{"id":226,"date":"2021-06-21T07:00:05","date_gmt":"2021-06-21T10:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=226"},"modified":"2021-06-21T00:21:48","modified_gmt":"2021-06-21T03:21:48","slug":"vamos-falar-sobre-institucionalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/06\/21\/vamos-falar-sobre-institucionalizacao\/","title":{"rendered":"Vamos falar sobre institucionaliza\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; N\u00e3o \u00e9 um tema f\u00e1cil. Nenhum assunto relativo \u00e0s dem\u00eancias \u00e9.<\/p>\n<p>No Brasil, 82% das atividades do cuidado ficam a cargo das mulheres. Na maioria, cuidadoras familiares ou informais, por conta das amigas ou vizinhas.\u00a0 Outros 17%, s\u00e3o exercidos por cuidadoras pagas, profissionais, na casa da pr\u00f3pria pessoa enferma. Ou de algu\u00e9m da fam\u00edlia. Apenas 1% dos brasileiros de mais de 60 anos que precisam de cuidados s\u00e3o institucionalizados.<\/p>\n<p>O primeiro motivo: faltam institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia de idosos (ILPIs) p\u00fablicas para atender a crescente demanda da popula\u00e7\u00e3o que envelhece de forma acelerada. No DF, h\u00e1 sempre longa fila de espera at\u00e9 para casos encaminhados pela Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo motivo: h\u00e1 falta de oferta de institui\u00e7\u00f5es privadas. As poucas que existem na capital do pa\u00eds, nem sempre atendem \u00e0s necessidades dos\u00a0idosos, nem \u00e0s expectativas das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Em geral, o pre\u00e7o \u00e9 incompat\u00edvel com o or\u00e7amento, apesar do alto padr\u00e3o de vida do Distrito Federal. E aqui, manter um familiar em um residencial custa mais caro do que na maioria das capitais. Uma vaga n\u00e3o sai por menos de R$ 5 mil mensais em quartos compartilhados, sem luxos. E pode ultrapassar os R$ 10 mil. Nos dois casos, o valor n\u00e3o inclui medicamentos, fraldas e produtos de higiene. Ou a alimenta\u00e7\u00e3o por sonda, de alto custo.<\/p>\n<p>O terceiro motivo \u00e9 mais complexo. Temos no Brasil uma cultura de n\u00e3o institucionaliza\u00e7\u00e3o de idosos. Como se os residenciais (nome dado aos antigos asilos) fossem similares aos manic\u00f4mios. N\u00e3o s\u00e3o. As leis pro\u00edbem que sejam.<\/p>\n<p>H\u00e1 um mito de que as ILPIs seriam institui\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas onde as equipes maltratam as enfermas. No feminino, porque a maioria das hospedes \u00e9 de mulheres. Mas existem normas de funcionamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o que as institui\u00e7\u00f5es registradas nos Conselhos do Idoso s\u00e3o obrigadas a seguir.<\/p>\n<p>Muitas ILPIs se assemelham mais a hot\u00e9is (de diferentes estrelas) que oferecem servi\u00e7os de sa\u00fade, alguns exerc\u00edcios e entretenimento. Deveria ser o contr\u00e1rio. Casas de sa\u00fade, de conviv\u00eancia, preven\u00e7\u00e3o e tratamento de doen\u00e7as, com bom servi\u00e7o hoteleiro.<\/p>\n<p>Tomada a dif\u00edcil\u00a0decis\u00e3o de levar a m\u00e3e, o pai ou outro parente para uma institui\u00e7\u00e3o, vem o desafio de escolher uma que leve em conta localiza\u00e7\u00e3o, or\u00e7amento e afinidade.\u00a0 \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o dolorosa. Gera culpa, medo e d\u00favidas.<\/p>\n<p>Ao marcar uma visita para conhecer cada local, sugerimos n\u00e3o ir s\u00f3. Uma amiga ou algu\u00e9m da fam\u00edlia sens\u00edvel a essa quest\u00e3o pode ajudar a observar detalhes que podem passar despercebidos pelo envolvimento emocional.