{"id":13328,"date":"2017-08-07T10:39:23","date_gmt":"2017-08-07T13:39:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=13328"},"modified":"2017-08-07T10:41:03","modified_gmt":"2017-08-07T13:41:03","slug":"gratidao-substitui-obrigado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/gratidao-substitui-obrigado\/","title":{"rendered":"Gratid\u00e3o substitui obrigado? \u00c9 modismo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">\u00c9 lugar-comum afirmar que a l\u00edngua muda. Organismo vivo, est\u00e1 a servi\u00e7o dos falantes. Eles, como a \u00e1gua que passa sob a ponte, nunca s\u00e3o os mesmos. Movimentam-se, misturam-se, transformam-se. Viva!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Mas, por motivo que at\u00e9 Deus ignora, algumas deixam de circular. Ficam estagnadas. Resultado: viram moda. Depois, praga. O uso se intensifica por influ\u00eancia do r\u00e1dio, da tev\u00ea, da internet. S\u00e3o os modismos, que pegam com a rapidez da \u00e1gua morro abaixo ou do fogo morro acima. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Podem ser palavras ou express\u00f5es que passam a ser empregadas em sentido diferente do usual. Uma das mais recentes \u00e9 <i>gratid\u00e3o<\/i>. Por cont\u00e1gio talvez do emoji da internet, as m\u00e3ozinhas postas substitu\u00edram o voc\u00e1bulo <i>obrigado<\/i>. N\u00e3o s\u00f3 nas m\u00eddias sociais. Tamb\u00e9m na fala. Marcelo Abreu escreveu sobre a novidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\"><b>A tal gratid\u00e3o<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\">Depois do advento das redes sociais \u2014 territ\u00f3rio sem lei em que quase todo mundo \u00e9 bonzinho, feliz e de bem com a vida \u2014 a palavra da moda \u00e9 gratid\u00e3o. Al\u00e9m de feliz, bonzinho e de bem com a vida, quase todo mundo tamb\u00e9m aprendeu a <span style=\"color: #005a95\">ter<\/span> gratid\u00e3o ou a ser grato. A quem? Ao cosmos, ao dia (ou \u00e0 tarde, \u00e0 noite, \u00e0 madrugada), ao caf\u00e9 matinal, \u00e0 vida, \u00e0 flor, aos ip\u00eas roxos e amarelos. At\u00e9 \u00e0 seca esturricante, por que n\u00e3o? <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\"><b>Obrigado<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\">O importante \u00e9 estar na moda. Ningu\u00e9m mais sabe dizer ou escrever <i>obrigado<\/i>. Obrigado virou palavra proibida, persona n\u00e3o grata. Expulsa das rodas dos bonzinhos, dos felizes e dos gratos \u2014 quase seres superiores, de t\u00e3o cheios de gratid\u00e3o, claro. Se n\u00e3o \u00e9 grato, fulano n\u00e3o \u00e9 bonzinho. Tampouco feliz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\">Gratid\u00e3o, no budismo, \u00e9 considerada qualidade saud\u00e1vel a ser cultivada na mente. \u00c9 palavra bonita. De fato, bonita. Na l\u00edngua portuguesa, \u00e9 usada como reconhecimento por algum benef\u00edcio recebido. Mas, nas redes sociais, territ\u00f3rio complicado, n\u00e3o se atribui a algu\u00e9m espec\u00edfico. Pode ser, como j\u00e1 se sabe, ao cosmos, ao caf\u00e9, ao vinho, ao mar, \u00e0s estrelas. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\"><b>Abuso<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\">A\u00ed \u00e9 mora o excesso. E todo excesso sobra. H\u00e1, ainda, quem diga que a palavra <i>obrigado<\/i> carrega a ideia de <i>obriga\u00e7\u00e3o<\/i>, <i>ser obrigado<\/i>. Qualquer justificativa serve para a tal <i>gratid\u00e3o<\/i> aparecer no come\u00e7o, no meio ou no fim de um texto, seja ele do tamanho que for. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\"><b>Sugest\u00e3o<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\">Uma dica, internauta: seja conciso, n\u00e3o caia em modismos. Seja simples. Simplicidade atrai verdade. Para agradecer, basta um \u201cmuito obrigado\u201d ou, melhor ainda, \u201cagrade\u00e7o\u201d. Simples, n\u00e3o? E aten\u00e7\u00e3o! Desconfie sempre da pessoa que usa <i>gratid\u00e3o<\/i> para tudo. Fique alerta. Na maioria das vezes, ela, a pessoa, nem cumprimenta o porteiro do pr\u00e9dio onde mora. Mas, nas redes sociais, \u00e9 \u201cgrata\u201d. Grata a tudo. \u00c9 chique. Atrai. As apar\u00eancias, como se sabe, quase sempre enganam. Olhos arregalados. Os dois, juntinhos,<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\">#Obrigado! <\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 lugar-comum afirmar que a l\u00edngua muda. Organismo vivo, est\u00e1 a servi\u00e7o dos falantes. Eles, como a \u00e1gua que passa sob a ponte, nunca s\u00e3o os mesmos. Movimentam-se, misturam-se, transformam-se. Viva! Mas, por motivo que at\u00e9 Deus ignora, algumas deixam de circular. Ficam estagnadas. Resultado: viram moda. Depois, praga. O uso se intensifica por influ\u00eancia do r\u00e1dio, da tev\u00ea, da internet. 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