{"id":620,"date":"2025-01-02T12:47:05","date_gmt":"2025-01-02T15:47:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/?p=620"},"modified":"2025-01-02T14:37:21","modified_gmt":"2025-01-02T17:37:21","slug":"qual-e-a-sua-historia-sobre-a-comida-afetiva-ix-responde-neuza-venancio-mignot","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2025\/01\/02\/qual-e-a-sua-historia-sobre-a-comida-afetiva-ix-responde-neuza-venancio-mignot\/","title":{"rendered":"QUAL \u00c9 A SUA HIST\u00d3RIA SOBRE A COMIDA AFETIVA? IX &#8211; responde Neuza Venancio Mignot"},"content":{"rendered":"<p><strong>Qual \u00e9 a sua hist\u00f3ria sobre comida afetiva? <\/strong>Aqueles pratos da sua inf\u00e2ncia que vinham da cozinha da sua m\u00e3e ou da sua av\u00f3. Pratos que s\u00e3o mais do que simples alimentos, que representam gestos de carinho, envolvem emo\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias e trazem um senso de pertencimento.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a sua &#8220;Madeleine de\u00a0Proust&#8221;? Aquele sabor ou cheiro que o transporta para o passado, evocando mem\u00f3rias profundas e, muitas vezes, inesperadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-624 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/01\/11418227_664284787036748_2094487482_n-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"1209\" height=\"906\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/01\/11418227_664284787036748_2094487482_n-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/01\/11418227_664284787036748_2094487482_n-768x576.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/01\/11418227_664284787036748_2094487482_n-800x600.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/01\/11418227_664284787036748_2094487482_n-550x413.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/01\/11418227_664284787036748_2094487482_n-230x173.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/01\/11418227_664284787036748_2094487482_n.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 1209px) 100vw, 1209px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Sede da Fazenda de S\u00e3o Pedro &#8211; Goiaba<\/strong><\/p>\n<p>Neuza Venancio Mignot, professora, decoradora e empres\u00e1ria\u00a0da\u00a0moda, mora em Campos dos Goytacazes-RJ, hoje est\u00e1 com 93 anos e trabalhou, com muito orgulho e prazer, at\u00e9 os 88 de idade. \u00c9 minha tia querida, irm\u00e3 da minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNas d\u00e9cadas de 1930\/1940, perto de Tocos-RJ, na Fazenda de S\u00e3o Pedro, que a fam\u00edlia conhece como Goiaba, onde meus pais se casaram e nasceram 6 dos 9 filhos, levant\u00e1vamos \u00e0s 6h e tom\u00e1vamos o caf\u00e9 da manh\u00e3. \u00a0Entre as 9 e 10 horas, era o lanche, e mam\u00e3e fazia solda de p\u00e3o ou papa de milho, mas n\u00e3o era o momento para comer muito.<\/p>\n<p>Tenho saudades da solda de p\u00e3o. J\u00e1 tentei fazer, mas n\u00e3o tenho certeza se deu certo ou n\u00e3o. Perguntei para minha irm\u00e3 Nair, mas ela tamb\u00e9m n\u00e3o se lembrava da receita. Mas recordo que \u00e9 feita com leite, p\u00e3o dormido e a\u00ed coloca a\u00e7\u00facar e canela, cozinha at\u00e9 ficar no ponto entre uma sopa e um mingau.<\/p>\n<p>Depois almo\u00e7\u00e1vamos entre 11h e meio-dia. A comida n\u00e3o mudava, era arroz, feij\u00e3o e carne. Quando pergunt\u00e1vamos, <em>\u201cmam\u00e3e qual \u00e9 a sobremesa hoje do almo\u00e7o?