<\/p>\n<p>Antes de marcar uma visita, vale conhecer virtualmente\u00a0 a institui\u00e7\u00e3o por fotos ou v\u00eddeos. Outra ideia \u00e9 procurar informa\u00e7\u00f5es nos grupos de apoio e conversar com outras pessoas que colocaram o\u00a0familiar em uma ILPI. Ajuda tamb\u00e9m fazer buscas no Google, checar se h\u00e1 den\u00fancias envolvendo a institui\u00e7\u00e3o, se apresenta problemas financeiros. E se h\u00e1 alta rotatividade de funcion\u00e1rios. Em tempos de pandemia, tudo \u00e9 mais complicado, pois a rotatividade \u00e9 uma realidade e as visitas s\u00e3o restritas.<\/p>\n<p>Algumas sugest\u00f5es: observar o local, se h\u00e1 \u00e1rea verde para a pessoa enferma\u00a0 passear. Analisar a rela\u00e7\u00e3o entre o n\u00famero de idosos e de funcion\u00e1rios em cada turno, principalmente nos fins-de-semana. Verificar se h\u00e1 m\u00e9dica ou enfermeira dispon\u00edveis durante a semana e no\u00a0 fim-de-semana. Se oferecem servi\u00e7o de ambul\u00e2ncia para emerg\u00eancias e qual o plano de prote\u00e7\u00e3o para funcion\u00e1rios e pacientes durante a pandemia. Outra dica \u00e9 fazer visitas em hor\u00e1rios diferenciados.<\/p>\n<p>Antes de assinar o contrato, vale descobrir quais servi\u00e7os est\u00e3o inclu\u00eddos. E se informar sobre card\u00e1pios e hor\u00e1rios das refei\u00e7\u00f5es. Assim como as rotinas de banho. Algumas ILPIs, particularmente aquelas com maior n\u00famero de moradores, chegam a tirar os idosos da cama at\u00e9 antes de 6 horas da manh\u00e3 para a higiene. Isso\u00a0 modifica totalmente a rotina da pessoa doente.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra quest\u00e3o bem mais dif\u00edcil de lidar. Colocar o familiar em uma institui\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 visto e sentido como abandono. Este sentimento muitas vezes \u00e9\u00a0 refor\u00e7ado por parentes que sequer se envolvem no cuidado di\u00e1rio.<\/p>\n<p>O cuidado familiar em geral \u00e9 visto como dever. Nas dem\u00eancia, n\u00e3o se leva em conta apenas o afeto. \u00c9\u00a0amor por obriga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o uma escolha.<\/p>\n<p>Mas nem sempre a fam\u00edlia ou a pessoa respons\u00e1vel tem\u00a0 condi\u00e7\u00f5es de cuidar ou seguir cuidando na medida que a enfermidade avan\u00e7a. As dem\u00eancias adoecem tamb\u00e9m as fam\u00edlias de diferentes maneiras, f\u00edsica e mentalmente. E para as cuidadoras familiares a sobrecarga f\u00edsica e mental \u00e9 muito maior.<\/p>\n<p>Nenhuma institui\u00e7\u00e3o vai ser igual \u00e0 nossa casa. Ningu\u00e9m ser\u00e1 t\u00e3o amorosa como n\u00f3s. Mas existem empresas comprometidas com o respeito aos idosos e profissionais atentas. Capazes de ajudar a manter a sa\u00fade f\u00edsica e mental da cuidadora familiar.\u00a0Por isso, seguimos pressionando pela cria\u00e7\u00e3o de centros dia e ILPIs p\u00fablicas em todo o pa\u00eds.\u00a0 Acreditamos que o\u00a0 direito ao cuidado \u00e9 um direito humano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; N\u00e3o \u00e9 um tema f\u00e1cil. Nenhum assunto relativo \u00e0s dem\u00eancias \u00e9. No Brasil, 82% das atividades do cuidado ficam a cargo das mulheres. Na maioria, cuidadoras familiares ou informais, por conta das amigas ou vizinhas.\u00a0 Outros 17%, s\u00e3o exercidos por cuidadoras pagas, profissionais, na casa da pr\u00f3pria pessoa enferma. 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