{"id":1511,"date":"2008-05-07T00:00:00","date_gmt":"2008-05-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/perola_legislativa\/"},"modified":"2008-05-07T00:00:00","modified_gmt":"2008-05-07T03:00:00","slug":"perola_legislativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/perola_legislativa\/","title":{"rendered":"P\u00e9rola legislativa"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/3124569e49c76e65a6fa31cda299638a.jpg\"><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2018\u2018O que \u00e9 bom\u2019\u2019, diz o povo sabido, \u2018\u2018anda devagar. O que \u00e9 ruim se espalha rapidinho.\u2019\u2019 Vale o exemplo de Bras\u00edlia. A Lei Distrital 3.112, de 2003, obrigou os elevadores a ostentar uma placa. Nela, os dizeres impostos pelos deputados: \u2018\u2018Aviso aos usu\u00e1rios: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se neste andar\u2019\u2019.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<DIV><br \/>\nO texto provoca arrepios. Tem erros pra todos os gostos. Os candangos protestaram. N\u00e3o queriam ver a aberra\u00e7\u00e3o todos os dias \u00e0 frente dos olhos. N\u00e3o adiantou. Pior: o deputado Raimundo Santos, do Par\u00e1, copiou a id\u00e9ia e a frase. Apresentou o projeto de lei que exige a fixa\u00e7\u00e3o da tal advert\u00eancia Brasil afora.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO projeto foi aprovado. Alguns s\u00edndicos bancaram os carneirinhos. Obedeceram. Outros protestaram. Sabiam que o pato\u00e1 deseduca moradores e visitantes. Comiss\u00e3o encaminhou abaixo-assinado ao Congresso. Nele, explicou a deputados e senadores que a frase tem tr\u00eas erros. Dois de gram\u00e1tica. Um de l\u00f3gica. E, como desgra\u00e7a pouca \u00e9 bobagem, n\u00e3o faltou falha de estilo. Vamos a eles.<br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Um<\/STRONG><I><br \/>\nMesmo<\/I> n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o anaf\u00f3rica. Est\u00e1 proibido, pois, de substituir termo referido antes (<I>elevador). <\/I>Em lugar dele, o pronome <I>ele<\/I> pede passagem: <I>Antes de entrar no elevador, verifique se ele<\/I> <I>encontra-se neste andar.<\/I><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Dois<\/STRONG><br \/>\nSe \u00e9 conjun\u00e7\u00e3o subordinativa. Funciona como \u00edm\u00e3. O pronome n\u00e3o resiste. Vai para antes do verbo: <I>Antes de entrar no elevador, verifique <\/I>se <I>ele <\/I>se <I>encontra neste andar.<\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTr\u00eas<\/B><br \/>\nSe o elevador n\u00e3o estiver no piso, como entrar nele? O voc\u00e1bulo <I>elevador <\/I>sobra: <I>Antes de entrar, verifique se o elevador se encontra neste andar.<\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuatro<\/B><br \/>\nAs palavras curtas s\u00e3o prefer\u00edveis \u00e0s longas. Por duas raz\u00f5es. Uma: economizam espa\u00e7o. A outra: l\u00eaem-se com mais rapidez. Levado a s\u00e9rio o princ\u00edpio estil\u00edstico, temos: <I>Antes de entrar, verifique se o elevador est\u00e1 neste andar.<\/I><STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nResumo da \u00f3pera<\/STRONG><br \/>\n\u2018\u2018O imperador n\u00e3o est\u00e1 acima da gram\u00e1tica\u2019\u2019, disse J\u00falio C\u00e9sar. \u2018\u2018Nem os deputados\u2019\u2019, dizemos n\u00f3s.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Por falar em mesmo\u2026<\/STRONG><br \/>\nOlho na norma culta. A poderosa rejeita o uso de <I>o mesmo, a mesma, os mesmos, as<\/I> <I>mesmas<\/I> para substituir pronome ou substantivo. Mande, pois, pras cucuias constru\u00e7\u00f5es como estas:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<I>A banca examinadora vai decidir como far\u00e1 as revis\u00f5es e como os peritos v\u00e3o participar das mesmas<\/I>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nViu? <I>Mesmas<\/I> est\u00e1 em lugar de <I>revis\u00f5es<\/I>. Mas o diss\u00edlabo n\u00e3o pode ocupar o lugar do nome. Melhor buscar sa\u00edda:<br \/>\n&nbsp;<I><br \/>\nA banca examinadora vai decidir como far\u00e1 as revis\u00f5es e como os peritos v\u00e3o participar do processo.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n**<br \/>\n<I><\/I>&nbsp;<br \/>\n<I>Os jurados prometem divulgar os resultados hoje. As candidatas, claro, est\u00e3o loucas para conhecer a escolha dos mesmos.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCruz-credo! <I>Dos mesmos<\/I> usurpa o lugar de <I>dos ju\u00edzes<\/I>. Nada feito. Melhor: <I>Os jurados prometem divulgar os resultados hoje. As candidatas, claro, est\u00e3o loucas pra conhecer a prefer\u00eancia deles.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Quero saber&#8230;<\/STRONG><br \/>\nOutro dia, Lula fazia o que mais gosta de fazer. Discursava. No meio da fala, usou uma palavra francesa. Gozador, caiu em si. &#8220;Imaginem&#8221;, disse ele, &#8220;eu, que dizia menas, agora falo franc\u00eas&#8221;. Minha pergunta: por que h\u00e1 pessoas que dizem menas no lugar de menos?<br \/>\n&nbsp;<B><br \/>\nRog\u00e9rio Andrade, Niter\u00f3i<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nElas ignoram que <I>menos <\/I>\u00e9 invari\u00e1vel. N\u00e3o tem masculino, feminino,<br \/>\nsingular ou plural. Preocupadas em acertar, d\u00e3o-lhe um feminino. \u00c9 a supercorre\u00e7\u00e3o. X\u00f4!<br \/>\n***<br \/>\nEu como tra\u00edra sem espinho? Ou tra\u00edra sem espinha?<br \/>\n&nbsp;<B><br \/>\nCarmem Meck, Pelotas<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nComa a tra\u00edra sem espinha. Bom proveito.<br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Fernando Pessoa alerta<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8220;Nenhum livro para crian\u00e7as deve ser escrito para crian\u00e7as.&#8221;<br \/>\n&nbsp;<\/DIV><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; \u2018\u2018O que \u00e9 bom\u2019\u2019, diz o povo sabido, \u2018\u2018anda devagar. 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