{"id":1656,"date":"2008-05-27T00:05:00","date_gmt":"2008-05-27T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/como_e_que_se_diz\/"},"modified":"2008-05-27T00:05:00","modified_gmt":"2008-05-27T03:05:00","slug":"como_e_que_se_diz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/como_e_que_se_diz\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 que se diz?"},"content":{"rendered":"<p><BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 a casa-da-m\u00e3e-joana. Nem a casa da sogra. Muito menos a casa de Irene. As tr\u00eas casas t\u00eam um denominador comum. \u00c9 a falta de regra. Ali, pode-se tudo. Dorme-se a qualquer hora e em qualquer lugar. Acorda-se quando Deus permite.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMais: joga-se roupa no ch\u00e3o. Deixam-se copos espalhados pelos quatro cantos de salas e quartos. Os cinzeiros est\u00e3o sempre cheios. Os banheiros, alagados. O fog\u00e3o exp\u00f5e panelas destampadas. A pia, montanhas de pratos. A mesa, toalhas manchadas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo idioma, a bagun\u00e7a ensaia atrevimentos. Mas n\u00e3o al\u00e7a v\u00f4o. Gram\u00e1ticas e dicion\u00e1rios p\u00f5em ordem no caos. Quem tem a duplinha por perto previne trope\u00e7os fon\u00e9ticos, morfol\u00f3gicos e sint\u00e1ticos. Basta consultar.<br \/>\n<BR>\u00c9 a\u00ed que a porca torce o rabo. H\u00e1 ocasi\u00f5es em que se torna dif\u00edcil recorrer ao pronto-socorro. Vale o exemplo da Beatriz Saldanha. Ela terminou o curso de comunica\u00e7\u00e3o. Candidatou-se a uma vaga de rep\u00f3rter na TV. <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>O teste<\/STRONG><STRONG><\/STRONG><br \/>\n<BR>Bonita, fotog\u00eanica e dona de bela voz, tinha todas as condi\u00e7\u00f5es de abocanhar a vaga. S\u00f3 precisava fazer o teste. A prova consistia em ler meia d\u00fazia de frases. Microfone na m\u00e3o, Beatriz deu voz a estas senten\u00e7as:<br \/>\n<BR>Pr\u00eamio Nobel de Economia \u00e9 cr\u00edtico da globaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCostumo tirar uma c\u00f3pia xerox dos meus documentos antes de viajar.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nGovernos ibero-americanos aliam-se na luta contra a pobreza.<br \/>\n<BR>As praias s\u00e3o o lazer mais democr\u00e1tico do pa\u00eds. Pobres e ricos s\u00e3o igualmente recebidos. A entrada \u00e9 gratuita.<br \/>\n<BR>A novela Duas Caras bate recordes de audi\u00eancia semana ap\u00f3s semana. Com freq\u00fc\u00eancia atinge os 50%. \u00c9 um sucesso.<br \/>\n<BR>O criminoso agiu com dolo ao disparar tiros contra duas pessoas. Em outras palavras: ao atirar, ele tinha a inten\u00e7\u00e3o de matar e assumiu o risco de produzir esse resultado.<br \/>\n<BR>Nos contratos, \u00e9 obrigat\u00f3ria a rubrica das partes em todas as p\u00e1ginas.