{"id":27927,"date":"2025-12-28T01:14:27","date_gmt":"2025-12-28T04:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=27927"},"modified":"2025-12-28T01:15:11","modified_gmt":"2025-12-28T04:15:11","slug":"estamos-vendo-cada-vez-mais-casos-de-ataques-misoginos-contra-jornalistas-diz-presidente-do-instituto-palavra-aberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/estamos-vendo-cada-vez-mais-casos-de-ataques-misoginos-contra-jornalistas-diz-presidente-do-instituto-palavra-aberta\/","title":{"rendered":"&#8220;Estamos vendo cada vez mais casos de ataques mis\u00f3ginos contra jornalistas&#8221;, diz presidente do Instituto Palavra Aberta"},"content":{"rendered":"<p><strong>Texto por Ana Dubeux publicado neste domingo (28\/12) \u2014<\/strong> Os casos recentes de feminic\u00eddio e agress\u00f5es contra mulheres faz crescer a percep\u00e7\u00e3o de que a viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 epis\u00f3dica, mas parte de um problema estrutural. Para a presidente do Instituto Palavra Aberta, Patr\u00edcia Blanco, romper esse ciclo exige a\u00e7\u00f5es coordenadas que combinem educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a p\u00fablica, assist\u00eancia social, responsabiliza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade. O enfrentamento ao feminic\u00eddio tem que ser abra\u00e7ado por todos. Ao compreender melhor o ambiente midi\u00e1tico, passamos a entender que a ret\u00f3rica violenta e discriminat\u00f3ria pode come\u00e7ar de maneira localizada e aparentemente pontual e sem consequ\u00eancias, sob a forma de posts. Quando olhamos para mulheres que trabalham de forma exposta nas m\u00eddias, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 cr\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Qual o papel da escola na desconstru\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de viol\u00eancia de g\u00eanero?<\/strong><\/p>\n<p>Epis\u00f3dios de viol\u00eancia como os vistos recentemente exigem a\u00e7\u00f5es pontuais e imediatas. Mas n\u00e3o podemos perder a chance de discutir caminhos mais duradouros para uma cultura de paz, em que crian\u00e7as e jovens sejam preparados para uma postura mais saud\u00e1vel e respons\u00e1vel para atuar na sociedade de forma a compreender e respeitar a diversidade, pluralidade e igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia de g\u00eanero ou n\u00e3o \u2014 seja ela ret\u00f3rica (que aparece, por exemplo, em amea\u00e7as e boatos de atentados), seja f\u00edsica (com casos concretos de ataques) \u2014 s\u00f3 ser\u00e1 efetivamente enfrentada a partir de um conjunto amplo de iniciativas, envolvendo agentes p\u00fablicos, a sociedade de maneira geral e as escolas, em especial. A constru\u00e7\u00e3o de uma cultura de n\u00e3o viol\u00eancia come\u00e7a no ambiente familiar, mas precisa passar pela sala de aula, a partir da incorpora\u00e7\u00e3o de temas ligados ao universo midi\u00e1tico e quest\u00f5es socioemocionais ao curr\u00edculo.<\/p>\n<p><strong>De que forma a educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica ajuda a enxergar a viol\u00eancia de g\u00eanero como um problema estrutural, e n\u00e3o casos isolados?<\/strong><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica tem muito a contribuir nesse sentido. Quando aprendemos a analisar criticamente mensagens de m\u00eddia, passamos a ter uma atitude questionadora e n\u00e3o mais passiva em rela\u00e7\u00e3o a conte\u00fados que podem refor\u00e7ar vieses e preconceitos, principalmente contra mulheres. Al\u00e9m disso, ao compreender melhor o ambiente midi\u00e1tico, passamos a entender que a ret\u00f3rica violenta e discriminat\u00f3ria pode come\u00e7ar de maneira localizada e aparentemente pontual e sem consequ\u00eancias, sob a forma de posts, piadas e memes desrespeitosos, que acabam banalizando discursos violentos. O perigo desse tipo de comportamento ser\u00e1 maior quanto maior for o desconhecimento de como todos n\u00f3s temos responsabilidades ao criar, compartilhar ou simplesmente engajar em determinados conte\u00fados.<\/p>\n<p>Por isso, a escola precisa incluir em seu dia a dia novos letramentos que ajudem crian\u00e7as e adolescentes a entender fen\u00f4menos que amplificam ret\u00f3ricas de \u00f3dio contra grupos da sociedade, sejam de mulheres ou qualquer outro grupo.<\/p>\n<p><strong>A falta de letramento midi\u00e1tico refor\u00e7a o machismo estrutural? O ambiente digital refor\u00e7a esse padr\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza. A objetifica\u00e7\u00e3o e a desumaniza\u00e7\u00e3o de mulheres s\u00e3o pilares estruturantes da sociedade em que vivemos. Se praticamente toda mulher j\u00e1 foi assediada na rua, na escola, em casa ou no trabalho, por que isso seria diferente no ambiente on-line? Ao contr\u00e1rio: a dist\u00e2ncia e o anonimato d\u00e3o justamente mais liberdade para que homens ofendam e violentem, com textos, \u00e1udios e v\u00eddeos, mulheres conhecidas e desconhecidas. \u00c9 claro que h\u00e1 um problema cr\u00f4nico de combate a discursos com preconceito de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual nas plataformas digitais. Mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria a compreens\u00e3o de que esse \u00e9 um problema social que se reflete no ambiente digital e a falta de letramento midi\u00e1tico refor\u00e7a este comportamento.