Autor: Dad Squarisi
A implantação obrigatória da reforma ortográfica ganhou tempo. Até 31 de dezembro de 1916 conviverão as duas grafias — a antiga e a novinha. Com ou sem as mudanças, certas regras não sofreram nem arranhão. Mantêm a cara — sem tirar nem pôr. Uma delas se refere aos monossílabos. Nenhum — nenhum mesmo — sofreu alteração. Eis o xis da confusão. Muitos, apesar do respeito […]
“A presidente falou ao Conselhão que manterá o controle da inflação”, escrevemos na pág. 11. Que legenda ardilosa! Além da rima, fez-nos tropeçar no verbo. Falar não é verbo declarativo. Está proibido, por isso, de usurpar o lugar de dizer. A expressão “falou e disse” confirma que ambos não são sinônimos. Falar que? Nem pensar. Na dúvida, troque o falar pelo dizer. Se couber, mantenha […]
Flatônio José da Silva No título “Pressão acaba com 67 anos de privilégio” (capa), saiu este texto: “Terminou aprovada exatamente um ano depois de o Correio denunciar que, além de receberem os dois salários a mais, senadores ainda davam calote na Receita Federal”. Corrigindo: …além de receberem os dois salários a mais, os senadores davam calote na Receita Federal. Explicação — “Além dispensa também […]
Quem diria! O povo, antes tão cordato, mudou. Convocado pelas mídias sociais, foi às ruas. Cartazes, outdoors e passeatas tomaram contam de cidades de norte a sul do país. O recado era um só: Fora, Renan. Todos protestavam contra a eleição de Renan Calheiros para presidente do Senado. A razão: envolvido em escândalo, ele renunciou ao mesmo cargo há quatro anos. Agora volta? Qual é, […]
“…agora eles vem dizer que só votaram essa lei por que o governo não se pronunciou”, escrevemos na pág. 31. Puxa! Uma frase, dois tropeços. O 1º: eles vêm mantém o acento (ele vem, eles vêm). O 2º: a conjunção causal porque escreve-se coladinha. Melhor: …agora eles vêm dizer que só votaram essa lei porque o governo não se pronunciou.
Viva! A lei do menor esforço merece banda de música e tapete vermelho. Com razão. No corre-corre diário, o tempo ocupa o pódio dos bens preciosos. Daí o mandamento — menor é melhor. Os pronomes, solidários, vão ao encontro das urgências do falante. Oferecem-se em forma de abreviatura. Para lançar mão da facilidade, não bobeie. Use-a como manda a gramática. Deste jeitinho: papa: Vossa Santidade […]
Nós adoramos salamaleques. A língua, flexível como água, se molda a nossos caprichos. Uma das demonstrações de solidariedade da puxa-saco são os pronomes de tratamento. Afinal, nem todos são iguais perante a gramática. Alguns são mais iguais. É o caso das autoridades. Os poderosos não só têm poder. Precisam demonstrar o poder. O papa, por exemplo, é santidade. Os cardeiais, eminências. Os patriarcas das igrejas […]
“Pra mim chega”, decidiu o papa. Missão cumprida, Bento XVI sai de cena. Amanhã se recolhe a cela de convento no Vaticano. Vai rezar. Rezar muito. Enquanto ele conversa com Deus, os cardeais conversam entre si. Preparam-se para eleger o substituto do representante do Senhor na Terra. Que responsabilidade! O encontro dos prelados que se reúnem para escolher o sucessor de São Pedro tem nome. […]
“Estudantes obtiveram bons resultados a partir do processamento de cascas de eucalipto…” “…existem várias iniciativas para consolidar processo de produção de etanol a partir do bagaço e da palha de cana…” “…projetos para produzir álcool a partir de madeira existem no país…” “Como os estudantes fazem para obter etanol a partir da casca de eucalipto”, escrevemos na pág. 18. Valha-nos, Deus! Cadê a preposição? O […]
Ótica? Óptica? Óptico é relativo à visão (nervo óptico, músculo óptico). Ótico, ao ouvido. O p se impõe pra evitar confusão. No mais, prefere-se ótica: A miragem nada mais é que ilusão de ótica. Os fatos podem ser analisados sob diferentes óticas. A ótica é parte da física.

