{"id":1483,"date":"2008-05-01T00:00:00","date_gmt":"2008-05-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_suor_do_rosto\/"},"modified":"2008-05-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-05-01T03:00:00","slug":"o_suor_do_rosto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_suor_do_rosto\/","title":{"rendered":"O suor do rosto"},"content":{"rendered":"<p><STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<BR><br \/>\nL\u00e1 pelo s\u00e9culo 18, a coisa era braba. Os oper\u00e1rios trabalhavam at\u00e9 20 horas por dia. Nem se falava em repouso aos domingos. Muito menos em semana inglesa. Com o tempo, houve melhoras aqui e ali. Mas a carga continuava pesada. A explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha fim.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<BR>A toda a\u00e7\u00e3o corresponde uma rea\u00e7\u00e3o. A resposta tardou, mas chegou. Em 1\u00ba de maio de 1886, 110 mil oper\u00e1rios de Chicago disseram basta e&nbsp;cruzaram os bra\u00e7os. Protestavam contra a jornada de trabalho de 12 horas e o sal\u00e1rio deste tamanhinho, \u00f3.<BR><br \/>\nEm tr\u00eas dias, a greve cresceu. A pol\u00edcia entrou na jogada. Reprimiu o movimento com viol\u00eancia. No quarto dia, novas manifesta\u00e7\u00f5es. Dessa vez, contra a a\u00e7\u00e3o policial. Houve grande com\u00edcio. A PM de l\u00e1 n\u00e3o deixou por menos. Atirou contra a multid\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA repres\u00e1lia veio a galope. Bombas explodiram contra os fardados. Muitos trabalhadores pararam no xilindr\u00f3. Quatro acabaram na forca.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm 1\u00ba de maio de 1890, as conquistas vieram. Fixou-se a jornada de trabalho em oito horas di\u00e1rias. Em conseq\u00fc\u00eancia, a Segunda Internacional Socialista, da Fran\u00e7a, tomou uma decis\u00e3o. O 1\u00ba de maio seria dedicado aos trabalhadores e \u00e0s suas lutas. A comemora\u00e7\u00e3o ocorre em todo o mundo, menos nos Estados Unidos. L\u00e1, a festona cai na primeira segunda-feira de setembro.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Bem-vindo, sal<\/STRONG><BR>&nbsp;<BR><br \/>\nVoc\u00ea sabia? Sal\u00e1rio nasceu do latim salarium. A palavra \u00e9 filhote de sal. Antes da inven\u00e7\u00e3o da moeda, pagavam-se os trabalhadores com sal. O cloreto de s\u00f3dio valia ouro. Por qu\u00ea? Era o jeito de conservar os alimentos naqueles tempos sem geladeira.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO sal formou uma senhora prole. A fam\u00edlia tem uma marca. \u00c9 toda salgadinha. Salsa serve de exemplo. Quer dizer erva salgada. Salpicado, salada, saleiro, salmoura tamb\u00e9m pertencem ao cl\u00e3.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>A diferen\u00e7a<\/STRONG><BR>&nbsp;<BR><br \/>\nSal\u00e1rio m\u00ednimo ou sal\u00e1rio-m\u00ednimo? Depende. O dinheir\u00e3o que o trabalhador recebe no fim do m\u00eas escreve-se sem h\u00edfen. O trabalhador que ganha sal\u00e1rio m\u00ednimo grafa-se com h\u00edfen. Em outras palavras: a grana n\u00e3o tem tracinho. A pessoa, sim: Ganho um sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas. O sal\u00e1rio-m\u00ednimo mora no morro e trabalha na cidade.<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<BR><STRONG>Ter propriedade vocabular \u00e9\u2026<BR><\/STRONG>&nbsp;<BR><br \/>\nDistinguir o significado de sal\u00e1rio, vencimento, provento, pens\u00e3o, subs\u00eddio, verba de representa\u00e7\u00e3o, remunera\u00e7\u00e3o etc. e tal. Vamos a eles:<BR>&nbsp;<BR><br \/>\nSal\u00e1rio \u2013 retribui\u00e7\u00e3o paga ao trabalhador pelo servi\u00e7o prestado na iniciativa privada. <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVencimento \u2013 sal\u00e1rio do servidor p\u00fablico.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nProvento \u2013 remunera\u00e7\u00e3o dos aposentados.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPens\u00e3o \u2013 dinheirinho do benefici\u00e1rio da previd\u00eancia, p\u00fablica ou privada. A vi\u00fava recebe pens\u00e3o do marido. O vi\u00favo, da mulher.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<BR>Subs\u00eddio \u2013 valor pago pelo exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias ou ocasionais. Deputados e senadores recebem subs\u00eddio. <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVerba de representa\u00e7\u00e3o \u2013 dinheiro adiantado ao trabalhador para os gastos relacionados com os interesses da empresa ou da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Valem restaurantes, festas, viagens. Presidente da Rep\u00fablica,&nbsp;embaixadores, executivos de empresas gozam do privil\u00e9gio de gastar sem p\u00f4r a m\u00e3o no pr\u00f3prio bolso.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRemunera\u00e7\u00e3o \u2013 total das parcelas que comp\u00f5em o sal\u00e1rio ou o vencimento. Engloba gratifica\u00e7\u00e3o, verba de representa\u00e7\u00e3o, horas extras e tantos outros penduricalhos.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Cad\u00ea os outros?<\/STRONG><BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nH\u00e1 mais? Claro que sim. Os militares recebem soldo. Os profissionais liberais, honor\u00e1rios. Os artistas, cach\u00ea. Acad\u00eamicos e congressistas, jetom.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Palavras de Kalil Gibran<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<BR><br \/>\n&#8220;Quando encontrar seu amigo \u00e0 beira da estrada ou no mercado, deixe que o esp\u00edrito lhe mova os l\u00e1bios e dirija a l\u00edngua.&#8221; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; L\u00e1 pelo s\u00e9culo 18, a coisa era braba. Os oper\u00e1rios trabalhavam at\u00e9 20 horas por dia. Nem se falava em repouso aos domingos. Muito menos em semana inglesa. Com o tempo, houve melhoras aqui e ali. Mas a carga continuava pesada. A explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha fim. &nbsp; A toda a\u00e7\u00e3o corresponde uma rea\u00e7\u00e3o. A resposta tardou, mas chegou. 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