{"id":15733,"date":"2018-04-23T17:59:36","date_gmt":"2018-04-23T20:59:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=15733"},"modified":"2018-04-23T18:03:59","modified_gmt":"2018-04-23T21:03:59","slug":"pronome-atono-acerte-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pronome-atono-acerte-sempre\/","title":{"rendered":"Pronome \u00e1tono \u2014 tudo sobre a coloca\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">Na l\u00edngua existem criaturas errantes. S\u00e3o os pronomes \u00e1tonos. <i>Me, te, se, lhe, o, a<\/i> adoram bater perna. Ora aparecem antes do verbo. Ora, depois. H\u00e1 tamb\u00e9m os que se metem no meio. Mas, apesar da flexibilidade, muitos abusam. Cometem pecados.<\/span><\/p>\n<ol>\n<li><span style=\"font-family: Arial, serif\"><b>Iniciar a frase com o fracote<\/b><\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">O pronome se chama \u00e1tono porque \u00e9 fraco. T\u00e3o fraco que precisa de apoio. Onde se encostar? Em outra palavra. Por isso, na norma culta, \u00e9 proibido iniciar a frase com pronome \u00e1tono. O pecador deixa a v\u00edtima desamparada. Ela tomba. Na queda, atropela a reputa\u00e7\u00e3o do \u00edmpio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\"><b>2. Ignorar a abrang\u00eancia de <\/b><i><b>iniciar<\/b><\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">Olho vivo! Iniciar a frase tem duas acep\u00e7\u00f5es. Uma \u00e9 iniciar mesmo, ser a primeira palavra do per\u00edodo. Assim: <i>Me d\u00e1 um cigarro? Te telefono amanh\u00e3. Lhe deu a resposta ontem.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">A outra usa m\u00e1scaras. Deixa, como na acep\u00e7\u00e3o anterior, o pronome desprotegido. Mas n\u00e3o inicia a frase. Em geral vem depois de v\u00edrgula. Compare: <i>Aqui se fala portugu\u00eas. ( <\/i>O<i> aqui <\/i>ampara o pronome<i>.) Aqui, fala-se portugu\u00eas. <\/i>(Ops! A v\u00edrgula impede o apoio.) <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">Nem sempre a v\u00edrgula expulsa o pequenino para depois do verbo. H\u00e1 casos em que ela separa termos intercalados. O apoio se distancia, mas permanece. Preste aten\u00e7\u00e3o na malandragem: <i><b>Bras\u00edlia<\/b><\/i><i> <\/i><i><b>se<\/b><\/i><i> localiza no Planalto Central. <\/i><i><b>Bras\u00edlia<\/b><\/i><i>, a capital do Brasil, <\/i><i><b>se<\/b><\/i><i> localiza no Planalto Central. (<\/i>Mesmo de longe, <i>Bras\u00edlia<\/i> ampara o pronome.)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\"><b>3. Desrespeitar a atra\u00e7\u00e3o<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">H\u00e1 palavras que funcionam como \u00edm\u00e3s. Puxam o pronome para junto de si. Lembra-se delas? Eis algumas: a gangue do <b>qu<\/b> (que, quem, quando, quanto, qual), a turma negativa (n\u00e3o, nunca, jamais, ningu\u00e9m, nada), as senhoras conjun\u00e7\u00f5es subordinativas (como, porque, embora, se, conquanto): <i>Quero <\/i><i><b>que<\/b><\/i><i> <\/i><i><b>se<\/b><\/i><i> retirem logo. <\/i><i><b>N\u00e3o me<\/b><\/i><i> disse nada. <\/i><i><b>Se<\/b><\/i><i> <\/i><i><b>me<\/b><\/i><i> convidarem, irei.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\"><b>4. Bobear com o futuro<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">Sabia? A termina\u00e7\u00e3o do futuro tem alergia ao pronome. Ambos, futuro do presente (irei) e futuro do pret\u00e9rito (iria) ficam cheinhos de brotoejas diante do \u00e1tono. A sa\u00edda? H\u00e1 duas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">Uma: levar o pronome para antes do verbo. No caso, o pequenino tem de ter amparo: <i><b>Maria<\/b><\/i><i> <\/i><i><b>me<\/b><\/i><i> telefonar\u00e1 amanh\u00e3. Se pudesse, <\/i><i><b>Temer<\/b><\/i><i>, o presidente do Brasil, <\/i><i><b>se<\/b><\/i><i> manteria no Planalto<\/i>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">A outra: ficar no meio do caminho. Sem amparo e impedido de se colocar na rabeira do verbo, fica no meio do caminho. Como? Posiciona-se entre o infinitivo e a termina\u00e7\u00e3o do verbo. Veja: <i>Telefonar-lhe-ei amanh\u00e3. Falar-se-iam mais tarde. <\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\"><b>5. Esquecer a maquiagem<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">Ops! Olho nos pronomes <b>o<\/b> e <b>a<\/b>. Antecedidos de <b>r<\/b>, <b>s<\/b>, <b>z<\/b>, viram <b>lo<\/b>, <b>la<\/b>: <i>Vou p\u00f4r o livro na estante. (Vou p\u00f4-lo na estante.) Ajudamos os amigos. (Ajudamo-los.) Fez a filha feliz. (F\u00ea-la feliz.)<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\">Mais: com som nasal (m ou til), a dupla se disfar\u00e7a de <b>no<\/b>, <b>na<\/b>: <i>P\u00f5e o prato sobre a mesa. (P\u00f5e-no sobre a mesa.) Quiseram a filha formada. (Quiseram-na formada.)<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif\"><b>6. Superdica<\/b><\/span><\/p>\n<p><a name=\"Save1\"><\/a> <span style=\"font-family: Arial, serif\">Os gram\u00e1ticos concordam que a coloca\u00e7\u00e3o dos pronomes no Brasil tomou os pr\u00f3prios rumos. Reduz-se a duas normas. Uma: n\u00e3o inicie frase com o pronome \u00e1tono. A outra: ponha o pronome sempre na frente: <i>Dize-me com quem andas que te direi quem \u00e9s. Ele se tinha retirado antes da sobremesa. Lia o chantageou? N\u00e3o, deu-lhe conselhos. Para se retirar, pediu licen\u00e7a<\/i>.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na l\u00edngua existem criaturas errantes. S\u00e3o os pronomes \u00e1tonos. Me, te, se, lhe, o, a adoram bater perna. Ora aparecem antes do verbo. Ora, depois. H\u00e1 tamb\u00e9m os que se metem no meio. Mas, apesar da flexibilidade, muitos abusam. Cometem pecados. Iniciar a frase com o fracote O pronome se chama \u00e1tono porque \u00e9 fraco. T\u00e3o fraco que precisa de apoio. Onde se encostar? 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