{"id":696,"date":"2025-02-04T07:00:44","date_gmt":"2025-02-04T10:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/?p=696"},"modified":"2025-02-04T08:25:42","modified_gmt":"2025-02-04T11:25:42","slug":"qual-e-a-sua-historia-sobre-a-comida-afetiva-xiv-responde-osmir-moraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/2025\/02\/04\/qual-e-a-sua-historia-sobre-a-comida-afetiva-xiv-responde-osmir-moraes\/","title":{"rendered":"QUAL \u00c9 A SUA HIST\u00d3RIA SOBRE A COMIDA AFETIVA? XIV \u2013 responde Osmir Moraes"},"content":{"rendered":"<p><strong>QUAL \u00c9 A SUA HIST\u00d3RIA SOBRE A COMIDA AFETIVA? XIV \u2013 responde Osmir Moraes<\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua hist\u00f3ria sobre comida afetiva? <\/strong>Aqueles pratos da sua inf\u00e2ncia que vinham da cozinha da sua m\u00e3e ou da sua av\u00f3. Pratos que s\u00e3o mais do que simples alimentos, que representam gestos de carinho, envolvem emo\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias e trazem um senso de pertencimento.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a sua &#8220;Madeleine de Proust&#8221;? Aquele sabor ou cheiro que o transporta para o passado, evocando mem\u00f3rias profundas e, muitas vezes, inesperadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-697 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--300x170.jpg\" alt=\"\" width=\"1188\" height=\"673\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--300x170.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--768x435.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--1024x580.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--1440x816.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--800x453.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--550x312.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR--230x130.jpg 230w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/conversandosobrevinho\/wp-content\/uploads\/sites\/70\/2025\/02\/OSMIR-.jpg 1669w\" sizes=\"auto, (max-width: 1188px) 100vw, 1188px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Osmir Moraes \u00e9 Engenheiro Qu\u00edmico e Consultor na \u00e1rea downstream (ind\u00fastria do petr\u00f3leo) (*)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dizem que a primeira vez ningu\u00e9m esquece. Seis anos de idade, a aventura de pegar duas lota\u00e7\u00f5es de m\u00e3os dadas com a mo\u00e7a que tomava conta de mim naquele tempo n\u00e3o existiam as bab\u00e1s<\/p>\n<p>Sem eu saber, acredito que nem meu pai nem minha m\u00e3e sabiam, fui ao cinema pela primeira vez<\/p>\n<p>Tudo escuro, cadeira dura eu escorregava quase caindo no ch\u00e3o, pois tinha que sentar bem na pontinha para ver a tela, que estava coberta com um pano roxo parecido com os que minha m\u00e3e cobria os espelhos na quaresma<\/p>\n<p>Uma m\u00fasica desconhecida, anos depois a descobri, era m\u00fasica cl\u00e1ssica. Qual? N\u00e3o me recordo.<\/p>\n<p>O cinema tinha uma n\u00e9voa que mesmo no escuro dava para sentir e toca-la; eram as pessoas fumando. Cheiro horr\u00edvel! Ser\u00e1 que veio da\u00ed a minha avers\u00e3o ao cigarro?<\/p>\n<p>Vai come\u00e7ar, anuncia um facho branco de luz nublado. Primeiro susto, as pessoas come\u00e7aram a gritar sssh sshh quando surgiu uma ave que parecia um urubu. Conhecia o bicho, era um daqueles que ficavam em frente a um matadouro de animais, que naquela \u00e9poca de ambiente inteiro, era quase que dentro da cidade de Petr\u00f3polis-RJ.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 a\u00e7\u00e3o. O filme se chamava, hoje eu sei, \u201dO C\u00e3o dos Baskervilles \u201c com Peter Cushing e Christopher Lee. Sherlock Holmes era o personagem principal, mas o que ficou para mim, nas noites seguintes, ainda que mal dormidas, foram as cenas dos c\u00e3es, que me faziam lembrar do Cine Gl\u00f3ria<\/p>\n<p>Depois vieram os filmes ao ar livre na Pra\u00e7a da Liberdade, ap\u00f3s andar de \u201cbodinhos \u201c. Vieram as matin\u00eas no cine Petr\u00f3polis aos domingos para ver \u201cAs Aventuras de Tom e Jerry \u201c, mas a\u00ed \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Depois do cinema tinha o lanche em casa. Era assim. Casa grande, j\u00e1 tinha sido min\u00fascula com banheiro fora da casa, minha m\u00e3e na cozinha, redundante, filha de portugueses tinha o dom, vinha no DNA j\u00e1 para colocar no curr\u00edculo.<\/p>\n<p>Ao lado do fog\u00e3o, o botij\u00e3o de g\u00e1s todo paramentado, vestido de branco com bordados em vermelhos de v\u00e1rios tons com o toque do verde escuro.<\/p>\n<p>Do outro lado, uma lata quadrada de banha de porco de 18 litros, que eu acreditava capaz de \u201cmoto- continuo\u201d, pois durante a minha inf\u00e2ncia nunca a vi vazia.<\/p>\n<p>A porta da cozinha sempre fechada, sen\u00e3o o vento apagava as chamas; quando entr\u00e1vamos logo ouv\u00edamos o alerta \u201cfeche a porta\u201c. Mas bastava o aroma que vinha das frestas para sabermos que minha m\u00e3e estava trocando ideias com a deusa Dem\u00e9ter.