{"id":12451,"date":"2017-01-18T10:06:22","date_gmt":"2017-01-18T12:06:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=12451"},"modified":"2017-01-18T10:06:22","modified_gmt":"2017-01-18T12:06:22","slug":"virgula-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/virgula-5\/","title":{"rendered":"V\u00edrgula 5"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA crase n\u00e3o foi feita pra humilhar ningu\u00e9m\u201d, escreveu Ferreira Gullar. \u201cNem a v\u00edrgula\u201d, completou Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Carvalho. O autor de <i>O coronel e o lobisomem <\/i>sabia das coisas. Nos tempos em que a escola ensinava e aluno aprendia, ele entendeu as manhas da l\u00edngua. Uma das descobertas foi a engenhosidade da v\u00edrgula.<\/p>\n<p>Descobriu que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es. O sinalzinho n\u00e3o cai do c\u00e9u. Nem se curva a caprichos de crian\u00e7a manhosa. Ele obedece a tr\u00eas regras definidas. Separa termos e ora\u00e7\u00f5es coordenados, explicativos e deslocados. Os coordenados foram assunto das li\u00e7\u00f5es anteriores. Chegou a vez dos explicativos.<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 isso?<\/b><\/p>\n<p>Os termos explicativos t\u00eam v\u00e1rias caras. Uma \u00e9 velha conhecida. Trata-se do aposto. Lembra-se?<\/p>\n<p><i>*Bras\u00edlia, a capital do Brasil, tem 3 milh\u00f5es de habitantes.<\/i><\/p>\n<p>Os professores n\u00e3o se cansam de repetir que o aposto n\u00e3o faz falta. Pode cair fora. Verdade? \u00c9. Ele facilita a vida do leitor, mas a aus\u00eancia da criatura redundante n\u00e3o faz falta ao entendimento da frase. Se eu n\u00e3o sei que Bras\u00edlia \u00e9 a capital do pa\u00eds, tenho sa\u00edda. Consulto. A resposta \u00e9 certa. Afinal, o Brasil s\u00f3 tem uma capital.<\/p>\n<p><b>Chute?<\/b><\/p>\n<p>Compare as frases:<\/p>\n<p><i>O presidente da Rep\u00fablica, Michel Temer, esteve em Portugal.<\/i><\/p>\n<p><i>O ex-presidente da Rep\u00fablica Jos\u00e9 Sarney tamb\u00e9m esteve em Portugal.<\/i><\/p>\n<p>Por que um nome vem entre v\u00edrgulas e o outro n\u00e3o? \u00c9 chute? N\u00e3o. O segredo est\u00e1 no que vem antes do nome. No primeiro caso, \u00e9 <i>presidente da Rep\u00fablica<\/i>. Quantos existem? S\u00f3 um. <i>Michel Temer<\/i> \u00e9 termo explicativo. Funciona como aposto. Se o cortarmos, uma visitinha ao Google nos informa quem tem assento no Pal\u00e1cio do Planalto. Da\u00ed as v\u00edrgulas.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais de um ex-presidente. Se eu n\u00e3o disser a quem me refiro, deixo o leitor numa enrascada. Posso estar falando de Lula, FHC, Itamar Franco. A\u00ed s\u00f3 h\u00e1 um jeito: dar nome ao boi. <i>Jos\u00e9 Sarney<\/i> \u00e9 termo restritivo. N\u00e3o aceita v\u00edrgula.<\/p>\n<p><b>Mais exemplos<\/b><\/p>\n<p><i>D. Pedro II, imperador do Brasil, morreu em Paris.<\/i><\/p>\n<p><i>O ministro da Fazenda, Henrique Meireles, formou equipe respeitada.<\/i><\/p>\n<p><i>O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan d\u00e1 opini\u00e3o sobre a economia.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA crase n\u00e3o foi feita pra humilhar ningu\u00e9m\u201d, escreveu Ferreira Gullar. \u201cNem a v\u00edrgula\u201d, completou Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Carvalho. O autor de O coronel e o lobisomem sabia das coisas. Nos tempos em que a escola ensinava e aluno aprendia, ele entendeu as manhas da l\u00edngua. Uma das descobertas foi a engenhosidade da v\u00edrgula. Descobriu que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es. 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