{"id":12802,"date":"2017-05-29T09:26:19","date_gmt":"2017-05-29T12:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=12802"},"modified":"2017-05-29T09:27:01","modified_gmt":"2017-05-29T12:27:01","slug":"este-esse-ou-aquele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/este-esse-ou-aquele\/","title":{"rendered":"Este, esse ou aquele?"},"content":{"rendered":"<p>Cada dia com sua agonia. Surpresas pululam no Minist\u00e9rio P\u00fablico, na Justi\u00e7a, na pol\u00edcia, no Congresso, nas ruas. Em meio ao turbilh\u00e3o de dela\u00e7\u00f5es, um denominador comum sobressai. \u00c9 o dedo em riste. Acusa-se este. Denuncia-se aquele. Entram em cartaz, ent\u00e3o, os pronomes demonstrativos. Este, esse ou aquele? Depende.<\/p>\n<p>O trio d\u00e1 n\u00f3 em fuma\u00e7a. Arisco, n\u00e3o se deixa captar com facilidade. Quando empregar um? Quando \u00e9 a vez do outro? Por sorte, o papel deles \u00e9 bem definido. Eles s\u00e3o parecidos, mas n\u00e3o iguais. Vers\u00e1teis, t\u00eam tr\u00eas empregos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pessoas do discurso<\/b><\/p>\n<p>Pra entender o primeiro emprego, lembre-se das pessoas do discurso. Discurso, a\u00ed, significa conversa. Quem toma parte de um bate-papo? Tr\u00eas seres. Alguns interessantes, outros nem tanto. Quem s\u00e3o eles? Uma fala (1\u00aa pessoa), uma escuta (2\u00aa pessoa) e o assunto, que \u00e9 a pessoa de que se fala (3\u00aa).<\/p>\n<p>Imagine que Michel telefone para Rodrigo e lhe pergunte se viu o vandalismo na Esplanada. No caso, Michel fala. \u00c9 a 1\u00aa pessoa. Rodrigo escuta. \u00c9 a 2\u00aa. Do que eles falam? Do vandalismo na Esplanada. \u00c9 a 3\u00aa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong><b>Situa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o<\/b><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Os demonstrativos se prestam a papel pra l\u00e1 de importante. Indicam se o ser est\u00e1 perto da 1\u00aa, 2\u00aa ou longe de ambas. Veja: <\/strong><\/p>\n<p><strong><b>Este<\/b><\/strong>: diz que o objeto est\u00e1 perto da pessoa que fala (eu, n\u00f3s): <em><em><em>esta sala, <\/em>este livro, este celular<\/em> <\/em><em>(a sala, <\/em><em>o livro e o celular est\u00e3o perto da pe<\/em><em>ssoa que fala ou escreve<\/em><em>)<\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p><strong><b>Esse<\/b><\/strong>: informa que o objeto est\u00e1 perto da pessoa com quem se fala (voc\u00ea, tu): <em><i>essa sala<\/i><\/em><em> (a sala onde est\u00e1 a pessoa com quem falamos ou a quem escrevemos), <\/em><em><i>esse livro<\/i><\/em><em> (o livro est\u00e1 perto da <\/em><em>2\u00aa <\/em><em>pessoa), <\/em><em><i>essa institui\u00e7\u00e3o<\/i><\/em><em> (a institui\u00e7\u00e3o em que o leitor est\u00e1).<\/em><\/p>\n<p><b>Aquele<\/b>: diz que o objeto est\u00e1 longe da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala: <em><i>aquele<\/i><\/em> <em><i>quadro<\/i><\/em><em> (o quadro est\u00e1 longe das duas pessoas), <\/em><em><i>aquele cartaz, aquela torre<\/i><\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>2. S<\/b><b>itua\u00e7\u00e3o no tempo<\/b><\/p>\n<p><b>Este<\/b>: tempo presente: <em><i>esta semana<\/i><\/em><em> (a semana em curso), <\/em><em><i>este m\u00eas <\/i><\/em><em>(<\/em><em>maio, <\/em><em>m\u00eas em curso), <\/em><em><i>este ano<\/i><\/em><em> (<\/em><em>2017, <\/em><em>ano em curso)<\/em><\/p>\n<p><b>Esse \/ aquele<\/b>: tempo passado (esse: passado pr\u00f3ximo; aquele: passado remoto): <em>Estive em <\/em><em>Nova York<\/em><em> em 1992. Nesse (naquele) ano, <\/em><em>conheci os museus da cidade<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>N\u00f3 nos miolos<\/b><\/p>\n<p>Como saber se o passado \u00e9 pr\u00f3ximo ou remoto? Depende de cada um. O tempo \u00e9 psicol\u00f3gico. Uma hora com dor de dente \u00e9 uma eternidade. Se for \u00e0 noite, nem se fala. S\u00e3o duas eternidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>3. S<\/b><b>itua\u00e7\u00e3o no texto<\/b><\/p>\n<p>Eta emprego ardiloso! Pra desviar-se da cilada, lembre-se de pormenor pra l\u00e1 de importante. Texto, no caso, significa mensagem escrita ou falada. A palavra ou frase foi referida? Ent\u00e3o \u00e9 a vez do <i>esse<\/i>. Ser\u00e1 referida? O <i>este<\/i> pede passagem. Veja as manhas:<\/p>\n<p><strong><b>Este<\/b><\/strong>: exprime refer\u00eancia posterior (anuncia-se o fato que ser\u00e1 referido depois): O ministro disse esta frase: \u201cO vandalismo na Esplanada foi ato de insensatez\u201d.<\/p>\n<p>Reparou? A frase \u00e9 anunciada: \u201cdisse <b>esta <\/b>frase\u201d. Depois, expressa: \u201cO vandalismo na Esplanada foi ato de insensatez\u201d.<\/p>\n<p>Outro exemplo: <i>Mia Couto fez esta pergunta<\/i><i>: &#8220;<\/i><i>Qual a sauda\u00e7\u00e3o mais demorada?<\/i> (a pergunta \u00e9 anunciada: \u201cfez <b>esta <\/b>pergunta\u201d, depois, formulada).<\/p>\n<p><strong><b>Esse<\/b><\/strong>: refer\u00eancia posterior (o fato \u00e9 referido antes; depois, retomado): \u201cNada demora mais que as cortesias africanas. Sa\u00fadam-se os presentes, os idos, os chegados. Para que nunca haja ausentes\u201d. <b>Essa <\/b>resposta foi dada pelo escritor mo\u00e7ambicano Mia Couto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Superdica<\/strong><\/p>\n<p>Ao indicar situa\u00e7\u00e3o no texto, siga <b>este <\/b>conselho. Na d\u00favida, use <b>esse<\/b>. Voc\u00ea tem 90% de chance de acertar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada dia com sua agonia. Surpresas pululam no Minist\u00e9rio P\u00fablico, na Justi\u00e7a, na pol\u00edcia, no Congresso, nas ruas. Em meio ao turbilh\u00e3o de dela\u00e7\u00f5es, um denominador comum sobressai. \u00c9 o dedo em riste. Acusa-se este. Denuncia-se aquele. Entram em cartaz, ent\u00e3o, os pronomes demonstrativos. Este, esse ou aquele? Depende. O trio d\u00e1 n\u00f3 em fuma\u00e7a. Arisco, n\u00e3o se deixa captar com facilidade. Quando empregar um? 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