{"id":318,"date":"2021-07-09T00:00:24","date_gmt":"2021-07-09T03:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=318"},"modified":"2021-07-08T20:25:23","modified_gmt":"2021-07-08T23:25:23","slug":"existe-vida-depois-do-diagnostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2021\/07\/09\/existe-vida-depois-do-diagnostico\/","title":{"rendered":"Existe Vida Depois do Diagn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro<\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u2013 Chega um dia que n\u00e3o \u00e9 apenas o familiar que tem algum tipo de dem\u00eancia, entre elas o Alzheimer, e que apresenta comportamento diferenciado.<\/p>\n<p>Tudo pode come\u00e7ar com pequenos esquecimentos.<\/p>\n<p>A \u00a0panela \u00a0no fogo. Buscas simples \u00a0na internet que se tornam complicadas e, dependo do caso, indecifr\u00e1veis. Contas para pagar deixadas em um canto. V\u00e1rias agendas,\u00a0 anota\u00e7\u00f5es nas paredes, portas e espelhos que nem sempre surtem resultado. Ou \u00a0trajetos \u00a0de carro antes corriqueiros que se transformam em locais inacess\u00edveis, um labirinto sem fim. Sem falar nas senhas de banco, refeitas v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p>Chega um dia que o diagn\u00f3stico de que algo diferente est\u00e1 acontecendo\u00a0 vai se delineando. E est\u00e1 acontecendo com voc\u00ea tamb\u00e9m. A segunda gera\u00e7\u00e3o com dem\u00eancia.<\/p>\n<p>No primeiro momento, d\u00e1 medo. Vontade de sair correndo. De desaparecer. Mas h\u00e1 vida pela frente. Acreditamos que \u00e9 muito melhor saber o que est\u00e1 acontecendo, do que viver na escurid\u00e3o. Saber \u00a0permite buscar \u00a0qualidade de vida para o momento atual e para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/filhasdamaecoletivo\">Coletivo Filhas da M\u00e3e<\/a>, acreditamos que h\u00e1 vida, SIM, depois do diagn\u00f3stico. Principalmente, \u00a0\u00a0quando o\u00a0 diagn\u00f3stico \u00e9 feito na fase inicial da dem\u00eancia,\u00a0 tem acompanhamento m\u00e9dico e de uma equipe multidisciplinar. E, se poss\u00edvel, carinho familiar e das amigas.<\/p>\n<p>Vejamos o caso das <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2021\/06\/19\/dupla-as-galvao-chega-ao-fim-apos-74-anos-de-atividade-pioneira-na-musica-sertaneja.ghtml\">Irm\u00e3s Galv\u00e3o<\/a>, de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mary e Marilene foram as duas primeiras vozes da m\u00fasica caipira brasileira e, em junho deste ano, anunciaram o fim das atividades p\u00fablicas. Elas estiveram juntas cantando e se apresentando durante 74 anos, at\u00e9 que o Alzheimer foi apagando a mem\u00f3ria de Marilene.<\/p>\n<p>As Irm\u00e3s Galv\u00e3o atuaram como embaixadoras da doen\u00e7a de Alzheimer, participando de programas de TV, congressos m\u00e9dicos, inclusive os congressos da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alzheimer \u2013 <a href=\"https:\/\/abraz.org.br\">ABRAz<\/a>. Durante anos, elas ajudaram a reduzir\u00a0 o preconceito sobre as dem\u00eancias e mostraram que \u00e9 poss\u00edvel viver com dignidade durante a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de dem\u00eancia \u00e9 avassalador para \u00a0quem recebe, esteja sozinha ou acompanhada de um familiar quando a doen\u00e7a \u00e9 confirmada. Mas tamb\u00e9m pode ser \u00a0visto uma nova chance para quem est\u00e1 com os primeiros sinais. Chance para \u00a0aproveitar o hoje, desenvolver projetos engavetados, sonhos n\u00e3o \u00a0realizados ou mesmo recuperar rela\u00e7\u00f5es dif\u00edceis com os filhos e fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em meio a tudo isso, a fam\u00edlia precisa se reorganizar para atender as novas demandas, o que inclui \u00a0cuidadoras \u00a0comprometidas com o respeito \u00e0 pessoa doente.