{"id":13651,"date":"2017-09-25T10:02:02","date_gmt":"2017-09-25T13:02:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=13651"},"modified":"2017-09-25T10:02:02","modified_gmt":"2017-09-25T13:02:02","slug":"xo-excelencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/xo-excelencia\/","title":{"rendered":"Acabar com os pronomes de tratamento? Sim."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">\u00c9 excel\u00eancia pra c\u00e1. Magnific\u00eancia pra l\u00e1. Emin\u00eancia pracol\u00e1. Eta coisa velha! O mofo centen\u00e1rio incomodou o senador Roberto Requi\u00e3o. Como o que fica parado \u00e9 poste, Sua Excel\u00eancia apresentou projeto de lei pra l\u00e1 de bem-vindo. Prop\u00f5e acabar com o tratamento cerimonioso a autoridades. Excel\u00eancias &amp; cias. entram na vala comum. Viram senhor e senhora. Como diz a Constitui\u00e7\u00e3o, todos s\u00e3o iguais perante a lei. A proposta passar\u00e1? Cruzemos os dedos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><span style=\"font-size: large\"><b>Do ba\u00fa real<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Dizem que tudo come\u00e7ou no s\u00e9culo 12. Exatamente em 1143, quando Portugal se tornou reino independente. Afonso Henriques, o primeiro rei, deu in\u00edcio \u00e0 hist\u00f3ria. Sentia-se t\u00e3o poderoso que dizia \u201cDeus sou eu<\/span>\u201d<span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">. Era proibido dirigir-se a ele. Quem ousasse perdia a cabe\u00e7a.<\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Da\u00ed, bem antes da guilhotina, surgiu o verbo decapitar, que significa cortar a cabe\u00e7a. Que med\u00e3o!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Como fazer? Se, no auge da paix\u00e3o, a amada dissesse ao monarca \u201cte amo\u201d, a cabe\u00e7a dela rolava. Se o m\u00e9dico perguntasse<\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">ao soberano o que estava sentindo, n\u00e3o recebia resposta. A degola vinha antes. O que fazer?<\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">O Conselho de S\u00e1bios se reuniu. Nasceu a\u00ed o jeitinho brasileiro. A m\u00e1gica era esta: ningu\u00e9m falaria ao rei, mas \u00e0 majestade do rei. Cham\u00e1-lo-iam de Vossa Majestade. As pessoas se dirigiam ao rei sem se dirigir a ele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">O coroado<\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">ficou feliz. Os bajuladores, que existiam desde ent\u00e3o, come\u00e7aram a inventar pronomes. Dirigiam-se \u00e0 excel\u00eancia do rei, \u00e0 magnific\u00eancia do rei, \u00e0 senhoria do rei. E por a\u00ed vai. Os nobres, invejosos, reivindicaram privil\u00e9gios semelhantes. O clero tamb\u00e9m. Generoso, o rei se satisfez com a majestade. Os outros que se entendessem com a partilha dos demais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><b>Partilha<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Oba! Pr\u00edncipes ficaram com alteza. Reitores, com magnific\u00eancia. Cardeais, com emin\u00eancia. Sacerdotes em geral, com reverend\u00edssima. Altas autoridades do Estado, com excel\u00eancia. Funcion\u00e1rios p\u00fablicos, com senhoria. E o papa? O pont\u00edfice contentou-se com santidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><b>Concord\u00e2ncia<\/b><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Vossa Majestade <\/span><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><i>\u00e9<\/i><\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">divino. Sou <\/span><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><i>sua<\/i><\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">devota\u201d, dizia a futura rainha. Reparou? A namorada sabida fazia a concord\u00e2ncia como manda a gram\u00e1tica. Ela se dirigia<\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">\u00e0 majestade do amado. Por isso o verbo (\u00e9) e o pronome (sua) est\u00e3o<\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">na 3\u00aa pessoa. Vossa Excel\u00eancia, Vossa Senhoria &amp; cia. exibida jogam no mesmo time.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><b>Pessoa<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">Vossa Excel\u00eancia ou Sua excel\u00eancia? Depende. Vossa Excel\u00eancia \u00e9 o ser com quem se fala. Sua Excel\u00eancia, de quem se fala: <\/span><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><i>Cumprimento Vossa Excel\u00eancia pelo<\/i><\/span> <span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><i>belo gesto. O advogado dirigiu-se \u00e0 Sua Excel\u00eancia com o respeito habitual<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\"><b>Jeitinho<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial,sans-serif\">E o adjetivo? N\u00e3o deveria concordar com majestade, substantivo feminino? Sim. Mas quem ousaria chamar o rei, t\u00e3o mach\u00e3o, de divina? Deu-se outro jeito. Criou-se a silepse, figura que permite seja feita a concord\u00e2ncia com a ideia, n\u00e3o com a palavra. O adjetivo concorda com o sexo da pessoa, n\u00e3o com o substantivo: Sua Majestade, a rainha Elizabeth, \u00e9 amada pelo povo. Sua Majestade, o rei Gustavo, tamb\u00e9m \u00e9 amado.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 excel\u00eancia pra c\u00e1. Magnific\u00eancia pra l\u00e1. Emin\u00eancia pracol\u00e1. Eta coisa velha! O mofo centen\u00e1rio incomodou o senador Roberto Requi\u00e3o. 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