<\/em>\u201d, ela sempre respondia, <em>\u201cPomar! No pomar tem muita fruta e cada um vai l\u00e1 e pode escolher o que quiser<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0s 15h era o caf\u00e9 da tarde, mam\u00e3e botava a mesa com bolo ou rosquinhas da Padaria S\u00e3o Jos\u00e9, que era do meu tio Filhinho. Depois, j\u00e1 morando na cidade, mam\u00e3e comprava 200 rosquinhas e meu irm\u00e3o Francisco e seus amigos apostavam quem, jogando as rosquinhas para cima, conseguiria pegar na boca a maior quantidade.<\/p>\n<p>Quando chegava a noite tinha sempre uma sopa. Papai n\u00e3o gostava de fil\u00e9 mignon achava muito mole, ent\u00e3o nunca com\u00edamos. S\u00f3 fui conhecer fil\u00e9 mignon depois de casada. Sua carne preferida\u00a0 era o ch\u00e3 de dentro (cox\u00e3o mole), fazia um rosbife grande, botava uma farofa ou farinha e comia isso em todos jantares.<\/p>\n<p>\u00c0s nove da noite, quem quisesse podia fazer um lanchinho, mas era dif\u00edcil, porque todo mundo gostava de dormir cedo. Ningu\u00e9m passava mal e n\u00e3o tinha este neg\u00f3cio de fazer muita digest\u00e3o. \u00c9 assim que a gente vivia muito feliz porque tinha aquela m\u00e3e que gostava muito de fazer as coisas.<\/p>\n<p>A papa de milho dela era diferente, nunca talhou. Uma vez na praia de Atafona, mam\u00e3e e a irm\u00e3, tia Mariquita, ficaram fazendo uma papa de milho muito doce, cada uma com a sua panela. Minha tia perguntou para mam\u00e3e, <em>\u201ccomo voc\u00ea faz a papa de milho?\u201d. <\/em>\u00a0\u201c<em>Eu coloco o milho na \u00e1gua, e s\u00f3 quando est\u00e1 fervendo \u00e9 que boto o leite e os ingredientes\u201d.<\/em> Minha tia disse que n\u00e3o era assim e que tinha de colocar tudo de uma vez no leite, para ferver junto. Resultado, a papa da tia talhou e a da mam\u00e3e ficou uma maravilha!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o s\u00e3o recorda\u00e7\u00f5es muito grandes que eu tenho destas coisas. Tamb\u00e9m tenho saudade do farte, biscoito feito pela minha av\u00f3 materna, vov\u00f3 Totonha, que ela sabia fazer perfeitamente. Papai adorava o farte, na \u00e9poca em que j\u00e1 mor\u00e1vamos na cidade, quando ele vinha da ro\u00e7a passava na casa da sogra para buscar alguns. Uma vez ele pediu para uma funcion\u00e1ria fazer o farte, e ele ficou t\u00e3o duro que matou o cachorro Veludo que comeu um. Ent\u00e3o ele nunca mais quis que ningu\u00e9m fizesse, s\u00f3 vov\u00f3.<\/p>\n<p>O farte \u00e9 um doce feito com banha de porco, a\u00e7\u00facar grosso, farinha de pau (mandioca) e um toque de pimenta do reino. Cozinha at\u00e9 ficar uma calda grossa. A\u00ed coloca num tabuleiro no forno brando, quando estiver bom, espera esfriar, corta em tiras, enrola e corta em biscoitos. \u00c9 uma receita portuguesa que se perdeu na fam\u00edlia, tentei fazer diversas vezes, mas\u00a0nunca\u00a0deu\u00a0certo.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s \u00e9ramos estudantes, j\u00e1 morando na cidade de Campos dos Goytacazes-RJ, mam\u00e3e fazia assim com o almo\u00e7o de quem estudava de manh\u00e3, ela j\u00e1 servia o prato, e tampava com um prato por cima e colocava na estufa do fog\u00e3o de lenha. Assim quando a gente chegasse estava morninho, n\u00e3o tinha esse neg\u00f3cio de precisar esquentar porque o fog\u00e3o de lenha ainda estava meio quentinho.<\/p>\n<p>Outra coisa que eu tenho recorda\u00e7\u00e3o \u00e9 das caldeiras do fog\u00e3o de lenha, eram como se fossem um bueiro para cozinhar, ficavam sempre cheias de \u00e1gua e tampadas. Serviam tanto para cozinhar como para tomar o banho a cavalo com \u00e1gua quente, na Goiaba n\u00e3o tinha chuveiro.