{"id":3035,"date":"2024-01-15T14:57:41","date_gmt":"2024-01-15T17:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/consultoriosentimental\/?p=3035"},"modified":"2024-02-06T20:29:13","modified_gmt":"2024-02-06T23:29:13","slug":"ana-hickman-e-o-impacto-da-ancestralidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/consultoriosentimental\/ana-hickman-e-o-impacto-da-ancestralidade\/","title":{"rendered":"ANA HICKMANN E O IMPACTO DA ANCESTRALIDADE (s\u00e9rie &#8211; texto 1)"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #000080\">H\u00e1 algumas semanas, publiquei o texto <span style=\"color: #ff0000\"><a style=\"color: #ff0000\" href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/consultoriosentimental\/enquanto-engoma-a-calca\/\">Enquanto Engoma a Cal\u00e7a<\/a><\/span>, sobre o rompimento entre Lu\u00edsa Sonza e Chico Moedas. N\u00e3o demorou muito, veio a not\u00edcia do fim do casamento de Ana Hickmann com Alexandre Correa ap\u00f3s uma violenta briga. Logo comecei a receber pedidos para que falasse tamb\u00e9m sobre essa separa\u00e7\u00e3o e decidi escrever usando o conte\u00fado da\u00a0entrevista dada pela modelo \u00e0 TV Record. <span style=\"color: #ff0000\">N\u00e3o estou nem afirmando nem tentando esclarecer se o narrado por Ana Hickmann \u00e9 ou n\u00e3o verdade. Isso \u00e9 assunto para a Justi\u00e7a<\/span>. Mas, no relato dela,\u00a0identificamos padr\u00f5es e tiramos importantes li\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o ajudar a salvar vidas. Este \u00e9 o primeiro texto de uma s\u00e9rie sobre o tema viol\u00eancia dom\u00e9stica. Vamos come\u00e7ar falando sobre o impacto da ancestralidade em todos n\u00f3s.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">A apresentadora Carolina Ferraz come\u00e7ou a entrevista referindo-se a Ana Hickmann como linda, bem-sucedida, m\u00e3e amorosa e v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica. N\u00e3o obstante muitas famosas estarem vindo a p\u00fablico falar de relacionamentos abusivos por elas vividos, muita gente ainda acredita que esse tipo de ocorr\u00eancia tem a ver com mulheres de periferia, sem instru\u00e7\u00e3o, dependentes dos parceiros. S\u00f3 que, cada vez mais, fica evidente que, no Brasil, a viol\u00eancia dom\u00e9stica, lamentavelmente, pode ser comparada a uma epidemia porque est\u00e1 em toda parte. Ali\u00e1s, sempre esteve.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Na entrevista, Ana relatou ter vivido uma inf\u00e2ncia de prova\u00e7\u00f5es com um pai violento. Contou que os pais dela se casaram muito jovens e eram muito unidos; que eram pobres, mas que o pai come\u00e7ou a prosperar no emprego at\u00e9 que a fam\u00edlia conseguiu atingir uma estabilidade financeira que nunca havia experimentado; e que teria sido naquela fase que, como ela mesma disse, \u201ca chave virou\u201d e o pai se transformou em outra pessoa, algu\u00e9m que amedrontava, agredia, tra\u00eda a mulher e fazia da vida de todos um inferno.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">A experi\u00eancia da inf\u00e2ncia foi t\u00e3o traum\u00e1tica que Ana jurou que nunca permitiria que nenhum homem a agredisse como o pai os agredia. Mas, apesar dessa promessa, tal qual a m\u00e3e, ela se casou muito jovem; viveu com o marido uma uni\u00e3o feliz apesar do dinheiro curto; conquistou, com muito trabalho, uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira que nunca ningu\u00e9m na fam\u00edlia havia experimentado; e, exatamente quando acreditou que poderia diminuir um pouco o ritmo e come\u00e7ar a curtir as conquistas, \u201ca chave virou\u201d e o marido dela tamb\u00e9m virou outra pessoa.