{"id":1610,"date":"2008-05-22T11:00:00","date_gmt":"2008-05-22T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/lavar_palavras\/"},"modified":"2008-05-22T11:00:00","modified_gmt":"2008-05-22T14:00:00","slug":"lavar_palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/lavar_palavras\/","title":{"rendered":"Lavar palavras"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDad Squarisi \/\/ <A href=\"mailto:dad.squarisi@@correioweb.com.br\">dad.squarisi@@correioweb.com.br<\/A><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA l\u00edngua faz milagres. Poderosa, condena e absolve. Conquista e rejeita. Fala e diz. Ou fala sem dizer. Esopo, autor de f\u00e1bulas famosas como &#8220;A raposa e as uvas&#8221;, conta uma hist\u00f3ria sobre a for\u00e7a das palavras. Um dia, narra o pensador grego, um senhor mandou o mordomo preparar um jantar com o que houvesse de melhor. Iria receber visitas importantes que deveriam sentir-se homenageadas com o banquete.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPortanto, escolhesse as melhores carnes, as mais sofisticadas especiarias, as frutas, as verduras e os legumes mais frescos, bonitos e vistosos. Assim foi feito. Na recep\u00e7\u00e3o, a entrada foi l\u00edngua. O prato principal, l\u00edngua. A sobremesa, l\u00edngua. Contrariado, o mandachuva chamou o criado e, voz indignada e cara de poucos amigos, exigiu explica\u00e7\u00f5es. O servi\u00e7al lhe disse:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 O senhor pediu que eu preparasse o jantar com o que houvesse de melhor. O que pode superar a l\u00edngua? Com ela, as pessoas namoram, estudam, conquistam parceiros, ganham promo\u00e7\u00f5es, educam os filhos, conversam com Deus.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nInconformado, o patr\u00e3o mandou-o preparar outro banquete. Mas com o que houvesse de pior. O servi\u00e7al repetiu o card\u00e1pio. Questionado por tanta ousadia, explicou:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 A l\u00edngua leva ao c\u00e9u. Leva, tamb\u00e9m, ao inferno. Com as palavras, caluniamos, insultamos, mentimos, maltratamos, declaramos guerra, prejudicamos a n\u00f3s e aos outros.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA f\u00e1bula vem \u00e0 luz a prop\u00f3sito do depoimento de Jos\u00e9 Aparecido na CPI dos Cart\u00f5es. Acusado de vazar documentos sigilosos, ele apelou pra magia das palavras. <I>Dossi\u00ea<\/I>, voc\u00e1bulo criminoso, passou a chamar-se <I>planilha de dados seletiva<\/I>. V<I>azar<\/I>, que arrepia, virou <I>enviar por<\/I> <I>engano<\/I>. Com isso, branqueou o ato. O recurso \u00e9 pra l\u00e1 de conhecido. Vale um exemplo. Clinton jurou de p\u00e9s juntos que n\u00e3o manteve rela\u00e7\u00f5es sexuais com Monica Lewinski. Apenas &#8220;rela\u00e7\u00f5es impr\u00f3prias&#8221;. Foi absolvido.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n(artigo pulicado na edi\u00e7\u00e3o de&nbsp;hoje do&nbsp;Correio Braziliense)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Dad Squarisi \/\/ dad.squarisi@@correioweb.com.br &nbsp; A l\u00edngua faz milagres. Poderosa, condena e absolve. Conquista e rejeita. Fala e diz. Ou fala sem dizer. Esopo, autor de f\u00e1bulas famosas como &#8220;A raposa e as uvas&#8221;, conta uma hist\u00f3ria sobre a for\u00e7a das palavras. Um dia, narra o pensador grego, um senhor mandou o mordomo preparar um jantar com o que houvesse de melhor. Iria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1610","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1610\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}