<\/p>\n<p>Somos tr\u00eas irm\u00e3os \u201ccriados por m\u00e3e\u201d, dengados e dengosos, cada um n\u00e3o gostava de algum alimento e nunca eram os mesmos, por isso na mesa sempre t\u00ednhamos tr\u00eas combina\u00e7\u00f5es para agradar a cada um.<\/p>\n<p>Das minhas lembran\u00e7as, a mais forte vem pelo olfato e, at\u00e9 hoje, minha boca enche d\u2019\u00e1gua : era\u00a0 a \u201ccuca\u201c de banana que minha m\u00e3e fazia .<\/p>\n<p>N\u00e3o sabia \u00e0 \u00e9poca que o nome \u201ccuca\u201c vem de kuchen (bolo em alem\u00e3o) tudo a ver com Petr\u00f3polis, cidade onde nasci, colonizada por alem\u00e3es.<\/p>\n<p>Bananas nanicas cortadas bem finas, receio dizer transparentes, acomodadas em um ber\u00e7o retangular da forma de bolo.<\/p>\n<p>Saindo do forno, quentinha, era s\u00f3 fazer uma \u201cchuvinha\u201c de canela em p\u00f3 e concorrer com meus irm\u00e3os. Uma del\u00edcia, uma unanimidade.<\/p>\n<p>Aprendi bem cedo que a primeira vez ningu\u00e9m esquece. Saudades da minha m\u00e3e\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) O Osmir tamb\u00e9m \u00e9 meu amigo e padrinho de casamento. Ele se apresenta como sendo \u201calegre e\u00a0 <em>facinho<\/em> de gostar dele!\u201c<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Receita Tradicional Alem\u00e3 de Cuca de Banana<\/strong><\/p>\n<p>Uma del\u00edcia macia e coberta com farofa crocante, bem t\u00edpica da confeitaria alem\u00e3 e muito popular no sul do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Ingredientes:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para a massa:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>500 g de farinha de trigo<\/li>\n<li>10 g de fermento biol\u00f3gico seco (ou 30 g de fermento biol\u00f3gico fresco)<\/li>\n<li>100 g de a\u00e7\u00facar<\/li>\n<li>1 pitada de sal<\/li>\n<li>250 ml de leite morno<\/li>\n<li>80 g de manteiga (derretida)<\/li>\n<li>2 ovos<\/li>\n<li>1 colher (ch\u00e1) de ess\u00eancia de baunilha (opcional)<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Para a cobertura (Streusel \u2013 farofa crocante):<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>100 g de manteiga gelada<\/li>\n<li>100 g de a\u00e7\u00facar<\/li>\n<li>150 g de farinha de trigo<\/li>\n<li>1 colher (ch\u00e1) de canela em p\u00f3 (opcional)<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Recheio:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>5 a 6 bananas maduras fatiadas<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Modo de Preparo:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> Preparando a massa:<\/strong><\/li>\n<li>Em uma tigela grande, misture o fermento com o leite morno e uma colher de a\u00e7\u00facar. Deixe descansar por 5 a 10 minutos at\u00e9 espumar.<\/li>\n<li>Adicione a farinha, o restante do a\u00e7\u00facar, o sal, a manteiga derretida e os ovos. Misture bem e sove por cerca de 10 minutos at\u00e9 obter uma massa lisa e homog\u00eanea.<\/li>\n<li>Cubra com um pano e deixe crescer em um local morno por aproximadamente <strong>1 hora<\/strong>, ou at\u00e9 dobrar de volume.<\/li>\n<li><strong> Preparando a farofa Streusel:<\/strong><\/li>\n<li>Em uma tigela, misture a farinha, o a\u00e7\u00facar e a canela.<\/li>\n<li>Adicione a manteiga gelada cortada em cubos e misture com as pontas dos dedos at\u00e9 formar uma farofa granulada. Reserve na geladeira.<\/li>\n<li><strong> Montagem e finaliza\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/li>\n<li>Unte uma forma retangular m\u00e9dia e espalhe a massa fermentada uniformemente.<\/li>\n<li>Distribua as fatias de banana por cima da massa.<\/li>\n<li>Polvilhe a farofa Streusel sobre as bananas, cobrindo bem toda a superf\u00edcie.<\/li>\n<li>Deixe descansar por mais 20 minutos enquanto pr\u00e9-aquece o forno a <strong>180\u00b0C<\/strong>.<\/li>\n<li><strong> Assando:<\/strong><\/li>\n<li>Asse em forno preaquecido por <strong>35 a 40 minutos<\/strong>, ou at\u00e9 a cuca dourar levemente por cima.<\/li>\n<li>Deixe esfriar<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>DICA DO SOMMELIER: <\/strong>na hora do lanche eu acompanharia com caf\u00e9 coado, seu amargor ir\u00e1 contrastar bem com a do\u00e7ura da cuca, com ch\u00e1 preto ou o ch\u00e1 de canela<strong> (<\/strong>infus\u00e3o erroneamente chamada de ch\u00e1) que trar\u00e1 um toque arom\u00e1tico que harmonizar\u00e1 com a leveza da massa.<\/p>\n<p>Agora, tirando as crian\u00e7as da sala, se for para ter um \u00e1lcool, um espumante nacional Moscatel ou Demi-Sec ser\u00e1 uma boa pedida, oferecendo um equil\u00edbrio entre acidez, frescor e do\u00e7ura. Uma tacinha de um vinho de sobremesa de colheita tardia tamb\u00e9m cairia muito bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QUAL \u00c9 A SUA HIST\u00d3RIA SOBRE A COMIDA AFETIVA? XIV \u2013 responde Osmir Moraes Qual \u00e9 a sua hist\u00f3ria sobre comida afetiva? Aqueles pratos da sua inf\u00e2ncia que vinham da cozinha da sua m\u00e3e ou da sua av\u00f3. 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