<\/p>\n<p><strong>O problema tamb\u00e9m ocorre com jornalistas?<\/strong><\/p>\n<p>Quando olhamos para mulheres que trabalham de forma exposta nas m\u00eddias, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 cr\u00edtica. Estamos vendo cada vez mais casos de ataques mis\u00f3ginos contra jornalistas mulheres nas redes sociais. S\u00f3 nestes \u00faltimos dias, tivemos not\u00edcias de duas profissionais v\u00edtimas dessa viol\u00eancia \u2014 Malu Gaspar (O Globo) e Renata Mendon\u00e7a (TV Globo), ambas simplesmente por exercerem o seu of\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>O enfrentamento ao feminic\u00eddio deveria ser tratado como pol\u00edtica de Estado, e n\u00e3o de governo?<\/strong><\/p>\n<p>Como pol\u00edtica de Estado, mas n\u00e3o s\u00f3. O enfrentamento ao feminic\u00eddio e a toda e qualquer viol\u00eancia contra a mulher tem que ser abra\u00e7ado por toda a sociedade. Somente a partir de pol\u00edticas p\u00fablicas que integrem a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o efetiva \u00e9 que conseguiremos avan\u00e7ar no combate a esta chaga que afeta a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel combater o feminic\u00eddio sem enfrentar o machismo estrutural?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que se n\u00e3o enfrentarmos esta quest\u00e3o de forma sist\u00eamica, s\u00f3 estaremos enxugando gelo. O problema da banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia \u00e9 uma quest\u00e3o mais ampla. Vivemos numa sociedade que infelizmente se acostumou com isso no dia a dia. Desde a ret\u00f3rica do \u201cem briga de marido e mulher n\u00e3o se bota a colher\u201d, at\u00e9 a culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima: \u201cvoc\u00ea viu a roupa que ela estava usando?\u201d. Ou seja, o problema \u00e9 muito mais profundo e est\u00e1 incorporado na nossa sociedade.<\/p>\n<p>Como as redes sociais influenciam a percep\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es abusivas? De diversas maneiras, entre elas, pela forma\u00e7\u00e3o de grupos que convergem e compactuam com este tipo de comportamento. S\u00e3o homens que enviam \u00e1udios, montam imagens e acessam e divulgam pornografia, degradando individual e coletivamente a imagem de mulheres. Coment\u00e1rios em grupos de WhatsApp nada mais s\u00e3o do que conversas machistas de bar levadas para o ambiente virtual, onde t\u00eam potencial quase infinito de alcance. Os autores s\u00e3o homens de carne e osso respons\u00e1veis por suas falas e posturas. A viol\u00eancia de g\u00eanero aparece no discurso: em memes machistas, xingamentos a jornalistas, nudes de conhecidas e desconhecidas vazados e compartilhados e em tantos outros formatos que \u00e9 imposs\u00edvel mensurar.<\/p>\n<p><strong>O que jornalistas e influenciadores precisam mudar ao tratar feminic\u00eddios?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que os jornalistas t\u00eam feito um bom trabalho ao expor os casos de forma bastante cr\u00edtica e dando a dimens\u00e3o necess\u00e1ria para comportamentos que n\u00e3o podem ser mais tolerados. O papel da imprensa \u00e9 justamente este: de dar luz aos acontecimentos, cobrar uma atua\u00e7\u00e3o consistente do poder p\u00fablico e chamar a aten\u00e7\u00e3o da sociedade, contribuindo para que a mudan\u00e7a cultural aconte\u00e7a. E os influenciadores digitais, detentores de grande massas de seguidores e diante do seu potencial de engajar essas milh\u00f5es de pessoas precisam entender o seu papel e responsabilidade na busca por uma sociedade mais segura para todos. Que o exemplo do Felca seja seguido e se torne praxe na pr\u00e1tica di\u00e1ria desses criadores de conte\u00fado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por Ana Dubeux publicado neste domingo (28\/12) \u2014 Os casos recentes de feminic\u00eddio e agress\u00f5es contra mulheres faz crescer a percep\u00e7\u00e3o de que a viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 epis\u00f3dica, mas parte de um problema estrutural. Para a presidente do Instituto Palavra Aberta, Patr\u00edcia Blanco, romper esse ciclo exige a\u00e7\u00f5es coordenadas que combinem educa\u00e7\u00e3o, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":27928,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[2089],"tags":[268,4208],"class_list":["post-27927","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eixo-capital","tag-entrevista","tag-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27927"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27927\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27930,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27927\/revisions\/27930"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}