{"id":15046,"date":"2018-03-11T08:48:15","date_gmt":"2018-03-11T11:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=15046"},"modified":"2018-03-11T09:04:41","modified_gmt":"2018-03-11T12:04:41","slug":"fortuna-e-fama-divindades-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/fortuna-e-fama-divindades-de-hoje\/","title":{"rendered":"Fortuna e Fama: divindades contempor\u00e2neas"},"content":{"rendered":"<p>\u201cPor que eu?\u201d, pergunta Temer ao saber que o Supremo tomou decis\u00e3o in\u00e9dita. Mandou quebrar o sigilo das contas banc\u00e1rias de Sua Excel\u00eancia. \u201cPor que eu?\u201d, questiona Lula na imin\u00eancia de ver o sol nascer quadrado. \u201cPor que eu?\u201d, indaga a personagem da novela ao descobrir que tem c\u00e2ncer no rim.<\/p>\n<p><strong>Explica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A perplexidade diante do inesperado n\u00e3o vem de hoje. \u00c9 antiga como o suceder dos dias e das noites. Da\u00ed nasceram os mitos. Os homens n\u00e3o sabiam explicar certos fen\u00f4menos. Entre eles, as fases da Lua, a f\u00faria dos mares, a mudan\u00e7a das esta\u00e7\u00f5es, a sorte de alguns e o azar de outros. Para encontrar respostas, criaram divindades. Os seres sobrenaturais tinham poderes que interferiam na vida de todos.<\/p>\n<p>Com o tempo, a ci\u00eancia vai decifrando os mist\u00e9rios. Mas as criaturas que povoam o imagin\u00e1rio permanecem. Elas entram no dicion\u00e1rio, perdem a magia e parecem uma palavra como tantas outras. Mas n\u00e3o s\u00e3o. Conhecer-lhes a hist\u00f3ria d\u00e1 asas \u00e0 fantasia e enriquece a cultura. Afinal, como dizem, os mitos nunca existiram, mas est\u00e3o sempre acontecendo. S\u00e3o muitos. Vamos a dois.<\/p>\n<p><strong>Fortuna<\/strong><\/p>\n<p>A deusa romana era pra l\u00e1 de respeitada. Dona e senhora dos seres humanos, Fortuna decidia se a criatura teria sorte ou azar ao longo da vida. Sem explica\u00e7\u00e3o, ela podia conceder-lhes riqueza ou conden\u00e1-los \u00e0 pobreza. Podia dar-lhes poder ou mant\u00ea-los na servid\u00e3o. Podia abrir-lhes os caminhos ou priv\u00e1-los de todos os avan\u00e7os.<\/p>\n<p>Por que uns e n\u00e3o outros? Caprichos, simples caprichos. Contra eles, toda a\u00e7\u00e3o resulta in\u00fatil. Da\u00ed o prov\u00e9rbio \u201cfazer cara boa para m\u00e1 fortuna\u201d. Em bom portugu\u00eas: resignar-se.<\/p>\n<p><strong>Fama<\/strong><\/p>\n<p>Ops! O nome da divindade significa voz p\u00fablica. Ela tem muitas bocas e incont\u00e1veis ouvidos. Nas longas asas, ocultam-se milhares de olhos. A deusa voadora desloca-se com rapidez. Sem discrimina\u00e7\u00e3o, espalha por Europa, Fran\u00e7a e Bahia tanto a verdade quanto a mentira. Tudo conspira a favor da voca\u00e7\u00e3o de quem n\u00e3o segura a l\u00edngua.<\/p>\n<p>Ela mora num pal\u00e1cio de bronze sonoro, no meio do mundo, nas fronteiras da terra, do mar e do c\u00e9u. L\u00e1, ouve todas as vozes, altas ou sussurradas. As portas sempre abertas recebem e devolvem os sons ampliados. Uma multid\u00e3o de moradores espalha o que ouve \u2014 boatos ou not\u00edcias verdadeiras.<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: Fama vigia o mundo inteiro. Ningu\u00e9m escapa.<\/p>\n<p><strong>Resumo da opereta<\/strong><\/p>\n<p>Os mitos, hoje, ganham outros nomes. Mas conservam o DNA. Para explicar o inexplic\u00e1vel, autoridades n\u00e3o criam divindades. Criam narrativas. Para espalhar verdades ou mentiras, n\u00f3s nos tornamos auxiliares de Fama. As m\u00eddias sociais colaboram. E como!<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPor que eu?\u201d, pergunta Temer ao saber que o Supremo tomou decis\u00e3o in\u00e9dita. Mandou quebrar o sigilo das contas banc\u00e1rias de Sua Excel\u00eancia. \u201cPor que eu?\u201d, questiona Lula na imin\u00eancia de ver o sol nascer quadrado. \u201cPor que eu?\u201d, indaga a personagem da novela ao descobrir que tem c\u00e2ncer no rim. 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