{"id":12439,"date":"2017-01-13T11:13:21","date_gmt":"2017-01-13T13:13:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=12439"},"modified":"2017-01-13T11:13:21","modified_gmt":"2017-01-13T13:13:21","slug":"virgula-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/virgula-1\/","title":{"rendered":"V\u00edrgula 1"},"content":{"rendered":"<p>\u201cToda unanimidade \u00e9 burra\u201d, repetia Nelson Rodrigues. Ser\u00e1? O teatr\u00f3logo sem<\/p>\n<p>papas na l\u00edngua talvez tenha raz\u00e3o. Por sorte \u00e9 rara a opini\u00e3o compartilhada por 100%<\/p>\n<p>das pessoas. H\u00e1 sempre uma ou outra que discorda. Viva!<\/p>\n<p>A refer\u00eancia ao autor de <em>Toda nudez ser\u00e1 castigada<\/em> n\u00e3o se deve ao acaso. Vem a<\/p>\n<p>prop\u00f3sito de uma quase unanimidade lingu\u00edstica. Trata-se do emprego dos sinais de<\/p>\n<p>pontua\u00e7\u00e3o e nota\u00e7\u00f5es l\u00e9xicas. Ponto, v\u00edrgula, ponto e v\u00edrgula, dois-pontos, travess\u00e3o,<\/p>\n<p>par\u00eanteses d\u00e3o n\u00f3 nos miolos de gregos, troianos e baianos.<\/p>\n<p>S\u00e3o o maior trope\u00e7o no Enem e nos concursos p\u00fablicos. Que tal acabar com o<\/p>\n<p>calo t\u00e3o doloroso? \u00c9 poss\u00edvel. A coluna vai abordar o assunto passo a passo. O primeiro<\/p>\n<p>ser\u00e1 a v\u00edrgula. Vamos l\u00e1?<\/p>\n<p><strong>Origem<\/strong><\/p>\n<p>A palavra v\u00edrgula nasceu no latim. Na l\u00edngua dos C\u00e9sares, queria dizer varinha.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m significava linha ou pequeno tra\u00e7o. Depois, virou sinal de pontua\u00e7\u00e3o. Indica<\/p>\n<p>pausa r\u00e1pida, menor que a do ponto.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00eamica<\/strong><\/p>\n<p>A dondoca atravessou os s\u00e9culos. No percurso, suscitou discuss\u00f5es. Alguns<\/p>\n<p>afirmam que seu emprego \u00e9 quest\u00e3o de gosto. A gente p\u00f5e o sinalzinho onde tem<\/p>\n<p>vontade. Outros dizem que basta ler a frase. Parou pra respirar? Pronto. Taca-lhe a<\/p>\n<p>v\u00edrgula. A\u00ed pinta um problema. Como os gagos e os asm\u00e1ticos se viram?<\/p>\n<p>Outros, ainda, acham que devem usar todas as v\u00edrgulas a que t\u00eam direito \u2013 as<\/p>\n<p>obrigat\u00f3rias e as facultativas. \u00c9 o caso do amanuense Borjalino Ferraz. O homem<\/p>\n<p>estudou o assunto anos a fio. Aprendeu tudo. Esnobava o saber em of\u00edcios e<\/p>\n<p>memorandos. N\u00e3o deixava passar uma.<\/p>\n<p>O chefe reclamou do exagero. \u201cDesse jeito\u201d, disse ele, \u201co amigo acaba com o<\/p>\n<p>estoque. O munic\u00edpio n\u00e3o tem dinheiro pra comprar v\u00edrgulas novas.\u201d O pux\u00e3o de orelhas<\/p>\n<p>entrou por um ouvido e saiu por outro. O prefeito n\u00e3o p\u00f4de fazer nada. Borjalino tinha<\/p>\n<p>estabilidade.<\/p>\n<p><strong>X\u00f4, palpites<\/strong><\/p>\n<p>O emprego da t\u00e3o temida pausa \u00e9 importante demais para ser entregue a<\/p>\n<p>palpiteiros. Ele obedece a regras objetivas. S\u00e3o apenas tr\u00eas. Conhecendo-as, dominam-<br \/>\nse 99,9% dos casos. A\u00ed, adeus, d\u00favidas. Adeus, trope\u00e7os. Adeus, recados trocados.<\/p>\n<p>Sobretudo, adeus, perda de pontos, de promo\u00e7\u00f5es e de amores.<\/p>\n<p><strong>As regras<\/strong><\/p>\n<p>A v\u00edrgula separa:<\/p>\n<p>1. Termos e ora\u00e7\u00f5es coordenados<\/p>\n<p>2. Termos e ora\u00e7\u00f5es explicativos<\/p>\n<p>3. Termos e ora\u00e7\u00f5es deslocados<\/p>\n<p>Como diz o esquartejador, vamos por partes. Comecemos pelos termos<\/p>\n<p>coordenados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cToda unanimidade \u00e9 burra\u201d, repetia Nelson Rodrigues. Ser\u00e1? O teatr\u00f3logo sem papas na l\u00edngua talvez tenha raz\u00e3o. Por sorte \u00e9 rara a opini\u00e3o compartilhada por 100% das pessoas. H\u00e1 sempre uma ou outra que discorda. Viva! A refer\u00eancia ao autor de Toda nudez ser\u00e1 castigada n\u00e3o se deve ao acaso. Vem a prop\u00f3sito de uma quase unanimidade lingu\u00edstica. Trata-se do emprego dos sinais de pontua\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[203],"tags":[],"class_list":["post-12439","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugues"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12439"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12439\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12440,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12439\/revisions\/12440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}