{"id":27973,"date":"2026-01-04T06:00:01","date_gmt":"2026-01-04T09:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=27973"},"modified":"2026-01-03T23:41:52","modified_gmt":"2026-01-04T02:41:52","slug":"eleitor-esta-cansado-da-polarizacao-mas-o-centro-precisa-de-candidatura-competitiva-afirma-marcelo-vitorino-estrategista-e-consultor-de-marketing-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/eleitor-esta-cansado-da-polarizacao-mas-o-centro-precisa-de-candidatura-competitiva-afirma-marcelo-vitorino-estrategista-e-consultor-de-marketing-politico\/","title":{"rendered":"&#8220;Eleitor est\u00e1 cansado da polariza\u00e7\u00e3o, mas o centro precisa de candidatura competitiva&#8221;, afirma Marcelo Vitorino, estrategista e consultor de marketing pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<h4>ANA MARIA CAMPOS\/EIXO CAPITAL<\/h4>\n<p>\u00c0 Queima Roupa<br \/>\n<strong>Marcelo Vitorino, estrategista e consultor de marketing pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuando um l\u00edder n\u00e3o pode mais ocupar o cargo, o jogo muda. N\u00e3o \u00e9 sobre vencer a elei\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre controlar quem vence. E essa disputa pelo controle pode custar caro eleitoralmente para a direita\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O pa\u00eds chega a 2026 mais polarizado ou h\u00e1 sinais de recomposi\u00e7\u00e3o do centro pol\u00edtico?<\/strong><br \/>\nPolariza\u00e7\u00e3o rende voto, mas governabilidade exige ponte. O pa\u00eds segue dividido no discurso, mas o eleitor comum est\u00e1 cansado disso. O que vejo nas pesquisas e nos grupos qualitativos \u00e9 uma descren\u00e7a generalizada na classe pol\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 mais aquela euforia de 2018, quando o eleitor acreditava que um lado ia &#8220;consertar&#8221; o pa\u00eds. Hoje ele olha para os dois lados e n\u00e3o v\u00ea salvadores. Isso abre espa\u00e7o para o centro, mas o centro precisa de candidatura competitiva e narrativa pr\u00f3pria. N\u00e3o basta ser &#8220;nem um, nem outro&#8221;. A pergunta n\u00e3o \u00e9 se existe espa\u00e7o para o centro. Existe. A pergunta \u00e9 se algu\u00e9m vai ocupar esse espa\u00e7o com compet\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de Bolsonaro impacta a direita brasileira?<\/strong><br \/>\nA inelegibilidade de Bolsonaro cria uma janela de oportunidade para o surgimento de novas lideran\u00e7as, mas ao mesmo tempo gera ru\u00eddo e enfraquece a direita. Por qu\u00ea? Porque n\u00e3o h\u00e1 consenso sobre quem seria o melhor representante. Isso pode fazer com que saiam v\u00e1rios nomes, cada um puxando para um lado, fragmentando o campo antes mesmo do primeiro turno. Quando um l\u00edder n\u00e3o pode mais ocupar o cargo, o jogo muda. N\u00e3o \u00e9 sobre vencer a elei\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre controlar quem vence. E essa disputa pelo controle pode custar caro eleitoralmente para a direita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, a direita conseguir\u00e1 se reorganizar eleitoralmente sem Bolsonaro como candidato?<\/strong><br \/>\nConseguir, consegue. A quest\u00e3o \u00e9 como. A direita tem quadros competitivos. Tarc\u00edsio \u00e9 o exemplo mais \u00f3bvio. Mas Bolsonaro n\u00e3o quer um sucessor; quer um representante. Um candidato forte pode se rebelar. Um candidato fraco mant\u00e9m o controle, mas perde competitividade. Esse dilema vai definir o destino da direita em 2026. Se a fam\u00edlia Bolsonaro impuser a l\u00f3gica do controle sobre a l\u00f3gica da vit\u00f3ria, a direita vai fragmentada para o primeiro turno. E fragmenta\u00e7\u00e3o em elei\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria \u00e9 convite para derrota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fora do cargo e preso, Bolsonaro mant\u00e9m influ\u00eancia sobre o eleitorado? Como ele pode atuar em favor de seus candidatos?<\/strong><br \/>\nMant\u00e9m influ\u00eancia, mas ela est\u00e1 se diluindo. Basta ver que a carta escrita por Bolsonaro da pris\u00e3o n\u00e3o repercutiu como poderia. O n\u00facleo duro do bolsonarismo n\u00e3o precisa de Bolsonaro na rua para votar no candidato que ele apontar. O problema n\u00e3o \u00e9 a influ\u00eancia sobre os fi\u00e9is. \u00c9 o alcance. Da cadeia, Bolsonaro controla a narrativa entre os seus, mas perde capacidade de ampliar base. Ele pode gravar v\u00eddeos, mandar recados, usar a fam\u00edlia como porta-voz. Mas campanha de segundo turno exige crescimento, e crescimento exige presen\u00e7a. Preso, ele vira s\u00edmbolo para uns e problema para outros. E s\u00edmbolo n\u00e3o ganha elei\u00e7\u00e3o sozinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acredita que os eleitores de direita que votaram em Jair Bolsonaro v\u00e3o votar em Fl\u00e1vio Bolsonaro?