{"id":1470,"date":"2008-04-25T00:00:00","date_gmt":"2008-04-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mais_que_uma_virgula_2\/"},"modified":"2008-04-25T00:00:00","modified_gmt":"2008-04-25T03:00:00","slug":"mais_que_uma_virgula_2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mais_que_uma_virgula_2\/","title":{"rendered":"Mais que uma v\u00edrgula 2"},"content":{"rendered":"<p>Ontem o blog apresentou um desafio de dar n\u00f3 nos miolos. Ei-lo:<br \/>\n&nbsp;<I><br \/>\nSobre o per\u00edodo:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOs cinco filhos de Jo\u00e3o que chegaram do Rio est\u00e3o hospedados em casa de amigos.<br \/>\npode-se afirmar com seguran\u00e7a:<\/p>\n<p>Os filhos de Jo\u00e3o moram no Rio.<br \/>\nNenhum filho de Jo\u00e3o se hospedou na casa do pai.<br \/>\nJo\u00e3o s\u00f3 tem cinco filhos.<br \/>\nJo\u00e3o tem mais de cinco filhos.<br \/>\n<\/I>&nbsp;<br \/>\nVoc\u00ea acertou? A quest\u00e3o cobra assunto pra l\u00e1 de batido. Os professores gastam saliva na explica\u00e7\u00e3o das ora\u00e7\u00f5es adjetivas e restritivas. A mo\u00e7ada, com a cabe\u00e7a em ficantes &amp; cia., s\u00f3 memoriza o macete. &#8220;As explicativas v\u00eam entre v\u00edrgulas. As restritivas dispensam o sinal.&#8221; O concurso foi al\u00e9m. Exigiu a compreens\u00e3o da exig\u00eancia e da dispensa. E da\u00ed?<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Como diz o esquartejador, vamos por partes. Analisemos as op\u00e7\u00f5es:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOs filhos de Jo\u00e3o moram no Rio.<\/p>\n<p>Falso. O enunciado diz que eles chegaram do Rio. Poderiam estar l\u00e1 de f\u00e9rias, de passagem.<\/p>\n<p>Nenhum filho de Jo\u00e3o se hospedou na casa do pai.<br \/>\nFalso. Os cinco que chegaram do Rio acamparam em casa de amigos. Nada impede que outros filhos, que chegaram de outros lugares, tenham ficado na casa do paiz\u00e3o.<br \/>\nJo\u00e3o s\u00f3 tem cinco filhos.<br \/>\nJo\u00e3o tem mais de cinco filhos.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que a porca torce o rabo. Qual delas est\u00e1 certa? A aus\u00eancia da v\u00edrgula responder\u00e1. \u00c9 que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es. Nalgumas, a v\u00edrgula \u00e9 facultativa. A\u00ed, n\u00e3o h\u00e1 erro. Voc\u00ea acerta sempre. Noutras, obrigat\u00f3ria. \u00c9 o caso da separa\u00e7\u00e3o dos termos e ora\u00e7\u00f5es explicativos.<br \/>\n&nbsp;<STRONG><br \/>\nO que \u00e9?<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO termo explicativo tem v\u00e1rias caras. Uma \u00e9 velha conhecida. Chama-se aposto. Lembra-se? <I><br \/>\nD. Pedro II, imperador do Brasil, morreu em Paris. <\/I><br \/>\nOs professores vivem dizendo que o aposto n\u00e3o faz falta. Pode cair fora. Verdade? \u00c9. Ele facilita a vida do leitor. Mas a aus\u00eancia dele n\u00e3o causa preju\u00edzo ao entendimento da frase. Se eu n\u00e3o sei quem \u00e9 D. Pedro II, tenho sa\u00edda. Dou uma espiadinha num livro de hist\u00f3ria. Est\u00e1 tudo ali.<br \/>\n&nbsp;<STRONG><br \/>\nChute?<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCompare as frases: <I><br \/>\nO presidente da Rep\u00fablica, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, prepara nova viagem.<br \/>\nO ex-presidente da Rep\u00fablica Itamar Franco morou no exterior.<br \/>\n&nbsp;<\/I><br \/>\nPor que um nome vem entre v\u00edrgulas e o outro n\u00e3o? \u00c9 chute?<br \/>\nN\u00e3o. O segredo est\u00e1 no que vem antes do nome. No primeiro caso, \u00e9 presidente da Rep\u00fablica. Quantos existem? S\u00f3 um. Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 termo explicativo. Funciona como aposto. Da\u00ed as v\u00edrgulas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas h\u00e1 mais de um ex-presidente. Se eu n\u00e3o disser a quem me refiro, deixo o leitor numa enrascada. Posso estar falando de Jos\u00e9 Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique. A\u00ed, s\u00f3 h\u00e1 um jeito \u2014 dar nome ao boi<I>. Itamar Franco<\/I> \u00e9 termo restritivo. N\u00e3o aceita v\u00edrgula.