moral, com cal\u00fanias, difama\u00e7\u00f5es e inj\u00farias; e patrimonial, que envolve destrui\u00e7\u00e3o, reten\u00e7\u00e3o ou controle de bens e recursos.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como funcionam as medidas protetivas concedidas \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica?<\/strong><\/p>\n<p><em>Medidas protetivas s\u00e3o ordens judiciais urgentes que buscam garantir o afastamento do agressor e proteger a integridade da v\u00edtima. Elas podem proibir o contato, exigir o afastamento do lar do agressor e at\u00e9 impedir que ele tenha contato com familiares da v\u00edtima. Esse impedimento de contato \u00e9 tanto f\u00edsico\u00a0quanto remoto, como liga\u00e7\u00e3o, redes sociais e WhatsApp. Funcionam como um freio inicial e, em muitos casos, especialmente nos de viol\u00eancia psicol\u00f3gica ou conflitos familiares em est\u00e1gio inicial, t\u00eam boa efic\u00e1cia. Contudo, \u00e9 importante dizer com honestidade: nos casos em que o agressor j\u00e1 est\u00e1 decidido a cometer um ato violento grave, a medida protetiva, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 suficiente para impedir. A realidade mostra que, quando a viol\u00eancia j\u00e1 evoluiu para o n\u00edvel f\u00edsico intenso ou amea\u00e7a de morte, medidas judiciais acabam sendo descumpridas com frequ\u00eancia, muitas vezes com tr\u00e1gicas consequ\u00eancias. A medida tem valor jur\u00eddico e simb\u00f3lico, mas sua efic\u00e1cia depende do est\u00e1gio da viol\u00eancia e da disposi\u00e7\u00e3o do agressor em respeitar a ordem. Por isso, a preven\u00e7\u00e3o continua sendo o principal caminho.<\/em><\/p>\n<p><strong>O que fazer para ajudar mulheres em situa\u00e7\u00e3o de risco?<\/strong><\/p>\n<p><em>O canal 180 \u00e9 uma via segura e acess\u00edvel para que a mulher possa pedir ajuda, receber orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e emocional e ser encaminhada a servi\u00e7os especializados. Funciona 24 horas por dia, de forma sigilosa e gratuita. Sua divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para ampliar o alcance da informa\u00e7\u00e3o, especialmente nos casos em que a v\u00edtima ainda n\u00e3o tem apoio da fam\u00edlia ou sente medo de procurar uma delegacia. Embora n\u00e3o resolva o problema sozinho, o 180 \u00e9 um importante ponto de partida para romper o sil\u00eancio.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como o conjunto da sociedade pode atuar na preven\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher?<\/strong><\/p>\n<p><em>A sociedade tem papel essencial e intransfer\u00edvel. Prevenir a viol\u00eancia come\u00e7a muito antes do ato agressivo, come\u00e7a na forma como criamos os meninos e educamos as meninas. Significa ensinar sobre respeito, limites, afetividade e responsabilidade emocional. Tamb\u00e9m passa por n\u00e3o silenciar diante de sinais, apoiar mulheres que buscam sair de relacionamentos abusivos e cobrar das institui\u00e7\u00f5es a\u00e7\u00f5es concretas. O combate \u00e0 viol\u00eancia n\u00e3o se faz s\u00f3 com o direito, mas com um pacto coletivo de mudan\u00e7a cultural.<\/em><\/p>\n<p><strong>A quem recorrer e quais s\u00e3o os primeiros passos que uma v\u00edtima pode tomar ao sofrer algum tipo de agress\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><em>A v\u00edtima pode procurar uma Delegacia da Mulher, acionar o canal 180 ou buscar apoio em centros de refer\u00eancia. O registro da ocorr\u00eancia e a solicita\u00e7\u00e3o de medida protetiva s\u00e3o os passos iniciais. Quando poss\u00edvel, \u00e9 importante reunir provas (mensagens, \u00e1udios, testemunhas). Mas, mesmo sem prova, a palavra da v\u00edtima tem valor jur\u00eddico. Al\u00e9m da via legal, o apoio psicol\u00f3gico e a constru\u00e7\u00e3o de uma rede segura de suporte s\u00e3o fundamentais para que a v\u00edtima consiga sair da situa\u00e7\u00e3o de forma estruturada e definitiva.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 queima roupa publicada no domingo, dia 17 de agosto de 2025, por Ana Maria Campos\u00a0\u2014 Entrevista com Fernando Felix, advogado especialista em direito de fam\u00edlia e sucess\u00f5es, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Fam\u00edlia (IBDFAM) Por que os casos de feminic\u00eddio t\u00eam aumentado no pa\u00eds? 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