<\/strong><br \/>\nParte vai, parte n\u00e3o. O eleitor de Bolsonaro votou em Bolsonaro, n\u00e3o na marca &#8220;Bolsonaro&#8221;. Fl\u00e1vio depende totalmente do capital pol\u00edtico do pai. \u00c9 mais control\u00e1vel, mas tamb\u00e9m \u00e9 menos competitivo. O eleitor ideol\u00f3gico vota. O eleitor que queria mudan\u00e7a em 2018 pode n\u00e3o ver em Fl\u00e1vio a mesma capacidade de entrega. A transfer\u00eancia de voto existe, mas n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica. E quanto mais tempo Bolsonaro ficar preso, mais essa transfer\u00eancia se dilui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais trunfos de Lula?<\/strong><br \/>\nLula tem tr\u00eas trunfos claros: a m\u00e1quina federal, a mem\u00f3ria do primeiro governo e a capacidade de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que nenhum outro nome da esquerda tem. Ele sabe fazer pol\u00edtica como poucos, no sentido de costurar apoios, negociar com o Congresso, montar palanques estaduais. Al\u00e9m disso, a economia, se melhorar em 2026, joga a favor dele. Eleitor vota com o bolso. Se o dinheiro estiver circulando, a reelei\u00e7\u00e3o fica mais f\u00e1cil. Se n\u00e3o estiver, nenhum trunfo salva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais temas devem dominar o debate eleitoral em 2026: economia, democracia, seguran\u00e7a, costumes?<\/strong><br \/>\nMuitos v\u00e3o falar seguran\u00e7a, mas a base da discuss\u00e3o de seguran\u00e7a \u00e9 economia. N\u00e3o d\u00e1 para separar. Lula ser\u00e1 muito atacado pela taxa\u00e7\u00e3o que vem fazendo, pelo aumento de impostos para alimentar programas sociais assistencialistas. A economia ser\u00e1 a principal discuss\u00e3o, como \u00e9 em quase toda elei\u00e7\u00e3o brasileira. O buraco na rua n\u00e3o \u00e9 de esquerda nem de direita. O eleitor quer saber o que muda na vida dele, n\u00e3o o nome da corrente te\u00f3rica. Democracia entra como tema para as bases mais engajadas, mas n\u00e3o move o eleitor m\u00e9dio. Costumes perderam for\u00e7a desde 2022. No fim, 2026 ser\u00e1 decidido no bolso do eleitor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que li\u00e7\u00f5es o Brasil tira das elei\u00e7\u00f5es anteriores para garantir um processo eleitoral confi\u00e1vel e leg\u00edtimo?<\/strong><br \/>\nSistema eleitoral imperfeito ainda \u00e9 melhor que aus\u00eancia de sistema. O Brasil tem uma das estruturas eleitorais mais s\u00f3lidas do mundo. A Justi\u00e7a Eleitoral funciona, a urna \u00e9 audit\u00e1vel, os resultados saem em horas. O que faltou nas elei\u00e7\u00f5es anteriores n\u00e3o foi confiabilidade t\u00e9cnica. Foi comunica\u00e7\u00e3o institucional. O TSE demorou a reagir \u00e0s narrativas de fraude e deixou um v\u00e1cuo ocupado por desinforma\u00e7\u00e3o. A li\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: n\u00e3o basta o processo ser leg\u00edtimo, ele precisa parecer leg\u00edtimo para o eleitor comum. Comunica\u00e7\u00e3o institucional \u00e9 defesa da democracia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual seria seu principal conselho para os candidatos aos governos estaduais?<\/strong><br \/>\nEu come\u00e7aria fortalecendo a mobiliza\u00e7\u00e3o dos militantes por meio de organiza\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o. Teremos uma elei\u00e7\u00e3o de muita desinforma\u00e7\u00e3o e um uso intenso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial. Quem n\u00e3o tiver uma base preparada para defender a campanha e combater boatos vai sofrer. Eu separaria uma boa quantidade de recursos para impulsionamento em redes sociais. N\u00e3o adianta ter o melhor conte\u00fado do mundo se ele n\u00e3o chega em quem precisa ver. E faria uma pr\u00e9-campanha intensa, misturando todos os meios poss\u00edveis para ganhar alcance sem perder reputa\u00e7\u00e3o. Televis\u00e3o, r\u00e1dio, internet e rua precisam funcionar juntos. Campanha que come\u00e7a sem pr\u00e9-campanha \u00e9 pr\u00e9dio sem funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANA MARIA CAMPOS\/EIXO CAPITAL \u00c0 Queima Roupa Marcelo Vitorino, estrategista e consultor de marketing pol\u00edtico \u201cQuando um l\u00edder n\u00e3o pode mais ocupar o cargo, o jogo muda. N\u00e3o \u00e9 sobre vencer a elei\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre controlar quem vence. 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