{"id":2534,"date":"2024-08-19T14:26:47","date_gmt":"2024-08-19T17:26:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=2534"},"modified":"2024-08-20T12:04:28","modified_gmt":"2024-08-20T15:04:28","slug":"nao-podemos-normalizar-a-violencia-contra-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2024\/08\/19\/nao-podemos-normalizar-a-violencia-contra-as-mulheres\/","title":{"rendered":"N\u00e3o Podemos Normalizar a Viol\u00eancia Contra as Mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; O Brasil \u00e9 um pa\u00eds violento para as mulheres. Este n\u00e3o \u00e9 um tema f\u00e1cil, pois onde h\u00e1 viol\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 cuidado.<\/p>\n<p>Em todos os bairros h\u00e1 mulheres que t\u00eam medo de sair de casa. Mas, sem op\u00e7\u00e3o, elas saem para estudar e trabalhar todos os dias.<\/p>\n<p>Maria, Joana e Rosana caminham na rua olhando para tr\u00e1s. Andreia, Patr\u00edcia e Helena n\u00e3o caminham sozinhas a noite. Eliana,\u00a0 Alessandra e Paula n\u00e3o saem mais sozinhas. Nem de dia nem a noite.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o pequenos exemplos de cenas que se repetem todos os dias de Norte a Sul no Brasil. Tampouco a casa \u00e9 sin\u00f4nimo de seguran\u00e7a. \u00c9 dentro de casa, entre aqueles que deveriam proteger, onde ocorrem os maiores \u00edndices de estupro.<\/p>\n<p>Vivemos em um pa\u00eds em que uma menina ou mulher \u00e9 estuprada a cada seis minutos. O mesmo tempo que se leva para preparar um caf\u00e9 enquanto pensamos nas atividades do dia.<\/p>\n<p>De acordo com o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em 2023 aconteceu um estupro a cada seis horas no pa\u00eds. A maioria com crian\u00e7as e\u00a0 adolescentes entre 10 e 13 anos, mas tamb\u00e9m com beb\u00eas e crian\u00e7as de zero a quatro anos.<\/p>\n<p>Nesse contexto de viol\u00eancia, h\u00e1 estupros que culminam em gravidez colocando em risco a vida de crian\u00e7as e adolescentes. \u00c9 preciso lembrar e repetir em alto e bom tom que\u00a0CRIAN\u00c7A N\u00c3O \u00c9 M\u00c3E! N\u00e3o podemos permitir que, apesar da legisla\u00e7\u00e3o que protege, muitas delas sejam obrigadas a ter filhos de seus violadores por quest\u00f5es religiosas e pela coer\u00e7\u00e3o de adultos.<\/p>\n<p>As diversas camadas das viol\u00eancias n\u00e3o param por a\u00ed. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds violento para mulheres desde o nascimento.<\/p>\n<p>O medo da viol\u00eancia sexual \u00e9 uma caracter\u00edstica comum das mulheres citadas no texto. E de outras milhares sem nome aqui representadas que nem\u00a0 ousam falar do que doi, do que t\u00eam medo. Nem sobre os diferentes tipos de abusos que j\u00e1 sofreram.<\/p>\n<p>Estou me referindo a\u00a0 meninas, adolescentes e mulheres de todas as idades, inclusive aquelas com 60 anos ou mais. Sim, mulheres idosas tamb\u00e9m sofrem viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>Os\u00a0 assediadores, os abusadores sexuais e os estupradores n\u00e3o medem idade. Eles\u00a0 &#8220;ca\u00e7am&#8221; corpos femininos.<\/p>\n<p>Mulheres t\u00eam medo desde a barriga da m\u00e3e. E da sua pr\u00f3pria gesta\u00e7\u00e3o, apesar da alegria em gerar outra vida quando se trata de uma escolha pessoal.<\/p>\n<p>\u00c9 um medo ancestral, transgeracional, em geral inconsciente. Mesmo que as mulheres mais velhas n\u00e3o falem sobre o tema viol\u00eancia.<\/p>\n<p>As mulheres t\u00eam medo por si e por suas filhas. T\u00eam medo do horror dos diferentes tipos de viol\u00eancia.\u00a0 Medo de n\u00e3o conseguir se proteger e proteger as filhas da brutalidade.\u00a0 E medo pela pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos estupros, a cada seis horas uma mulher \u00e9 assassinada no Brasil pelo simples fato de ser mulher. E se forem mulheres negras, a viol\u00eancia \u00e9 ainda maior.<\/p>\n<p>Segundo o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em 2023 houve um aumento nos casos de feminic\u00eddos. Aconteceram 1.467 assassinatos de mulheres no Brasil. Destas, mais de 63% eram negras, 64% morreram dentro de casa e 71,1% tinha entre 18 e 44 anos.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o pode continuar.<\/p>\n<p>Por isso, o governo federal lan\u00e7ou em agosto a Campanha &#8220;Articula\u00e7\u00e3o Nacional Feminic\u00eddio Zero&#8221; com v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es para enfrentar os assassinatos de mulheres. E a campanha j\u00e1 est\u00e1 presente, por exemplo, nos est\u00e1dios de futebol.<\/p>\n<p><strong>Agosto Lil\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>A campanha &#8220;Agosto Lil\u00e1s&#8221; come\u00e7ou em\u00a0 2022, quando o governo federal\u00a0 criou a campanha para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre as viol\u00eancias contra meninas e\u00a0 mulheres. E tamb\u00e9m para chamar aten\u00e7\u00e3o para os locais de den\u00fancia e apoio.<\/p>\n<p>Onde procurar ajuda:<br \/>\n&#8211; Ligue 190 para Pol\u00edcia Militar. Eles\u00a0 enviam uma viatura para o local de atendimento<\/p>\n<p>&#8211; Ligue 180, o canal de atendimento da mulher, oferece escuta e acolhida e tamb\u00e9m registra a ocorrencia. Tamb\u00e9m atende pelo WhatsApp 61 996565008<\/p>\n<p>&#8211; Delegacia da Mulher &#8211; busque ajuda na delegacia especializada de sua cidade. Caso n\u00e3o exista, busque ajuda em uma delegacia comum.<\/p>\n<p>&#8211; Caso seja necess\u00e1rio, voc\u00ea pode pedir uma medida protetiva de urg\u00eancia contra o agressor, mesmo sem advogado. O pedido pode ser feito nas delegacias especializadas, no Minist\u00e9rio P\u00fablico ou na Defensoria P\u00fablica.<\/p>\n<p>A Coletivo Filhas da M\u00e3e, como rede de acolhimento, apoia as medidas do governo federal que defendem a vida e a seguran\u00e7a das meninas e mulheres brasileiras. E que garantem a vida digna ap\u00f3s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Esperamos que os homens brasileiros se juntem \u00e0s mulheres participando ativamente da Articula\u00e7\u00e3o Nacional Contra a Viol\u00eancia de G\u00eanero e o Feminic\u00eddio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cosette Castro Bras\u00edlia &#8211; O Brasil \u00e9 um pa\u00eds violento para as mulheres. 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