<br \/>\n&nbsp;<STRONG><br \/>\nMais exemplos<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<I><br \/>\nA capital do Brasil, Bras\u00edlia, tem 2,5 milh\u00f5es de habitantes (o Brasil tem uma s\u00f3 capital).<br \/>\nO ministro da Fazenda, Guido Mantega, prima pelo mau humor (s\u00f3 h\u00e1 um ministro da Fazenda).<br \/>\nO ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero ficou famoso pela indiscri\u00e7\u00e3o parab\u00f3lica (h\u00e1 um mont\u00e3o de ex-ministros da Fazenda).<br \/>\n&nbsp;<\/I><STRONG><br \/>\nEnrascada<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u00c0s vezes, a gente se v\u00ea numa enrascada: <I><br \/>\nMeu filho Marcelo estuda na universidade. <\/I><br \/>\nRestritivo ou explicativo? Depende. Do qu\u00ea? Do antecedente do termo <I>Marcelo<\/I>. Eu tenho um filho ou mais de um filho? Se um, o termo \u00e9 explicativo. Se mais de um, restritivo. <I><br \/>\nMinha m\u00e3e, Rosa, mora em S\u00e3o Paulo.<br \/>\nMinha tia Maria chega amanh\u00e3; minha tia Carla vem na pr\u00f3xima semana. <\/I><br \/>\nViu? Eu s\u00f3 tenho uma m\u00e3e. <I><STRONG>Rosa<\/I><\/STRONG> \u00e9 termo explicativo. Tenho mais de uma tia. <I><STRONG>Maria<\/I><\/STRONG> e <I><STRONG>Carla<\/I><\/STRONG> s\u00e3o termos restritivos.<br \/>\n&nbsp;<STRONG><br \/>\nServi\u00e7o completo<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o fique pela metade. O termo explicativo vem presinho da silva. Ora entre v\u00edrgulas. Ora entre a v\u00edrgula e o ponto:<br \/>\nDom Casmurro<I>, de Machado de Assis, \u00e9 obra-prima do Realismo brasileiro.<br \/>\nComprei um Eco Sport, carro da Ford.<\/I><br \/>\n&nbsp;<STRONG><br \/>\nSem monotonia<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA l\u00edngua \u00e9 um conjunto de possibilidades. Flex\u00edvel, a danada detesta monotonia. Oferece v\u00e1rios jeitos de dizer a mesma coisa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVeja:<br \/>\nO aluno <I><STRONG>estudios<\/STRONG><B>o<\/B><\/I> tira boas notas.<br \/>\nO aluno <I><STRONG>que estuda<\/I><\/STRONG> tira boas notas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAs frases dizem que h\u00e1 alunos e alunos. N\u00e3o \u00e9 qualquer um que tira boas notas. S\u00f3 chega l\u00e1 quem se debru\u00e7a sobre os livros. Numa, o termo restritivo \u00e9 adjetivo (estudioso). Noutra, ora\u00e7\u00e3o adjetiva (que estuda). O tratamento mant\u00e9m-se. Nada de v\u00edrgula.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCom as ora\u00e7\u00f5es explicativas ocorre o mesmo:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO homem, <I><STRONG>mortal<\/I><\/STRONG>, tem alma imortal.<br \/>\nO homem, <I><STRONG>que \u00e9 mortal<\/I><\/STRONG>, tem alma imortal.<br \/>\n&nbsp;<STRONG><br \/>\nE da\u00ed?<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVoltemos \u00e0 vaca fria. Jo\u00e3o tem apenas cinco filhos ou tem mais de cinco?<br \/>\nQuem responde \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o. Restritiva ou explicativa? Sem v\u00edrgulas, \u00e9 restritiva. Ent\u00e3o Jos\u00e9 tem mais de cinco filhos. Se fossem s\u00f3 cinco, `que chegaram do Rio\u00b4 estaria cercadinha pelas v\u00edrgulas<br \/>\n&nbsp;<STRONG><br \/>\nMoral da hist\u00f3ria<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8220;O estilo&#8221;, escreveu Montaigne, &#8220;deve ter tr\u00eas virtudes: clareza, clareza, clareza.&#8221; Saber identificar o termo explicativo e restritivo n\u00e3o constitui s\u00f3 problema de corre\u00e7\u00e3o. Muitas vezes afeta a clareza.<br \/>\n<A name=\"Save1\"><\/A><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem o blog apresentou um desafio de dar n\u00f3 nos miolos. Ei-lo: &nbsp; Sobre o per\u00edodo: &nbsp; Os cinco filhos de Jo\u00e3o que chegaram do Rio est\u00e3o hospedados em casa de amigos. pode-se afirmar com seguran\u00e7a: Os filhos de Jo\u00e3o moram no Rio. Nenhum filho de Jo\u00e3o se hospedou na casa do pai. Jo\u00e3o s\u00f3 tem cinco filhos. Jo\u00e3o tem mais de cinco filhos. &nbsp; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1470","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1470\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}