{"id":3289,"date":"2024-05-28T14:01:55","date_gmt":"2024-05-28T17:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/consultoriosentimental\/?p=3289"},"modified":"2024-05-29T17:45:09","modified_gmt":"2024-05-29T20:45:09","slug":"o-rio-grande-do-sul-as-cidades-esponja-e-as-crises-conjugais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/consultoriosentimental\/o-rio-grande-do-sul-as-cidades-esponja-e-as-crises-conjugais\/","title":{"rendered":"O RIO GRANDE DO SUL, AS CIDADES-ESPONJA E AS CRISES CONJUGAIS"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">O que est\u00e1 acontecendo no Rio Grande do Sul n\u00e3o era inimagin\u00e1vel. E, mesmo n\u00e3o querendo parecer uma profetisa do apocalipse, consigo enxergar que essa, lamentavelmente, \u00e9 apenas a maior calamidade no estado at\u00e9 hoje. Outras piores est\u00e3o sendo preparadas, pela pr\u00f3pria humanidade, para se abaterem sobre os ga\u00fachos, sobre outros brasileiros, sobre outros continentes, sobre o planeta.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">A trag\u00e9dia que se desenrola vem sendo anunciada e desprezada desde o mil\u00eanio passado. Cientistas, ambientalistas, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais se esfor\u00e7am, sem o devido sucesso, para mostrar ao mundo que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o obras do acaso, da a\u00e7\u00e3o de extraterrestres ou, como alguns governantes brasileiros sem no\u00e7\u00e3o adoram dizer, uma mentira inventada pelos comunistas para assustar as pessoas e dominar o mundo.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">De muito pouco mesmo t\u00eam adiantado os estudos que demonstram que o desmatamento, o mau uso dos recursos ambientais, a maneira como n\u00f3s tratamos a natureza, s\u00e3o as causas para isso que os desafortunados est\u00e3o vivendo e os ainda n\u00e3o desafortunados acompanham pela internet e pela TV como se estivessem assistindo a um filme que chegar\u00e1 ao fim quando a vida dos ga\u00fachos \u201cvoltar ao normal\u201d, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Ent\u00e3o, quero propor uma reflex\u00e3o, fazendo uma analogia com algo mais pr\u00f3ximo das nossas preocupa\u00e7\u00f5es no dia a dia \u2013 o casamento.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Os relacionamentos amorosos em geral come\u00e7am cheios de esperan\u00e7a e, depois de um tempo, os envolvidos decidem morar juntos, dispostos a batalhar para prosperar e dar aos filhos o melhor. Como diz minha amiga Flavinha, \u201ctudo arrumadinho dentro dos vidrinhos\u201d. S\u00f3 que, quando os problemas come\u00e7am a surgir, os casais se assustam. Porque n\u00e3o somos preparados para lidar com complica\u00e7\u00f5es, contrariedades, ambiguidades. Crescemos sonhando com o que \u00e9 bom como se isso afastasse as dificuldades.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Algumas pessoas entram em p\u00e2nico e varrem as crises pra debaixo do tapete, insistindo em levar a rela\u00e7\u00e3o adiante como se nada estivesse acontecendo. Outras, obcecadas por resolver o que est\u00e1 errado o quanto antes, transformam a vida a dois numa eterna DR, ou melhor, num bate-boca sem fim que s\u00f3 complica tudo. At\u00e9 que, um dia, a casa cai com algu\u00e9m gritando n\u00e3o suportar mais e batendo a porta na sa\u00edda, tal qual uma inunda\u00e7\u00e3o que devasta o que est\u00e1 pelo caminho e traz \u00e0 tona o lixo escondido e as doen\u00e7as que poder\u00e3o levar, ao sofrimento e \u00e0 morte, quem escapou da destrui\u00e7\u00e3o imediata.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">\u00c9 nessa hora que surgem os parentes e amigos que, na tentativa de ajudar, d\u00e3o os seus palpites. A maioria sugere ou que a pessoa d\u00ea tempo ao tempo e espere que o outro se arrependa e volte, ou que vire a p\u00e1gina e recomece a vida, de prefer\u00eancia partindo para um novo amor. A op\u00e7\u00e3o de se refletir sobre o que houve n\u00e3o costuma ser cogitada. E, quando algo nesse sentido ocorre, a tend\u00eancia \u00e9 que se procure adivinhar o que aconteceu com quem rompeu o v\u00ednculo e se foi.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Investimos tempo e energia listando os erros e at\u00e9 tentando fazer diagn\u00f3sticos sobre a sa\u00fade mental do outro, sem pensar na nossa responsabilidade no fracasso de algo que sempre se mostrou promissor. Ali\u00e1s, n\u00e3o refletimos nem mesmo sobre se a rela\u00e7\u00e3o que chegou ao fim era realmente promissora. Muitas vezes, as promessas s\u00f3 existem na nossa cabe\u00e7a, s\u00e3o v\u00e3s como a pirita, o ouro dos tolos.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Assim, se o outro volta atr\u00e1s e se reaproxima, tomamos a nada s\u00e1bia decis\u00e3o de passar uma borracha no passado. Tentamos recome\u00e7ar fingindo que os problemas n\u00e3o aconteceram, acreditando ser isso \u00e9 o bastante. E, sem perceber, damos o primeiro passo para a pr\u00f3xima crise, que tem tudo para ser ainda pior, que pode se apresentar como uma trag\u00e9dia de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Penso que algo an\u00e1logo est\u00e1 acontecendo com o Rio Grande do Sul. Como os relacionamentos, os estados come\u00e7am com vilarejos que se unem formando cidades que se juntam para aumentar as chances de desenvolvimento, de felicidade para todos, inclusive as futuras gera\u00e7\u00f5es. S\u00f3 que esses agrupamentos tamb\u00e9m passam por problemas, alguns bem b\u00e1sicos, que precisam ser resolvidos. Mas, como acontece nos casamentos, as comunidades crescem sonhando com o que \u00e9 bom como se isso afastasse as dificuldades, como se elas n\u00e3o fossem parte da vida.