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca das rom\u00e3s, vov\u00f3 Totonha mandava o Velho Jo\u00e3o, empregado da padaria S\u00e3o Jos\u00e9, que era do seu filho, me avisar que as rom\u00e3s j\u00e1 estavam maduras para eu poder aproveitar. Eu ia muito na casa de vov\u00f3, porque al\u00e9m das coisas muito gostosas que ela fazia, convers\u00e1vamos muito sobre diversos assuntos. O pomar e a horta da casa dela eram t\u00e3o grandes que papai chamava o local de Horto Florestal.<\/p>\n<p>A comida afetiva \u00e9 mais do que um alimento; \u00e9 um gesto de carinho e uma forma de criar conex\u00f5es com o passado e com quem amamos.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Receita Tradicional de Biscoito Farte<\/strong><\/h3>\n<h4><strong>Ingredientes<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>1 kg de polvilho doce<\/li>\n<li>2 ovos<\/li>\n<li>2 colheres de sopa de banha de porco (ou manteiga, dependendo da regi\u00e3o)<\/li>\n<li>1 x\u00edcara de a\u00e7\u00facar<\/li>\n<li>1 pitada de sal<\/li>\n<li>Leite ou \u00e1gua morna, o suficiente para dar ponto \u00e0 massa<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Modo de Preparo<\/strong><\/h4>\n<ol>\n<li><strong>Preparar a massa:<\/strong>\n<ul>\n<li>Em uma tigela grande, misture o polvilho com o a\u00e7\u00facar e o sal.<\/li>\n<li>Acrescente a banha de porco e os ovos, misturando bem com as m\u00e3os ou uma colher de pau.<\/li>\n<li>Adicione o leite ou \u00e1gua morna aos poucos, at\u00e9 obter uma massa lisa e mold\u00e1vel.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li><strong>Modelar os biscoitos:<\/strong>\n<ul>\n<li>Modele os biscoitos no formato tradicional (argolas, bast\u00f5es ou bolinhas) \u00e0 m\u00e3o.<\/li>\n<li>Essa etapa costuma ser feita em conjunto nas fazendas, como uma atividade familiar ou comunit\u00e1ria.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li><strong>Assar:<\/strong>\n<ul>\n<li>Coloque os biscoitos em uma assadeira untada ou forrada com folha de bananeira, como era feito tradicionalmente.<\/li>\n<li>Leve ao forno de barro ou ao forno convencional preaquecido a 180\u00b0C.<\/li>\n<li>Asse at\u00e9 que os biscoitos fiquem firmes e levemente dourados na parte inferior (cerca de 15 a 25 minutos, dependendo do forno).<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li><strong>Servir:<\/strong>\n<ul>\n<li>Deixe esfriar antes de guardar em potes.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>DICA DO SOMMELIER:<\/strong> harmonize com caf\u00e9 coado no coador de pano ou com leite fresco das fazendas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 a sua hist\u00f3ria sobre comida afetiva? 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IX - responde Neuza Venancio Mignot - Conversando sobre Vinho<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2025\/01\/02\/qual-e-a-sua-historia-sobre-a-comida-afetiva-ix-responde-neuza-venancio-mignot\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"QUAL \u00c9 A SUA HIST\u00d3RIA SOBRE A COMIDA AFETIVA? IX - responde Neuza Venancio Mignot - Conversando sobre Vinho\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Qual \u00e9 a sua hist\u00f3ria sobre comida afetiva? Aqueles pratos da sua inf\u00e2ncia que vinham da cozinha da sua m\u00e3e ou da sua av\u00f3. 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