{"id":3467,"date":"2016-02-28T06:30:18","date_gmt":"2016-02-28T09:30:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/?p=3467"},"modified":"2016-05-10T14:42:20","modified_gmt":"2016-05-10T17:42:20","slug":"a-dificil-rotina-das-pedaladas-no-df-o-correio-acompanhou-o-treinamento-de-um-dos-maiores-ciclistas-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/cbpoder\/a-dificil-rotina-das-pedaladas-no-df-o-correio-acompanhou-o-treinamento-de-um-dos-maiores-ciclistas-do-mundo\/","title":{"rendered":"A dif\u00edcil rotina das pedaladas no DF: o Correio acompanhou o treinamento de um dos maiores ciclistas do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Veja v\u00eddeo de alguns trechos perigosos do percurso:<\/p>\n<p>[youtube http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QPmFwKfAsp0]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confira tamb\u00e9m o depoimento dos ciclistas:<\/p>\n<p>[youtube http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XxqZWaItaiM]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem se arrisca a deixar o carro na garagem para usar uma bicicleta, apesar de evitar a polui\u00e7\u00e3o e desafogar o tr\u00e2nsito, n\u00e3o costuma contar com a compreens\u00e3o dos motoristas do DF. Pior do que isso, s\u00e3o obrigados a conviver com a pressa e a agressividade de quem disputa espa\u00e7o, sem considerar que se trata de um ve\u00edculo desprotegido e at\u00e9 130 vezes mais leve. Embora seja uma cidade prop\u00edcia para pedalar, por ser plana e asfaltada, a parca e mal planejada malha ciclovi\u00e1ria da capital \u00e9 outro elemento que prejudica os que buscam alternativa aos autom\u00f3veis. Nessa semana, o Correioacompanhou o treinamento de Abra\u00e3o Azevedo, um dos maiores especialistas em mountain bike do mundo, e flagrou o desrespeito e as dificuldades nas vias de Bras\u00edlia (leia Mem\u00f3ria).<\/p>\n<p>Apesar de ser multicampe\u00e3o nas competi\u00e7\u00f5es em trilhas e nas estradas de ch\u00e3o batido, metade do treinamento de Abra\u00e3o ocorre no asfalto. Percorrendo as pistas do DF h\u00e1 mais de 25 anos, os problemas com os carros nunca passaram do susto de quase se acidentar. Muitos amigos dele, no entanto, n\u00e3o tiveram a mesma sorte. E ele n\u00e3o precisa ir longe para lembrar atropelamentos de colegas. H\u00e1 menos de um m\u00eas, ao treinar com um grupo, um condutor ignorou a presen\u00e7a das bikes e virou \u00e0 direita sem dar sinal. Acertou um ciclista e sequer prestou socorro: continuou no carro com as janelas fechadas e o ar-condicionado ligado.<\/p>\n<p>Os \u00edndices melhoraram nos \u00faltimos anos, mas ainda s\u00e3o de deixar receoso quem pensa em trocar o carro pela bicicleta: praticamente dois ciclistas morrem por m\u00eas no tr\u00e2nsito da capital federal. No treino de 30km em que a reportagem acompanhou Abra\u00e3o e um amigo, o comerciante Christian Montalv\u00e3o, as situa\u00e7\u00f5es de risco assustaram o experiente atleta. Os percal\u00e7os s\u00e3o recorrentes at\u00e9 no trajeto considerado mais seguro de todo o DF: no Lago Sul, saindo da QI 23, passando pela pista principal do bairro e seguindo no sentido Altiplano Leste, de volta para a 23.<\/p>\n<p>No primeiro quil\u00f4metro, um coletivo invade a ciclofaixa para cortar caminho na curva. Em seguida, a pista exclusiva para os ciclistas acaba repentinamente e d\u00e1 lugar a uma parada de \u00f4nibus. Enquanto pedala, Abra\u00e3o tem de soltar uma das m\u00e3os do guid\u00e3o para sinalizar que entrar\u00e1 na pista a fim de ultrapassar o \u00f4nibus que embarca e desembarca passageiros \u00e0 frente. Os carros obedecem e diminuem a velocidade, mas n\u00e3o escondem a insatisfa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o somos reconhecidos nem respeitados como um ve\u00edculo que faz parte do tr\u00e2nsito. Muitos motoristas se aproximam, encostam na gente para ganhar espa\u00e7o como se fosse normal\u201d, relata Abra\u00e3o.