{"id":732,"date":"2022-01-14T07:00:44","date_gmt":"2022-01-14T10:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/?p=732"},"modified":"2022-01-09T23:51:35","modified_gmt":"2022-01-10T02:51:35","slug":"novas-formas-de-envelhecer-e-viver-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/coletivo-filhas-da-mae\/2022\/01\/14\/novas-formas-de-envelhecer-e-viver-na-cidade\/","title":{"rendered":"Novas Formas de Envelhecer e Viver na Cidade"},"content":{"rendered":"<p>Ana Castro, Cosette Castro &amp; Convidada<\/p>\n<p>Bras\u00edlia &#8211; Come\u00e7amos o ano pensando em pol\u00edticas p\u00fablicas\u00a0 de cuidado em suas diferentes dimens\u00f5es. Isso inclui pensar o bem-estar das pessoas idosas em diferentes \u00e1reas, entre elas a vida nas cidades e o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o digna.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o convidamos a professora da UnB, Leides\u00a0 Moura, que pesquisa envelhecimento, e \u00e9 uma das criadoras da startup <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/vitrine100idade\/\">Vitrine100Idade<\/a>,\u00a0 para escrever sobre a rela\u00e7\u00e3o entre cidades e habita\u00e7\u00e3o e as novas formas de habitar.<\/p>\n<p>Leides Moura &#8211; &#8220;No Brasil das \u00faltimas d\u00e9cadas as fam\u00edlias sofreram modifica\u00e7\u00e3o em tamanho e no tipo dos arranjos domiciliares. Hoje temos fam\u00edlias menores e mais heterog\u00eaneas.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia descrita nos estudos que revela que pessoas idosas residentes nas cidades passam a conviver cada vez menos com pessoas\u00a0 de suas fam\u00edlias e t\u00eam dificuldade de contar com a disponibilidade de cuidadores familiares. Com isso, experimentam situa\u00e7\u00f5es de isolamento social e\u00a0 solid\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 um d\u00e9ficit de solu\u00e7\u00f5es habitacionais variadas para o p\u00fablico idoso tanto nas (poucas) institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas quanto nas privadas. Em sua maioria, as Institui\u00e7\u00f5es de Longa Perman\u00eancia para os Idosos (ILPIs) s\u00e3o estruturadas de maneira convencional, sem o protagonismo\/participa\u00e7\u00e3o das pessoas idosas e com question\u00e1vel oferta de servi\u00e7os de qualidade.<\/p>\n<p>O descaso com a quest\u00e3o da moradia n\u00e3o acontece em um v\u00e1cuo, uma vez que ela se articula com a continuidade de problemas estruturais decorrentes da a\u00e7\u00e3o e da omiss\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>O ditado popular &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio uma comunidade para o desenvolvimento de uma crian\u00e7a\u201d tamb\u00e9m pode ser aplicado na defesa dos direitos das pessoas idosas que vivem nas cidades.\u00a0A operacionaliza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es para se efetuar o direito \u00e0 moradia, apresentado na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e no Estatuto do Idoso, requer solu\u00e7\u00f5es inovadoras pensadas e induzidas pelo Estado em articula\u00e7\u00e3o com a sociedade, em especial das pessoas idosas e suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das pessoas idosas auxilia a co-cria\u00e7\u00e3o e <em>design<\/em> de solu\u00e7\u00f5es diversas com abordagem humanizada, inclusiva, potencializando a intera\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Envelhecer com\u00a0qualidade de vida passa pelo tipo de arranjo de moradia que \u00e9 acess\u00edvel \u00e0s pessoas idosas que vivem nas cidades. Isso vale para pessoas que vivem de forma independente, aut\u00f4noma e participativa e tamb\u00e9m para aquelas em situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia decorrente do decl\u00ednio funcional.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es e nem solu\u00e7\u00f5es \u00fanicas quando se trata de arranjos de moradia para pessoas idosas. H\u00e1 uma diversidade de arranjos unipessoais (pessoas que moram\u00a0 sozinhas), multigeracionais e coletivos. Experi\u00eancias na modalidade de co-resid\u00eancia, por exemplo, come\u00e7aram na Dinamarca na d\u00e9cada de 1960 e se espalharam pela Europa, Estados Unidos, Austr\u00e1lia, Jap\u00e3o,\u00a0 etc.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m outras formas cooperativadas de constru\u00e7\u00e3o de moradias e vilas comunit\u00e1rias para pessoas idosas. S\u00e3o resid\u00eancias constru\u00eddas coletivamente por grupos de pessoas idosas, com ou sem v\u00ednculos pr\u00e9vios, e que tem se tornado realidade em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds como o Brasil, marcado por profundas desigualdades, cresce a quantidade de pessoas que moram s\u00f3s, provenientes de diferentes posi\u00e7\u00f5es sociais. Ao mesmo tempo,\u00a0 aumenta o n\u00famero de pessoas idosas em situa\u00e7\u00e3o de moradia prec\u00e1ria ou mesmo vivendo em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>Construir uma agenda de solu\u00e7\u00f5es para a habita\u00e7\u00e3o digna de pessoas idosas que vivem nas cidades envolve pensar v\u00e1rias possibilidades.<\/p>\n<p>H\u00e1 solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis como referencia em alguns pa\u00edses (como as citadas acima), que precisam levar em conta as particularidades culturais de cada regi\u00e3o ou\u00a0 a necessidade de solu\u00e7\u00f5es locais para o problema da habita\u00e7\u00e3o das muitas velhices. H\u00e1 ainda a crescente pobreza multidimensional, que inclui v\u00e1rios fatores, entre eles os relacionados \u00e0 moradia,\u00a0 \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e ao transporte da popula\u00e7\u00e3o idosa que tamb\u00e9m precisam ser levados em conta.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias seguir\u00e3o como recurso estruturante na solu\u00e7\u00e3o dos problemas de moradia para pessoas idosas, mas cada vez mais fica evidente que a longevidade requer novas solu\u00e7\u00f5es complementares, substitutivas e alternativas para\u00a0 garantir o direito de envelhecer com dignidade. E para isso \u00e9 preciso politicas e a\u00e7\u00f5es publicas, assim como a\u00a0 implementa\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es, muitas j\u00e1 existentes na Constitui\u00e7\u00e3o e no Estatuto da Pessoa Idosa.<\/p>\n<p>Tanto o conceito de moradia como o de habita\u00e7\u00e3o traduzem uma expectativa social de prote\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e pertencimento. O direito \u00e0 moradia digna para pessoas idosas precisa ir al\u00e9m da ideia de responsabilidade familiar. A afetividade, a solidariedade e a responsabilidade n\u00e3o s\u00e3o uma exclusividade das fam\u00edlias brasileiras&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do Coletivo Filhas da M\u00e3e, temos defendido que o cuidado n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o privada e restrita \u00e0 fam\u00edlia. \u00c9 uma co-responsabilidade do Estado e tamb\u00e9m da sociedade.\u00a0 Buscamos ampliar a experi\u00eancia intergeracional e reduzir o preconceito. Afinal, envelhecemos um pouco todos os dias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Castro, Cosette Castro &amp; Convidada Bras\u00edlia &#8211; Come\u00e7amos o ano pensando em pol\u00edticas p\u00fablicas\u00a0 de cuidado em suas diferentes dimens\u00f5es. Isso inclui pensar o bem-estar das pessoas idosas em diferentes \u00e1reas, entre elas a vida nas cidades e o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o digna. 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