{"id":1490,"date":"2008-05-02T12:00:00","date_gmt":"2008-05-02T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ronaldinho_travestis_e_dad_squarisi\/"},"modified":"2008-05-02T12:00:00","modified_gmt":"2008-05-02T15:00:00","slug":"ronaldinho_travestis_e_dad_squarisi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ronaldinho_travestis_e_dad_squarisi\/","title":{"rendered":"Ronaldinho, travestis e Dad Squarisi"},"content":{"rendered":"<p><B><\/B>&nbsp;<br \/>\n<B><\/B>&nbsp;<br \/>\n<B>Prezada Dad Squarisi,<\/B><BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTudo bem?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSomos Alexandra Martins, estudante de jornalismo do Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia (UniCEUB) e ativista do movimento LGBTTT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgeneros) e Clarissa Carvalho, antrop\u00f3loga da \u00e1rea de g\u00eanero e sexualidade, funcion\u00e1ria p\u00fablica e tamb\u00e9m militante LGBTT <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nComo uma boa foca \u2013 express\u00e3o usada para identificar estudantes de jornalismo -sempre procuro ler suas colunas de portugu\u00eas. Mas, como boas militantes, n\u00e3o podemos deixar de comentar sobre a coluna publicada ontem (30\/04), no Correio Braziliense sobre o caso das Travestis e do Ronaldo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN\u00f3s do movimento orientamos aos jornalistas que respeitem a forma como a travesti quer ser identificada. Fazemos isso porque acreditamos que ela \u00e9 a pessoa mais leg\u00edtima para reivindicar a forma como gostaria de ser reconhecida social e legalmente. O mesmo acontece para as pessoas que vivenciam a experi\u00eancia transexual.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo s\u00e9culo 16 a palavra travesti era utilizada para definir a pr\u00e1tica <B>moment\u00e2nea<\/B> de pessoas que se vestem do outro sexo por algum motivo. Tanto Diadorim, como Joana D&#8217;arc se vestiam de homem porque almejavam um objetivo, al\u00e9m de vestir de homem. Nesses casos, elas precisavam <B>provisoriamente<\/B> assumir uma identidade masculina, mas n\u00e3o podem ser consideradas &#8216;travestis&#8217; quando comparado com a situa\u00e7\u00e3o atual.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAs travestis brasileiras, como as que cruzaram com o jogador Ronaldo, n\u00e3o se vestem de mulher. E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 provis\u00f3rio. Elas vivenciam uma feminilidade incoerente com seu corpo, por\u00e9m coerente com sua mente\/alma todos os dias. Elas alteram seu corpo para viverem a feminilidade que sentem essencial \u00e0 sua identidade. <BR><br \/>\nPassar horas de tortura para colocar litros de silicone nos peitos e coxas n\u00e3o tem o mesmo peso e significado que &#8220;vestir-se de mulher&#8221; ou colocar uma saia. \u00c9 correr risco de vida para ser quem realmente elas sentem que s\u00e3o.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE negar sua feminilidade, mais do que \u00f3bvia e at\u00e9 exagerada, chamando-as pelo artigo masculino, \u00e9 uma viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra elas. \u00c9 resgatar aquilo que elas deixaram para tr\u00e1s porque n\u00e3o gostavam, \u00e9 dizer o que elas at\u00e9 sabem, mas n\u00e3o se encaixa em suas vidas. Se um dia o termo &#8216;travesti&#8217; significava apenas vestir-se do sexo oposto, hoje significa uma identidade marginalizada que busca visibilidade e Direitos Humanos<BR><BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nIdentidade de G\u00eanero X Orienta\u00e7\u00e3o Sexual<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;Ao contr\u00e1rio do que possa parecer, a maioria das travestis n\u00e3o querem ser mulheres e tamb\u00e9m sabem que n\u00e3o s\u00e3o homens. Elas s\u00e3o algo at\u00e9 melhor: elas s\u00e3o travestis. Nem mulher, nem homem, mas sempre femininas. Portanto, por pertin\u00eancia, devemos cham\u00e1-las de &#8220;as travestis&#8221;.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA travestilidade reivindica, enquanto corpo pol\u00edtico, a identidade de g\u00eanero e n\u00e3o a orienta\u00e7\u00e3o sexual. A primeira enuncia o sentimento de masculinidade ou feminilidade que acompanha a pessoa ao longo da vida. J\u00e1 a orienta\u00e7\u00e3o sexual d\u00e1 conta da atra\u00e7\u00e3o afetiva e\/ou sexual que uma pessoa sente pela outra. J\u00e1 a express\u00e3o &#8216;op\u00e7\u00e3o sexual&#8217; n\u00e3o \u00e9 mais utilizada desde os anos 90, por reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, e transexuais. Acreditamos que n\u00e3o se opta pela identidade ou pelo desejo. Voc\u00ea simplesmente se sente de uma forma, \u00e9 orientada (o) por ela. O que a gente opta, sim, \u00e9 por aceitar que nossa orienta\u00e7\u00e3o possa ser imoral para os olhos de alguns e buscar escond\u00ea-la. Assim, como se opta ter orgulho da pr\u00f3pria identidade de g\u00eanero e da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;Esperamos sensibiliza-la sobre este tema. Caso tenha curiosidade de ler mais sobre este assunto, podemos sugerir algumas leituras.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAtenciosamente<br \/>\n<BR><B>Alexandra Martins<BR>Clarissa Carvalho<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Prezada Dad Squarisi, &nbsp; Tudo bem? &nbsp; Somos Alexandra Martins, estudante de jornalismo do Centro Universit\u00e1rio de Bras\u00edlia (UniCEUB) e ativista do movimento LGBTTT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgeneros) e Clarissa Carvalho, antrop\u00f3loga da \u00e1rea de g\u00eanero e sexualidade, funcion\u00e1ria p\u00fablica e tamb\u00e9m militante LGBTT &nbsp; Como uma boa foca \u2013 express\u00e3o usada para identificar estudantes de jornalismo -sempre procuro ler [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1490","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1490\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}