<\/p>\n<p>Estrat\u00e9gia<\/p>\n<p>Ap\u00f3s descer a Estrada Parque Dom Bosco, na altura da QI 23, a dupla chega \u00e0 via principal do Lago Sul, onde a ciclovia n\u00e3o ajuda. A via reservada para os ve\u00edculos sem motor \u00e9 interrompida a cada quil\u00f4metro, seja pelas paradas de \u00f4nibus, seja pelas entradas das quadras, seja pelas pontes internas no bairro. Para seguir o caminho, em diversos momentos, \u00e9 inevit\u00e1vel dividir a pista com os carros, o que torna o percurso ainda mais perigoso. \u201cSem falar dos buracos na rua. Isso \u00e9 um remendo, apenas pintaram o acostamento e deram outro nome\u201d, reclama Christian.<\/p>\n<p>Em um cruzamento, o sinal fecha, e os ciclistas n\u00e3o t\u00eam lugar para seguir. A ciclofaixa, naquele trecho, torna-se uma parada de \u00f4nibus. Nas outras duas vias, um carro e um caminh\u00e3o impedem a passagem. O jeito \u00e9 parar e esperar. Na sequ\u00eancia, os ciclistas pegam a DF-001, na subida dos condom\u00ednios do Lago Sul, rumo ao Altiplano Leste. O risco aumenta. Ali, n\u00e3o h\u00e1 ciclofaixa, e a pista de apenas uma m\u00e3o e sem acostamento torna inevit\u00e1vel o desrespeito \u00e0 lei do tr\u00e2nsito de manter uma dist\u00e2ncia segura de 1,5m dos ciclistas.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o e Christian, acostumados a pedalar lado a lado, mudam a estrat\u00e9gia e passam a andar um \u00e0 frente do outro a fim de ocupar menos espa\u00e7o. \u201cIsso tudo aconteceu, n\u00e3o podemos esquecer, no lugar em que talvez seja o mais seguro para pedalar de Bras\u00edlia\u201d, lembrou Abra\u00e3o, ao completar o percurso. No meio do caminho, eles encontraram alguns amigos que treinavam no mesmo trajeto. \u201cEles tinham vindo do Gama. Nas cidades mais afastadas, \u00e9 muito pior\u201d, lamenta o atleta.<\/p>\n<p>Cartilha<\/p>\n<p>Multicampe\u00e3o em mountainbike, Abra\u00e3o Azevedo pedala de 500km a 600km por semana, sendo metade disso no asfalto. Ele tem 45 anos e faz uma an\u00e1lise hist\u00f3rica da bicicleta na capital: \u201cO boom de carros nos \u00faltimos 10 anos agravou a situa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2000, Bras\u00edlia tinha um tr\u00e2nsito mais tranquilo e seguro\u201d, avalia. Christian, 43, concorda. \u201cEm 2003, eram emplacados, em m\u00e9dia, 7 mil carros no DF por ano. Anos atr\u00e1s, esse n\u00famero chegou a 12 mil. O governo deu muito incentivo para a popula\u00e7\u00e3o comprar carros e nunca deu aten\u00e7\u00e3o \u00e0s ciclofaixas\u201d, queixa-se.<\/p>\n<p>A ONG Rodas da Paz tem cartilhas para estimular a educa\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito. Em reuni\u00e3o com o Departamento de Tr\u00e2nsito (Detran) neste ano, a institui\u00e7\u00e3o fez algumas recomenda\u00e7\u00f5es ao \u00f3rg\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso refor\u00e7ar para os motoristas, e a popula\u00e7\u00e3o em geral, sobre a conduta correta em rela\u00e7\u00e3o aos ciclistas. Temos direito de usar a via e devemos ser respeitados, mesmo quando houver ciclovia, A prefer\u00eancia em cruzamentos rodociclovi\u00e1rios \u00e9 da bicicleta, de modo que os condutores devem oferecer a prefer\u00eancia nas travessias. Tamb\u00e9m recomenda-se fortemente sugerir que motoristas mudem de faixa para ultrapassar uma bicicleta no tr\u00e2nsito\u201d, sugere o texto entregue ao governo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja v\u00eddeo de alguns trechos perigosos do percurso: [youtube http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QPmFwKfAsp0] &nbsp; Confira tamb\u00e9m o depoimento dos ciclistas: [youtube http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XxqZWaItaiM] &nbsp; Quem se arrisca a deixar o carro na garagem para usar uma bicicleta, apesar de evitar a polui\u00e7\u00e3o e desafogar o tr\u00e2nsito, n\u00e3o costuma contar com a compreens\u00e3o dos motoristas do DF. 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