<\/p>\n<p>Outro exemplo inspirador \u00e9 o da baiana C\u00e9lia Maria Oliveira, \u00a0que foi diagnosticada aos 58 anos com dem\u00eancia precoce por quatro m\u00e9dicos diferentes. Cellikka, como \u00e9 conhecida no Instagram, criou um grupo de Whats App chamado Migazhimer, j\u00e1 deu entrevistas em todo o pa\u00eds, \u00a0como \u00a0o programa Fant\u00e1stico, da Rede Globo, e chega informando que tem Alzheimer. Ela lembra que a vida continua e que podemos aproveitar tudo que for poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Como lidar com a nova realidade \u00e9 um desafio para \u00a0as pessoas envolvidas.<\/p>\n<p>Algumas \u00a0dicas podem contribuir para o bem-estar. Ter um projeto de vida (talvez at\u00e9 mais de um) ou participar de projetos sociais \u00a0podem ajudar a tirar o foco da doen\u00e7a e a reduzir os momentos de autopiedade. Fazer terapia e participar de grupos de apoio \u00e9 importante. \u00a0S\u00e3o espa\u00e7os de cuidado e autocuidado essenciais para essa etapa.<\/p>\n<p>Nos grupos de apoio tamb\u00e9m encontramos v\u00e1rios exemplos inspiradores. Em Bras\u00edlia, h\u00e1 o exemplo de um conhecido artista pl\u00e1stico, ilustrador e jornalista, cuja companheira continua proporcionando materiais, \u00a0contato com obras de arte e informa\u00e7\u00f5es sobre o tema. Algo que claramente faz bem ao paciente e ativa suas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Exemplos de pessoas que seguem em frente, n\u00e3o faltam. Como o da senhora que mora na fazenda e at\u00e9 hoje, ainda separa caf\u00e9. Ou da m\u00e3e que todos os dias faz \u00a0bicos de croch\u00ea para panos de prato, doados para amigos, familiares e vizinhas.<\/p>\n<p>S\u00e3o exemplos de pessoas que s\u00e3o \u00a0integradas e \u00a0se sentem respeitadas \u00a0fazendo o que gostam, de acordo com suas possibilidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem desenvolva todo o tipo de estrat\u00e9gia para manter as atividades \u00a0que a pessoa enferma gostava e ainda gosta de fazer. Sejam \u00a0leituras, caminhadas, comidas, cantorias ou dan\u00e7a. A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 livre.<\/p>\n<p>Vitor Borisow, apoiador do Coletivo Filhas da M\u00e3e,\u00a0 realiza <em>lives <\/em>\u00a0reunindo\u00a0 ex-alunos e com a\u00a0 professora de teatro, que hoje tem Alzheimer. Durante o encontro<em> online<\/em> conversam sobre espet\u00e1culos teatrais ou contam causos sobre as aulas e ensaios com a ex-professora.<\/p>\n<p>Outras \u00a0atividades \u00a0tamb\u00e9m s\u00e3o importantes, como as que se referem \u00e0 espiritualidade. Idas a igreja (ou o similar \u00e0 \u00a0religi\u00e3o de cada pessoa) e\u00a0 \u00a0encontros com pessoas queridas. Mas amigas e amigos precisam ser informados antecipadamente sobre as mudan\u00e7as que est\u00e3o ocorrendo para respeitarem o ritmo e rotinas da pessoa enferma.<\/p>\n<p>Estamos falando de uma rede de cuidado em que a fam\u00edlia, caso more na mesma cidade, ou o grupo de amigas s\u00e3o \u00a0parte essencial, contribuindo para que o quadro demencial evolua de forma lenta, beeeeem lenta.<\/p>\n<p>Uma rede amorosa, que \u00e9 constru\u00edda no dia-a-dia e que pode incluir, inclusive, fazer em conjunto atividades f\u00edsicas \u00a0para incentivar a pessoa doente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro &amp; Cosette Castro Bras\u00edlia \u2013 Chega um dia que n\u00e3o \u00e9 apenas o familiar que tem algum tipo de dem\u00eancia, entre elas o Alzheimer, e que apresenta comportamento diferenciado. Tudo pode come\u00e7ar com pequenos esquecimentos. A \u00a0panela \u00a0no fogo. 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