{"id":602,"date":"2024-12-25T12:16:19","date_gmt":"2024-12-25T15:16:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/?p=602"},"modified":"2024-12-25T12:16:19","modified_gmt":"2024-12-25T15:16:19","slug":"qual-e-a-sua-historia-sobre-a-comida-afetiva-vii-responde-eliane-regis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2024\/12\/25\/qual-e-a-sua-historia-sobre-a-comida-afetiva-vii-responde-eliane-regis\/","title":{"rendered":"QUAL \u00c9 A SUA HIST\u00d3RIA SOBRE A COMIDA AFETIVA? &#8211; VII\u00a0&#8211; responde Eliane Regis"},"content":{"rendered":"<p><strong>Qual \u00e9 a sua hist\u00f3ria sobre comida afetiva? <\/strong>Aqueles pratos da sua inf\u00e2ncia que vinham da cozinha da sua m\u00e3e ou da sua av\u00f3. Pratos que s\u00e3o mais do que simples alimentos, que representam gestos de carinho, envolvem emo\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias e trazem um senso de pertencimento.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a sua &#8220;Madeleine de Proust&#8221;? Aquele sabor ou cheiro que o transporta para o passado, evocando mem\u00f3rias profundas e, muitas vezes, inesperadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-603 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-300x171.jpg\" alt=\"\" width=\"1269\" height=\"723\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-300x171.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-768x437.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-1024x583.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-1440x820.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-800x456.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-550x313.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1-230x131.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-1.jpg 1649w\" sizes=\"auto, (max-width: 1269px) 100vw, 1269px\" \/><\/p>\n<p>Eliane Regis, \u00e9 paraibana, m\u00e3e de meninas e av\u00f3 de uma flor, filha e neta de agricultores. Chef de cozinha, cozinheira de cora\u00e7\u00e3o, pesquisadora praticante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNasci em Campina Grande, Para\u00edba. Desde pequena, sempre fui sonhadora e amante da natureza. Sonhava em ser aeromo\u00e7a, mas a vida me conduziu ao universo das panelas. Cresci brincando nas matas do s\u00edtio dos meus pais. Nas horas de lazer, pegava a carro\u00e7a de m\u00e3o, carregada de alimentos, utens\u00edlios, redes e len\u00e7\u00f3is, e partia com meus irm\u00e3os para a mata pr\u00f3xima. L\u00e1, mont\u00e1vamos acampamento, cozinh\u00e1vamos e, de sobremesa, colh\u00edamos as frutas da esta\u00e7\u00e3o \u2014 entre elas, o inc\u00f3. Ao final do dia, volt\u00e1vamos felizes para casa.<\/p>\n<p>Outra divers\u00e3o era a visita quase di\u00e1ria \u00e0 casa dos meus av\u00f3s maternos, apenas tr\u00eas quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, percorridos a p\u00e9, mas sempre com muita alegria. Pelo caminho, pass\u00e1vamos por \u00e1rvores frut\u00edferas, como massaranduba, caju e manga. A casa dos meus av\u00f3s era um lugar muito especial, com muitas \u00e1rvores frut\u00edferas, uma casa de farinha, uma barragem (lago com \u00e1gua), al\u00e9m das comidas mais deliciosas.<\/p>\n<p>Na safra do caju, meu av\u00f4 me deixava pegar as castanhas para serem vendidas, o que me proporcionava algum dinheiro para gastar nas festas locais ao longo do ano. Toda sexta-feira \u00edamos \u00e0 casa dos meus av\u00f3s, onde permanec\u00edamos at\u00e9 domingo. Minha m\u00e3e e minha av\u00f3 preparavam receitas que at\u00e9 hoje recordo com carinho e eu sempre ajudava, pegando lenha para acender o fog\u00e3o. A casa de farinha funcionava quase toda a semana, mas era ao final da torra da farinha que minha m\u00e3e aproveitava o calor do forno para assar os bolos de p\u00e9 de moleque, uma tradi\u00e7\u00e3o que acontecia nas sextas-feiras.<\/p>\n<p>S\u00e1bado era o dia em que meu av\u00f4 e meu tio iam \u00e0 feira de Campina Grande para fazer compras e abastecer a despensa. A feira de Campina Grande foi reconhecida em 2017 como patrim\u00f4nio cultural do Brasil. Durante a aus\u00eancia deles, organiz\u00e1vamos a casa, varr\u00edamos o terreiro e minha m\u00e3e preparava um almo\u00e7o delicioso. Quando o sol come\u00e7ava a se p\u00f4r, minha m\u00e3e assava castanhas no caco (uma vasilha de barro) sobre o fogo de ch\u00e3o. \u00c0 noite faz\u00edamos ch\u00e1 de capim santo, erva-cidreira, erva-doce e canela. Minha av\u00f3 nos deixava usar as lou\u00e7as de sua cristaleira e eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo. Para acompanhar o ch\u00e1 t\u00ednhamos as del\u00edcias que eram preparadas nas sextas e s\u00e1bados.