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Tal qual o pai dela, o marido de Ana se transformou. Ele, que, segundo ela, sempre teve um temperamento \u201cdif\u00edcil\u201d, passou a ser agressivo com ela e com outras pessoas que com eles se relacionavam, criando situa\u00e7\u00f5es profissionais e sociais constrangedoras. As brigas passaram a ser constantes, com agress\u00f5es verbais. Ele dizia que ela n\u00e3o se cuidava, que estava gorda e ficando velha, e que \u201cningu\u00e9m iria querer uma Ana Hickmann assim\u201d. Controlava a vida dela, as idas \u00e0 academia, os m\u00e9dicos. E a pressionava para que se submetesse a uma cirurgia pl\u00e1stica. Segundo ela, o marido tinha o dom de faz\u00ea-la se sentir \u201cuma merda\u201d.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Tal qual havia acontecido com a m\u00e3e dela, Ana Hickmann vivia com um homem assustador. Ele a isolava procurando mant\u00ea-la longe dos familiares e de pessoas amigas, exigindo cada vez mais dela, n\u00e3o lhe dando folga no trabalho nem quando ela estava doente e a levando a acreditar que ela tinha que fazer a sua parte enquanto ele estava fazendo o melhor para todos ao cuidar da gest\u00e3o administrativa e financeira dos neg\u00f3cios e mant\u00ea-los, ela e o filho, protegidos de gente ruim, invejosa, n\u00e3o confi\u00e1vel.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Durante o relato sobre sua inf\u00e2ncia, Ana falou de uma briga pavorosa entre os pais, em que ela se envolveu para defender a m\u00e3e e foi tamb\u00e9m agredida, o que levou as duas ao hospital. E assim como sua m\u00e3e, Ana precisou de ajuda para se proteger de Alexandre ap\u00f3s o atrito que virou not\u00edcia. Foram agentes da Pol\u00edcia que a escoltaram ao pronto-socorro e \u00e0 delegacia para registro de ocorr\u00eancia com base na Lei Maria da Penha, que tamb\u00e9m fundamentou o pedido de div\u00f3rcio.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Ser\u00e1 que se pode acreditar que tanto o pai quanto o marido de Ana Hickmann eram pessoas boas que se transformaram \u201cnum virar de chave\u201d, sem mais nem menos? Minha experi\u00eancia dentro e fora do consult\u00f3rio me diz que n\u00e3o foi assim que isso aconteceu. Ana e a m\u00e3e se casaram muito jovens, emocionalmente imaturas e, como se isso n\u00e3o fosse o bastante para tornar o resultado perigoso, estavam apaixonadas, ou seja, com o c\u00e9rebro quimicamente alterado, com a capacidade de raciocinar praticamente fora de combate. Elas n\u00e3o conheciam os homens com quem estavam se envolvendo porque, na verdade, elas nem se conheciam, o que incluiria conhecer a hist\u00f3ria de vida dos seus pais, av\u00f3s, bisav\u00f3s.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Sem perceber, apaixonada e desinformada, acreditando que havia encontrado para ser seu companheiro um homem que nada tinha a ver com seu pai, Ana reviveu a hist\u00f3ria da m\u00e3e. Ela relata que Alexandre nunca a agrediu fisicamente, mas eu considero a viol\u00eancia emocional muito pior, por n\u00e3o deixar marcas f\u00edsicas, por, muitas vezes, vir disfar\u00e7ada de zelo, de \u201ctentativa de abrir os olhos do outro para evitar que ele sofra\u201d. Se Alexandre tivesse dado um soco nela no come\u00e7o do relacionamento, talvez Ana tivesse conseguido enxergar a hist\u00f3ria da m\u00e3e se repetindo com ela, mas n\u00e3o \u00e9 assim que esses relacionamentos se desenvolvem.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Lembro de uma paciente que viu a m\u00e3e penar durante toda a vida com um marido alco\u00f3latra. Diferentemente da maioria das filhas de alco\u00f3latras, que se casam com alco\u00f3latras, ela cresceu jurando que jamais se envolveria com um homem que bebesse. Entretanto, mesmo tendo se casado com um que n\u00e3o bebia nem refrigerante, ela sofreu como a m\u00e3e, porque ele era compulsivamente infiel. \u00c9 o famoso \u201ctrocou seis por meia d\u00fazia\u201d. Mas isso aconteceu porque ela n\u00e3o refletiu sobre a hist\u00f3ria da m\u00e3e como precisaria ter feito. Ela se prendeu a um detalhe do problema e acreditou que evit\u00e1-lo seria o bastante.