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Como o ser humano lida muit\u00edssimo mal com o meio ambiente, a generosa natureza d\u00e1 o primeiro, o segundo, o milion\u00e9simo sinal de que as coisas n\u00e3o v\u00e3o bem. Mas n\u00e3o damos a real import\u00e2ncia. Apagamos um inc\u00eandio aqui, outro ali, fazemos obras sem observ\u00e2ncia do impacto ambiental, priorizamos o tempo presente, e, quando a casa cai, ficamos estarrecidos, como se tiv\u00e9ssemos sido pegos de surpresa. A\u00ed nos unimos para suportar a dor de perder bens materiais e, o que \u00e9 pior, nossos entes queridos.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Nesse caso tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o de se refletir sobre o que houve nem costuma ser cogitada. Todos se voltam para a reconstru\u00e7\u00e3o, jogando as causas do desastre pra debaixo do tapete e remendando uma coisa aqui, outra ali, usando os mesmos materiais e tecnologias que n\u00e3o impediram a trag\u00e9dia. Um sentimento de urg\u00eancia em deixar aquilo pra tr\u00e1s toma conta de todos. Sei que as pessoas precisam retomar suas vidas. Mas \u00e9 importante que os governantes reflitam para que o estado seja realmente restaurado, n\u00e3o apenas maquiado.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Recentemente li sobre cidades-esponja, capazes de lidar com muita \u00e1gua gra\u00e7as a medidas como cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes para escoamento, telhados verdes e jardins de chuva; retirada do concreto das margens dos rios, com implementa\u00e7\u00e3o de mata ciliar; substitui\u00e7\u00e3o de pavimentos de concreto por zonas \u00famidas; e utiliza\u00e7\u00e3o de asfalto perme\u00e1vel, que permitem que a \u00e1gua da chuva seja absorvida pela terra e favore\u00e7a a pr\u00f3pria cidade.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Xangai, Nova York, Berlim e Copenhague, por exemplo, j\u00e1 aderiram a elementos que lhes deram caracter\u00edsticas de esponja. A China \u00e9 um dos pa\u00edses que mais investem em criar cidades-esponja, com 16 cidades adaptadas dessa forma. Para o criador do conceito, o arquiteto chin\u00eas Kongjian Yu, medidas como constru\u00e7\u00e3o de barragens est\u00e3o fadadas ao fracasso. A resposta est\u00e1 em parar de &#8220;lutar contra a \u00e1gua&#8221; e investir em solu\u00e7\u00f5es duradouras e baseadas na natureza.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Coisas como o combate ao desmatamento, a moderniza\u00e7\u00e3o dos sistemas de drenagem, o asfaltamento perme\u00e1vel, a Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, precisam ser levadas a s\u00e9rio. Porque a empatia e a solidariedade de brasileiros e estrangeiros s\u00e3o dignas de nota, assim como a for\u00e7a do povo ga\u00facho, que sofre sem se deixar abater. Mas isso pouco adianta se n\u00e3o refletirmos sobre o que est\u00e1 indo mal e n\u00e3o adotarmos as provid\u00eancias devidas.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Da mesma forma, num casamento em crise, o melhor a se fazer \u00e9 dar um tempo para se digerir o que houve, para um distanciamento emocional que permita uma reflex\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o como um todo. Sei que isso n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas \u00e9 absolutamente indispens\u00e1vel. Se n\u00e3o conseguirmos sozinhos, devemos buscar ajuda profissional para estarmos preparados para uma reconcilia\u00e7\u00e3o com chances concretas de dar certo ou para recome\u00e7armos sozinhos, livres de traumas, prontos at\u00e9 para um novo amor.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">Nenhum relacionamento a dois est\u00e1 livre de crises. Da mesma forma, as comunidades passam por muitas dificuldades. Mas os problemas n\u00e3o t\u00eam o poder de destruir uni\u00f5es, alian\u00e7as, nem de casais nem de grupos. O que pode desgastar e at\u00e9 mesmo jogar por terra tudo o que de bom foi conquistado \u00e9 a incapacidade dos envolvidos em encarar essas situa\u00e7\u00f5es e com elas lidar de forma madura, respons\u00e1vel, inteligente e principalmente honesta.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #ff0000\">O que est\u00e1 acontecendo com o Rio Grande do Sul n\u00e3o est\u00e1 trazendo apenas dor e sofrimento, est\u00e1 trazendo uma enorme oportunidade a quem tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir. Como disse Jean Paul Sartre, \u201cN\u00e3o importa o que fizeram com voc\u00ea. O que importa \u00e9 o que voc\u00ea faz com aquilo que fizeram com voc\u00ea\u201d.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><strong>Gostou da mensagem que este texto traz?\u00a0Ent\u00e3o\u00a0compartilhe-o!\u00a0Voc\u00ea pode coment\u00e1-lo logo depois dos an\u00fancios, mesmo que n\u00e3o seja assinante do jornal.\u00a0Ou pode\u00a0<span style=\"color: #ff0000\">mandar um\u00a0coment\u00e1rio para mim por WhatsApp no\u00a0(61)991889002<\/span>, para que eu o publique. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode sugerir um tema para o Blog.\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Interessado(a) em marcar uma consulta? Envie mensagem para\u00a0(61)991889002. Atendimento online.<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que est\u00e1 acontecendo no Rio Grande do Sul n\u00e3o era inimagin\u00e1vel. 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