<\/p>\n<p>No domingo, ao anoitecer, meu pai nos buscava de carro de boi ou de fusca. S\u00e3o tempos que guardo com muito amor e carinho.<\/p>\n<p>Mas a melhor \u00e9poca do ano era o m\u00eas de junho, durante a festa de S\u00e3o Jo\u00e3o. Celebr\u00e1vamos a colheita do milho e nos reun\u00edamos para preparar a grande noite. A festa come\u00e7ava com a ida ao ro\u00e7ado para colher o milho e era marcada por comidas t\u00edpicas: pamonha, canjica, queijo coalho assado na brasa, batata-doce assada na fogueira e carne de porco. Pass\u00e1vamos o dia inteiro nos preparos, tanto das comidas quanto da ornamenta\u00e7\u00e3o da casa, com bandeirinhas, toalhas de chita e muita alegria. A montagem da fogueira era tarefa de meu pai e meus irm\u00e3os. \u00c0 noite, com a mesa farta e a fogueira acesa, a festa acontecia at\u00e9 o amanhecer. Ainda mantemos essa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A viagem para a casa dos meus av\u00f3s paternos, na cidade de Pedra Branca, no Sert\u00e3o da Para\u00edba, tamb\u00e9m era uma grande aventura, come\u00e7ando pela viagem de fusca, que sa\u00eda da zona rural de Lagoa Seca. Lembro-me do cheiro da mata no caminho e dos lanches que lev\u00e1vamos at\u00e9 chegar l\u00e1. A chegada sempre era uma festa: o fog\u00e3o a lenha com o caldeir\u00e3o de ferro, a coalhada sendo escorrida no pano de saco perto da porta da cozinha, o p\u00e9 de goiaba no quintal, o p\u00e9 de manga rosa e, mais distante, o po\u00e7o de onde peg\u00e1vamos \u00e1gua. Tudo ali tinha algo de especial, at\u00e9 a despensa, que mais parecia um quarto enorme, com sacos de arroz da terra, milho para moer e fazer o p\u00e3o de milho (cuscuz), rapadura, mel de engenho, galinha de a\u00e7\u00facar (pirulito em formato de\u00a0galinha) e doce de leite.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-606 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-2-1-249x300.jpg\" alt=\"\" width=\"249\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-2-1-249x300.jpg 249w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-2-1-550x663.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-2-1-230x277.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2024\/12\/47-Comidas-que-emocionam-VII-Eliane-Regis-2-1.jpg 639w\" sizes=\"auto, (max-width: 249px) 100vw, 249px\" \/><\/p>\n<p>Rever familiares, brincar com os primos e estar com os av\u00f3s era motivo de imensa felicidade. Os passeios a p\u00e9 ou de carro de boi do s\u00edtio at\u00e9 a pequena cidade de Pedra Branca, as noites escuras com lampi\u00f5es acesos, as hist\u00f3rias contadas ao redor do fog\u00e3o a lenha, os abra\u00e7os e o descanso na rede da sala com piso r\u00fastico, ao lado do silo de gr\u00e3os. O dia da despedida era o mais dif\u00edcil, mas sab\u00edamos que no pr\u00f3ximo ano estar\u00edamos de volta. Apesar da vida simples, tive uma inf\u00e2ncia rica em amor, cultura e comida verdadeira.<\/p>\n<p>Aos doze anos, fui para S\u00e3o Paulo morar na casa de parentes, irm\u00e3o e irm\u00e3 do meu pai, com o objetivo de estudar e proporcionar uma vida melhor para minha fam\u00edlia. Muitos desafios surgiram nessa caminhada, muitos aprendizados e pessoas incr\u00edveis, que levo comigo at\u00e9 hoje. Constitu\u00eda minha fam\u00edlia, tenho duas filhas e morei em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil. Dediquei grande parte da minha vida ao meu lar, sempre prezando o bem-estar e o cuidado com os meus.<\/p>\n<p>Quando minha filha mais nova completou doze anos, retomei os estudos e surgiu a oportunidade de fazer um curso na \u00e1rea gastron\u00f4mica. Pensei que seria uma \u00f3tima chance para, no futuro, colocar em pr\u00e1tica tudo o que aprenderia. Mas, ao fim de apenas duas semanas de curso, j\u00e1 sabia que queria botar em pr\u00e1tica os conhecimentos adquiridos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. A cada semana, novas descobertas me fascinavam. E foi no decorrer do curso que fui apresentada ao movimento *Slow Food*, que busca preservar a biodiversidade, valorizar a ancestralidade e dar reconhecimento a quem produz.<\/p>\n<p>Essa lembran\u00e7a me veio \u00e0 mente: meu pai vendia a produ\u00e7\u00e3o da nossa terra a um atravessador que a revendia para o Ceasa de Campina Grande. Lembro de um dia em que ele recusou uma carrada de coentro, alegando que n\u00e3o valeria a pena comprar. A dor no olhar dos meus pais ficou marcada em minha mem\u00f3ria. Naquele momento, n\u00e3o pude fazer nada. Mas hoje, sei que tenho a oportunidade de estudar e colocar em pr\u00e1tica o que aprendi, ajudando outras fam\u00edlias a valorizarem o que produzem.