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Se ela tivesse analisado bem a situa\u00e7\u00e3o, de repente com a ajuda de um psicoterapeuta, perceberia que o mesmo teria acontecido se a m\u00e3e dela, em vez de se casar com um alco\u00f3latra, tivesse se casado com algu\u00e9m viciado em outra droga ou em jogo ou em sexo. Ou algu\u00e9m que fosse um psicopata, um narcisista, um mis\u00f3gino. A quest\u00e3o n\u00e3o estava no \u00e1lcool, nem no v\u00edcio, mas na incapacidade daquele homem em manter um relacionamento de respeito, de verdadeira intimidade, de amor.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Muita gente pensa que antepassados s\u00e3o pessoas que fazem parte de nossa \u00e1rvore geneal\u00f3gica, mas que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o t\u00eam nada a ver conosco, por terem vivido em outros tempos, outras realidades. Mas isso \u00e9 um engano temeroso. Nem vou me referir a quest\u00f5es gen\u00e9ticas. Aqui quero focar os ensinamentos, os exemplos que atravessam gera\u00e7\u00f5es. Ana Hickmann, por exemplo, aprendeu muito com a m\u00e3e, coisas boas e ruins porque m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 um ser acabado, perfeito, \u00e9 um ser humano que tamb\u00e9m erra, mesmo tentando ser maravilhoso. E \u00e9 poss\u00edvel que, pesquisando sobre sua fam\u00edlia, m\u00e3e e filha encontrem outras mulheres e at\u00e9 homens que viveram e ainda vivem relacionamentos t\u00f3xicos, abusivos, violentos.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Quando nascemos, n\u00e3o somos como um livro em branco. Trazemos conosco a hist\u00f3ria dos que vieram antes de n\u00f3s e precisamos conhecer os que nos antecederam para aprender com seus acertos e tamb\u00e9m com seus erros. Muitos dos nossos sucessos tecnol\u00f3gicos de hoje s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0s observa\u00e7\u00f5es, \u00e0s descobertas, \u00e0s inven\u00e7\u00f5es, \u00e0 intelig\u00eancia do homem primitivo, que permitiram que ele sobrevivesse e preparasse seus descendentes para fazer tudo aquilo e muito mais. D\u00e1 para imaginar o desenvolvimento da Intelig\u00eancia Artificial sem a descoberta do fogo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080\">Estou sempre falando aqui e no consult\u00f3rio sobre autoconhecimento e vis\u00e3o panor\u00e2mica dos problemas. Porque n\u00e3o podemos evitar o que nos vem por ancestralidade, mas podemos transformar em aprendizado, em supera\u00e7\u00e3o, as maldi\u00e7\u00f5es que atravessam gera\u00e7\u00f5es. A ancestralidade n\u00e3o define a nossa vida. Romper c\u00edrculos viciosos\u00a0est\u00e1 nas nossas m\u00e3os, sempre esteve e sempre estar\u00e1. \u00c9 como dizem: O inteligente aprende com seus pr\u00f3prios erros, mas s\u00f3 o s\u00e1bio amplia sua vis\u00e3o e aprende tamb\u00e9m com os erros dos outros.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Gostou da mensagem que este texto traz? 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Atendimento online.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #333399\"><span style=\"color: #008000\">O segundo texto desta s\u00e9rie j\u00e1 est\u00e1 publicado. Para acess\u00e1-lo, clique<\/span> <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/consultoriosentimental\/ana-hickmann-roberto-carlos-e-a-folha-caida-na-correnteza-serie-texto-2\/\"><span style=\"color: #ff0000\">AQUI<\/span><\/a><span style=\"color: #008000\">.<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algumas semanas, publiquei o texto Enquanto Engoma a Cal\u00e7a, sobre o rompimento entre Lu\u00edsa Sonza e Chico Moedas. N\u00e3o demorou muito, veio a not\u00edcia do fim do casamento de Ana Hickmann com Alexandre Correa ap\u00f3s uma violenta briga. 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