{"id":1489,"date":"2008-05-02T00:00:00","date_gmt":"2008-05-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mortes_enigmaticas\/"},"modified":"2008-05-02T00:00:00","modified_gmt":"2008-05-02T03:00:00","slug":"mortes_enigmaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mortes_enigmaticas\/","title":{"rendered":"Mortes enigm\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p><B><br \/>\n&nbsp;<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTr\u00eas velhinhos viviam juntos. Um dia, um deles morreu. A pol\u00edcia chegou para saber o que tinha acontecido. O mais falante explicou:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Ele pegou aquele livro azul e come\u00e7ou a ler. Empalideceu. Suou. Ficou avermelhado, depois roxo e morreu.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDois dias depois, outro do trio deu adeus \u00e0 vida. A pol\u00edcia voltou ao local. O sobrevivente contou:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Aconteceu a mesma coisa que da outra vez. Ele pegou aquele livro azul, abriu-o, come\u00e7ou a ler. Empalideceu. Suou. Ficou avermelhado, depois roxo e morreu.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO delegado, impaciente, ordenou ao velhinho:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Apanhe o livro e leia. <A name=\"Save1\"><\/A><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEle seguiu a ordem. Empalideceu. Suou frio. Ficou avermelhado. Quando o roxo se anunciou, tiraram a obra da m\u00e3o do coitado, fizeram-lhe massagem no cora\u00e7\u00e3o e perguntaram:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 O que tem esse livro?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Ah, doutor, o problema n\u00e3o \u00e9 ter. \u00c9 n\u00e3o ter.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Como assim? O livro n\u00e3o tem nem uma v\u00edrgula, nem um ponto, nem um travess\u00e3o, nem um par\u00eantese.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nConclus\u00e3o: a aus\u00eancia de pontos, v\u00edrgula &amp; cia. mata mais que pneumonia. <B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA hora e a vez dos oportunistas<\/B><br \/>\nO poder dos pontos &amp; cia. n\u00e3o \u00e9 pouco. Da v\u00edrgula, ent\u00e3o, ultrapassa limites. Os sabidos tiram proveito da for\u00e7a do sinal. Com eles, d\u00e3o recados diferentes. Fazem mais ou menos como o morcego da f\u00e1bula. Conhece?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEra uma vez\u2026<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nH\u00e1 nuiiiiiiiiiiiiiiiiiitos anos, as aves guerrearam com os outros animais. O chefe delas era a \u00e1guia. O chefe dos outros, o le\u00e3o. Depois de muitas batalhas, as criaturas de penas perderam a luta. O morcego, que \u00e9 ave, resolveu mudar de lado. Procurou o le\u00e3o. O rei, que de bobo n\u00e3o tem nada, perguntou:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; U\u00e9, voc\u00ea por aqui? N\u00e3o pode. Voc\u00ea \u00e9 ave.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO morcego disfar\u00e7ou:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; Ave eu? Como? Eu n\u00e3o tenho bico nem penas. Tenho p\u00ealo. Sou primo do rato.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDias depois, houve novo combate. O morcego caiu nas garras da coruja. Ela ia mat\u00e1-lo. Ele, ent\u00e3o, disse:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; Voc\u00ea n\u00e3o pode me matar. Sou uma ave como voc\u00ea. Olhe as minhas asas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEle escapou de novo. A raz\u00e3o: os oportunistas est\u00e3o sempre com o vencedor.<br \/>\n&nbsp;<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO poder da v\u00edrgula<\/B><br \/>\n&#8220;Para quem sabe ler ponto \u00e9 letra&#8221;, diz o povo sabido. Quem conhece as manhas da pontua\u00e7\u00e3o tira proveito do saber. Duvida? A frase abaixo n\u00e3o tem v\u00edrgula. Ponha uma onde achar adequado:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSe o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro \u00e0 sua procura.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO seu per\u00edodo ficou com que cara?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\na. Se o homem soubesse o valor que tem a mulher, andaria de quatro \u00e0 sua procura.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nb. Se o homem soubesse o valor que tem, a mulher andaria de quatro \u00e0 sua procura.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nViu? A primeira bajula as mulheres. A segunda, os homens. Em que time voc\u00ea joga?<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSer generoso \u00e9\u2026<\/B><br \/>\nLer muitas hist\u00f3rias para as crian\u00e7as. Dar emo\u00e7\u00e3o \u00e0 voz. Deix\u00e1-las tocar as ilustra\u00e7\u00f5es. Dar-lhes tempo para sonhar, viver outras vidas, soltar a imagina\u00e7\u00e3o. Comentar. Assim nasce um leitor.<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nHal Urban d\u00e1 a dica<\/B><br \/>\n&#8220;As duas frases com o maior poder de restaurar um relacionamento abalado s\u00e3o justamente as que temos mais dificuldade de dizer:<br \/>\n\u2014 Eu estava errado. Desculpe-me.&#8221;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Tr\u00eas velhinhos viviam juntos. Um dia, um deles morreu. A pol\u00edcia chegou para saber o que tinha acontecido. O mais falante explicou: &nbsp; \u2014 Ele pegou aquele livro azul e come\u00e7ou a ler. Empalideceu. Suou. Ficou avermelhado, depois roxo e morreu. &nbsp; Dois dias depois, outro do trio deu adeus \u00e0 vida. A pol\u00edcia voltou ao local. 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