{"id":13835,"date":"2017-10-18T12:54:05","date_gmt":"2017-10-18T14:54:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=13835"},"modified":"2017-10-18T12:54:55","modified_gmt":"2017-10-18T14:54:55","slug":"crase-rimada-tim-tim-por-tim-tim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/crase-rimada-tim-tim-por-tim-tim\/","title":{"rendered":"Crase rimada tim-tim por tim-tim"},"content":{"rendered":"<p>Circula na internet texto pra l\u00e1 de criativo. Chama-se \u201cAs rimas da crase\u201d. O <em>Blog da Dad<\/em> publicou os versinhos. Alguns internautas aplaudiram. Outros criticaram. Precisavam de exemplos pra entender o recado. Afinal, n\u00e3o s\u00e3o especialistas no assunto. T\u00eam raz\u00e3o. Vamos combinar? Escrevemos para ser lidos, entendidos e, se poss\u00edvel, admirados. Da\u00ed por que leitor n\u00e3o pede. Manda. Com explica\u00e7\u00f5es e exemplos, o resultado \u00e9 um s\u00f3 \u2014 adeus, d\u00favida. X\u00f4!<\/p>\n<p><strong>Versinhos<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong><em>Diante de masculino, crase \u00e9 pepino.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Crase \u00e9 feminista. Com ela, s\u00f3 o nome feminino tem vez. Por qu\u00ea? O acento grave (`) indica o casamento de dois aa. Um \u00e9 a preposi\u00e7\u00e3o. O outro, em geral, o artigo definido: <em>Vou \u00e0 piscina. Dirigiu-se \u00e0 diretora. Voltou \u00e0 casa do amigo<\/em>.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong><em>Diante de a\u00e7\u00e3o, crase \u00e9 marca\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como o verbo n\u00e3o aceita artigo, diante dele a crase \u00e9 pra l\u00e1 de proibida: <em>A passagem mudar\u00e1 de pre\u00e7o a partir de amanh\u00e3.<\/em><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong><em>Palavras repetidas, crase proibida.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 o caso de <em>face a face, gota a gota, cara a cara, frente a frente, uma a uma.<\/em><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong><em>A + aquele, crase nele.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como o grampinho anuncia o casamento de dois aa, al\u00e9m do artigo, outro azinho aparece na jogada. Trata-se da primeira s\u00edlaba do demonstrativo<strong><em>a<\/em><\/strong><em>quela, <strong>a<\/strong>quele, <strong>a<\/strong>quilo: Foi \u00e0quela casa. Referiu-se \u00e0quilo que todos escondiam.<\/em><\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong><em>Vou a, volto da, crase h\u00e1.<\/em><\/strong><\/li>\n<li><strong><em>Vou a volto de, crase pra qu\u00ea?<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>\u00a0<\/em>Vou a Bras\u00edlia? Vou \u00e0 Bras\u00edlia? Vou a Pernambuco? Vou \u00e0 Pernambuco? Vou a Alemanha? Vou \u00e0 Alemanha? D\u00favida diante do nome de cidade, estado ou pa\u00eds bate \u00e0 porta todos os dias. Um versinho ajuda a fugir da enrascada. Ei-lo:<\/p>\n<p><em>Se, ao voltar, volto da, craseio o \u00e1.<\/em><\/p>\n<p><em>Se, ao voltar, volto de, crasear pra qu\u00ea?<\/em><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, basta substituir o verbo <em>ir<\/em> pelo <em>voltar<\/em> e recorrer \u00e0 diquinha rimada:<em> Vou a Bras\u00edlia. (Volto de Bras\u00edlia.) Vou a Pernambuco. (Volto de Pernambuco.) Vou \u00e0 Alemanha. (Volto da Alemanha.) \u00a0<\/em><\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong><em>Quando for hora, crase sem demora.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Eis exemplos<em>: A aula come\u00e7a \u00e0 1h. Trabalho das 8h \u00e0s 18h. H\u00e1 voos \u00e0s 9h30, \u00e0s 15h e \u00e0s 22h. O dia come\u00e7a \u00e0 0h.<\/em><\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong><em>Palavra determinada, crase liberada.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O nome vem acompanhado de artigo ou n\u00e3o? Se a resposta for positiva e houver o encontro de dois aa, o grampo pede passagem. Caso contr\u00e1rio, mant\u00e9m-se recolhido com a paci\u00eancia dos s\u00e1bios<em>: Assistiu a duas reuni\u00f5es. (Havia v\u00e1rias reuni\u00f5es. Ele assistiu a apenas <\/em>duas.)<em> Assistiu \u00e0s duas reuni\u00f5es. <\/em>(S\u00f3 havia duas reuni\u00f5es. Ele assistiu a ambas.)<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong><em>Sendo \u00e0 moda de, a crase vai vencer.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A crase \u00e9 feminista, n\u00e3o \u00e9? \u00c9. Mas tamb\u00e9m \u00e9 enganadora. \u00c0s vezes esconde o nome feminino s\u00f3 pra enganar o bobo na casca do ovo. A manobra ocorre com a express\u00e3o<em> \u00e0 moda de <\/em>ou com o cuidado de n\u00e3o repetir palavras. Veja:<em> Corta o cabelo \u00e0 (moda de) Roberto Carlos. Gesticula \u00e0 (moda de) Michel Temer. N\u00e3o foi \u00e0 Rua da Praia, mas \u00e0 (rua) dos Andradas.<\/em><\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><em><strong>\u00a0<\/strong><\/em><strong><em>Adverbial, feminina e locu\u00e7\u00e3o, crase, meu irm\u00e3o.<\/em><\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Sempre que se fala de locu\u00e7\u00e3o, fala-se de mais de uma palavra. H\u00e1 locu\u00e7\u00f5es verbais (come\u00e7ou a correr), locu\u00e7\u00f5es adjetivas (anel <em>de ouro<\/em>), locu\u00e7\u00f5es pronominais (qualquer um), locu\u00e7\u00f5es prepositivas (em face de).<\/p>\n<p>Locu\u00e7\u00f5es adverbiais, conjuntivas e prepositivas formadas por palavras femininas pedem o acentinho grave<em>: Agiu <\/em>\u00e0s claras<em>. Viaja sempre <\/em>\u00e0s pressas<em>. Saiu <\/em>\u00e0s tr\u00eas da tarde<em>. <\/em>\u00c0 medida que<em> estudava, sentia mais facilidade na mat\u00e9ria. Saiu <\/em>\u00e0 frente dos<em> concorrentes. Esperava-o <\/em>\u00e0 porta de<em> casa.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Circula na internet texto pra l\u00e1 de criativo. Chama-se \u201cAs rimas da crase\u201d. O Blog da Dad publicou os versinhos. Alguns internautas aplaudiram. Outros criticaram. Precisavam de exemplos pra entender o recado. Afinal, n\u00e3o s\u00e3o especialistas no assunto. T\u00eam raz\u00e3o. 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