<\/p>\n<p>Antes de concluir o curso, recebi um convite para chefiar os eventos da *Cooperativa Central do Cerrado*, onde permaneci por dois anos. Foi uma imers\u00e3o nas riquezas mais preciosas que o Brasil tem a oferecer. Tive acesso a diversas comunidades e organiza\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de me tornar uma pessoa mais humana.<\/p>\n<p>No entanto, percebi que precisava seguir em busca da realiza\u00e7\u00e3o de outros sonhos. Compreendi que ainda tenho muito a aprender com as comunidades rurais e que, embora saiba pouco, me sinto mais realizada nos ro\u00e7ados do Brasil. Levei as riquezas de nossa terra para o *Terra Madre*, evento realizado a cada dois anos em Turim, em 2018. Voltei encantada com o aprendizado e com uma fome insaci\u00e1vel de mais conhecimento, apesar das limita\u00e7\u00f5es. Sa\u00ed com a certeza de que preciso, a cada dia, me conectar mais com a vida rural, levando o pouco que sei e me enchendo de sabedoria com os povos que preservam a nossa cultura e biodiversidade.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a depende de cada um de n\u00f3s. Vivemos em um mundo onde a maioria pensa apenas em seu pr\u00f3prio bem-estar. Eu sonho com um mundo em que todas as pessoas tenham comida na mesa, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e um planeta melhor para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BOLO P\u00c9 DE MOLEQUE<br \/>\nIngredientes:<\/p>\n<p>500g de massa de mandioca (massa puba);<br \/>\n3 ovos;<br \/>\n3 colheres de caf\u00e9 de cravo em p\u00f3;<br \/>\n3 colheres de sopa de canela em p\u00f3;<br \/>\n2\/3 de x\u00edcara de ch\u00e1 de leite de coco;<br \/>\n300gr de coco fresco ralado;<br \/>\n1 pitada de sal;<br \/>\n3 colheres de sopa de manteiga;<br \/>\n2 x\u00edcaras de ch\u00e1 de a\u00e7\u00facar mascavo ou rapadura ralada;<br \/>\n2 folhas de bananeira medindo 50&#215;25 higienizada.<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o: Puba, conhecida como massa puba, \u00e9 uma palavra derivada do tupi antigo &#8211; puba significa \u201cfermentado\u201d, ou pub, \u201cmole\u201d &#8211; \u00e9 uma massa extra\u00edda da mandioca fermentada.<\/p>\n<p>Segue o passo a passo de como minha av\u00f3 e a minha m\u00e3e preparavam a massa de mandioca:<br \/>\n2kg de macaxeira descascada;<br \/>\n1 pote de barro ou caldeir\u00e3o de alum\u00ednio de 5 litros;<br \/>\n\u00c1gua suficiente para encher o pote ou caldeir\u00e3o.<\/p>\n<p>MODO DE PREPARO<br \/>\nColoque a macaxeira em um pote ou panela de barro. Complete com \u00e1gua, tampe e deixe de 4 a 8 dias, sempre completando a \u00e1gua, se necess\u00e1rio.<br \/>\nPassados os dias, retire a macaxeira fermentada. Retire os talos e passe a macaxeira por uma peneira bem grossa. Depois lave massa puba e repita o processo de 2 a 3 vezes, coloque a massa em um pano para escorrer.<br \/>\nEsprema para que saia todo o l\u00edquido e fique uma massa enxuta. Armazene a massa no refrigerador por uma semana ou no freezer por at\u00e9 30 dias.<\/p>\n<p>Coloque a massa em uma bacia e acrescente os ovos inteiros, o coco ralado, o a\u00e7\u00facar mascavo &#8211; ou a rapadura ralada &#8211; a manteiga, o leite de coco, a canela e o cravo.<\/p>\n<p>Sele as folhas de bananeira na chama do fogo. Adicione a massa nas folhas de bananeira, formando um quadrado. Amarre como se fosse um pacote ou um envelope &#8211; use tiras da pr\u00f3pria folha de bananeira para amarrar.<br \/>\nMinha av\u00f3 e a minha m\u00e3e assavam o p\u00e9 de moleque no forno em que era feita a farinhada, virando para que assassem uniformemente. Mas a forma com que preparei foi assado em uma panela &#8211; pode ser frigideira, chapa ou no forno convencional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DICA DO SOMMELIER:\u00a0<\/strong>Deguste o Bolo P\u00e9 de Moleque acompanhado com um bom caf\u00e9 coado bem quentinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 a sua hist\u00f3ria sobre comida afetiva? Aqueles pratos da sua inf\u00e2ncia que vinham da cozinha da sua m\u00e3e ou da sua av\u00f3. Pratos que s\u00e3o mais do que simples alimentos, que representam gestos de carinho, envolvem emo\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias e trazem um senso de pertencimento. Qual \u00e9 a sua &#8220;Madeleine de Proust&#8221;? 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