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMoleza? Nem tanto. Em cada uma h\u00e1 uma armadilha. S\u00e3o pron\u00fancias viciadas que, de t\u00e3o ouvidas, parecem certas. Mas certas n\u00e3o est\u00e3o. A bela Beatriz caiu em todas. Perdeu o emprego. Mas n\u00e3o a esperan\u00e7a. Pediu ajuda ao blog para fixar o jeitinho nota dez de dizer. <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Macetes<\/STRONG><STRONG><\/STRONG><br \/>\n<BR>Pediu? Levou. Eis macetes para se lembrar sempre:<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n1. Nobel rima com Mabel e papel. A s\u00edlaba t\u00f4nica \u00e9 a \u00faltima: O Brasil nunca ganhou o pr\u00eamio. H\u00e1 dois anos, 50 mulheres concorreram ao Nobel da Paz. Entre elas, a brasiliense Mara R\u00e9gia. A torcida verde-amarela ficou ansiosa. Queria porque queria que o Nobel batesse \u00e0 porta desta alegre Pindorama.&nbsp;N\u00e3o adiantou. <BR><BR><br \/>\n2. Xerox ou x\u00e9rox? A gente ouve as duas formas. A empresa tira proveito da confus\u00e3o:<br \/>\n<BR>\u2014 O importante \u00e9 que falem na marca, brincam diretores e funcion\u00e1rios.<br \/>\n<BR>Eles se esqueceram de um pormenor. Em portugu\u00eas h\u00e1 um pacto entre as palavras. As terminadas em x s\u00e3o ox\u00edtonas. O acento t\u00f4nico cai na \u00faltima s\u00edlaba. \u00c9 o caso de inox, pirex, xerox.<BR><br \/>\nNo reino das letras como no dos homens, h\u00e1 os rebeldes. Alguns voc\u00e1bulos querem ser diferentes. Desrespeitam o trato. Passam para o time das parox\u00edtonas. Tudo bem. S\u00f3 que precisam do acento. O sinalzinho gr\u00e1fico avisa que eles viraram a casaca. Valem os exemplos de F\u00e9lix, \u00f4nix, t\u00f3rax, f\u00eanix.<BR><BR><br \/>\n3. Ibero faz parzinho com severo e Antero. Parox\u00edtona, a fortona cai na pen\u00faltima s\u00edlaba. <BR><br \/>\n<BR>4. Gratuito joga no time de circuito e fortuito. O ui forma ditongo. Sem acento, o parzinho se pronuncia numa s\u00f3 emiss\u00e3o de voz. N\u00e3o se desgruda. \u00c9 como unha e carne. Se separar um, d\u00f3iiiiii. <BR><br \/>\n<BR>5. Recorde tem origem inglesa. Ao se naturalizar brasileira, ganhou pron\u00fancia tupiniquim. Tornou-se parox\u00edtona. Ficou igualzinha ao recorde do verbo recordar. A s\u00edlaba t\u00f4nica \u00e9 a pen\u00faltima (cor). Pertence \u00e0 fam\u00edlia de concorde e lorde: re-cor-de, con-cor-de, lor-de.<BR><br \/>\n<BR>6. Dolo \u2014 som aberto ou fechado? Lembre-se de colo e solo. Os tr\u00eas s\u00e3o parceiros. Pronunciam-se do mesmo jeitinho.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n7. Rubrica \u00e9 grande v\u00edtima dos falantes. Gente importante ou gente boa como n\u00f3s cometem silabada sem cerim\u00f4nia. Pronunciam rubrica como se tivesse acento no u. Mas ela n\u00e3o tem. \u00c9 parox\u00edtona e n\u00e3o abre. A s\u00edlaba fortona \u00e9 bri.<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\nUfa! \u00c9 isso. Nobel, xerox, gratuito, recorde, dolo n\u00e3o s\u00e3o nenhum bicho-de-sete-cabe\u00e7as. Duvida? Pronuncie-as em voz alta. Voc\u00ea vai acertar todas. V\u00e1 em frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 a casa-da-m\u00e3e-joana. Nem a casa da sogra. Muito menos a casa de Irene. As tr\u00eas casas t\u00eam um denominador comum. \u00c9 a falta de regra. Ali, pode-se tudo. Dorme-se a qualquer hora e em qualquer lugar. Acorda-se quando Deus permite. &nbsp; Mais: joga-se roupa no ch\u00e3o. Deixam-se copos espalhados pelos quatro cantos de salas e quartos. 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