{"id":14682,"date":"2018-02-20T10:10:54","date_gmt":"2018-02-20T13:10:54","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=14682"},"modified":"2018-02-20T10:11:49","modified_gmt":"2018-02-20T13:11:49","slug":"escrever-o-generico-e-o-espeifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/escrever-o-generico-e-o-espeifico\/","title":{"rendered":"Escrever: seja espec\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Escrever&#8221;, ensinam os manuais, &#8220;\u00e9 10% de inspira\u00e7\u00e3o e 90% de transpira\u00e7\u00e3o&#8221;. Em outras palavras: escrever d\u00e1 trabalho. E como! A gente tem de planejar, escrever e burilar o texto. Sem pregui\u00e7a. A reda\u00e7\u00e3o nota 10 n\u00e3o nasce na primeira tentativa. Nem na segunda. Nem na terceira. A cada vers\u00e3o o autor conjuga o verbo melhorar. Corta daqui, enxerta dali, troca palavras, muda par\u00e1grafos de lugar. Ufa!<\/p>\n<p><strong>Escolha termos espec\u00edficos<\/strong>. H\u00e1 palavras que s\u00e3o mais espec\u00edficas do que outras. Gato siam\u00eas \u00e9 mais singular do que simplesmente gato; homem, mais do que animal; laranjeira, mais que \u00e1rvore; \u00e1rvore, mais do que planta ou vegetal. Trabalhador \u00e9 termo de sentido geral, muito amplo; jornalista tem sentido mais restrito; jornalista do Correio Braziliense, mais ainda.<\/p>\n<p>Ao descrever uma cena de rua, voc\u00ea pode referir-se genericamente a transeuntes ou particularizar: homens, jovens, estudantes, alunos da UnB. Escrever &#8220;foi um per\u00edodo dif\u00edcil&#8221; constitui vagueza. &#8220;Estive desempregado durante tr\u00eas meses&#8221; \u00e9 mais preciso, bem melhor.<\/p>\n<p>Compare os textos. O primeiro prima pela generaliza\u00e7\u00e3o. O segundo, pela especifica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em>Os jovens chegaram num carr\u00e3o bonito. Usavam cal\u00e7as velhas, camisetas e \u00f3culos de sol. Entraram no primeiro restaurante que encontraram pela frente sem se preocupar com o pre\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p><em>Os jovens, entre 15 e 18 anos, chegaram numa BMW azul. Usavam cal\u00e7a jeans com remendos nas pernas, camiseta de malha branca e \u00f3culos de sol. Entraram no primeiro restaurante que encontraram pela frente, um italiano especializado em massas de Bologna, sem se preocupar com o pre\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p>Viu a diferen\u00e7a? N\u00e3o foi por acidente que Gon\u00e7alves Dias comp\u00f4s: &#8220;Minha terra tem palmeiras \/ Onde canta o sabi\u00e1&#8221;. Se tivesse dito &#8220;Minha terra tem \u00e1rvores \/ Onde canta o p\u00e1ssaro&#8221;, seus versos estariam enterrados com ele, ignorados de todos.<\/p>\n<p>Siga a regra: o espec\u00edfico \u00e9 prefer\u00edvel ao gen\u00e9rico; o definido ao vago; o concreto ao abstrato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Escrever&#8221;, ensinam os manuais, &#8220;\u00e9 10% de inspira\u00e7\u00e3o e 90% de transpira\u00e7\u00e3o&#8221;. Em outras palavras: escrever d\u00e1 trabalho. E como! A gente tem de planejar, escrever e burilar o texto. Sem pregui\u00e7a. A reda\u00e7\u00e3o nota 10 n\u00e3o nasce na primeira tentativa. Nem na segunda. Nem na terceira. A cada vers\u00e3o o autor conjuga o verbo melhorar. 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