{"id":16586,"date":"2018-07-28T11:24:29","date_gmt":"2018-07-28T14:24:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=16586"},"modified":"2018-07-28T11:24:29","modified_gmt":"2018-07-28T14:24:29","slug":"haver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/haver\/","title":{"rendered":"Haver: significados e emprego"},"content":{"rendered":"<p>O verbo mais ardiloso da l\u00edngua? \u00c9 o haver. Ele joga em todos os times. Ora tem um significado, ora tem outro. Ora \u00e9 pessoal, ora impessoal. Ora forma pleonasmo, ora esnoba a redund\u00e2ncia. Ora forma express\u00e3o que se confunde com outra, ora se revela claro como a \u00e1gua da fonte. Ufa!<\/p>\n<p>Mas, como diz o povo sabido, n\u00e3o h\u00e1 bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. H\u00e1 jeitos de domar a indom\u00e1vel criatura. Como? Conhecendo-lhe as manhas. Uma vez dominadas, o verbinho fica manso como o cachorrinho da gente. Quer ver?<\/p>\n<p><strong>Significados<\/strong><\/p>\n<p>O haver se escreve assim. Mas, dependendo do contexto, multiplica significados. Ele pode ser:<\/p>\n<ol>\n<li>substantivo. A\u00ed quer dizer bem, riqueza: <em>Na partilha, perdeu metade dos haveres. <\/em><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>verbo. Ops! O dicion\u00e1rio registra quase 20 acep\u00e7\u00f5es. Entre elas, ter, possuir (hei um emprego); <em>obter, conseguir (depois de muita luta, houve o que buscava); considerar, julgar (houveram que era abuso aceitar as exig\u00eancias do governador); existir (h\u00e1 20 casas na rua); fazer (havia meses que n\u00e3o fal\u00e1vamos); entender-se, arranjar-se (n\u00e3o sabia que o filho se havia com traficantes)<\/em>. Etc. e tal.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Impessoalidade<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O diss\u00edlabo inspirou-se em palavras e express\u00f5es do povo sabido. Entre elas, mesquinho, sovina, canguinha, muquirana, p\u00e3o-duro, m\u00e3o-fechada, m\u00e3o de vaca, sapo morreu na unha, n\u00e3o d\u00e1 adeus pra n\u00e3o abrir a m\u00e3o, n\u00e3o come ovo pra n\u00e3o jogar a casca fora, nada com o Sonrisal na m\u00e3o, e o efervescente continua seco.<\/p>\n<p>Eureca! Em vez de flexionar-se nas tr\u00eas pessoas (eu, n\u00f3s; tu, v\u00f3s; ele, eles), o verbo estacionou em uma. Impessoal, s\u00f3 se conjuga na 3\u00aa pessoa do singular. Ele joga nessa equipe em tr\u00eas ocasi\u00f5es:<\/p>\n<ol>\n<li>na acep\u00e7\u00e3o de ocorrer: <em>Houve mortes no acidente do monomotor.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"2\">\n<li>no sentido de existir: <em>H\u00e1 tr\u00eas casas na rua<\/em>.<\/li>\n<\/ol>\n<ol start=\"3\">\n<li>na contagem de tempo passado: <em>Moro em Bras\u00edlia h\u00e1 dois anos. <\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Confus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ops! Os homens sentem \u00f3dio, raiva. O haver tamb\u00e9m. Nada lhe desperta os instintos mais b\u00e1rbaros do que contrari\u00e1-lo. Atrevidos o tornam pessoal quando \u00e9 impessoal. Em vez de \u201chouve dist\u00farbios\u201d, dizem \u201chouveram dist\u00farbios\u201d. Em lugar de \u201chavia casas\u201d, preferem \u201chaviam casas\u201d. Pagam caro. A f\u00faria do verbo desmoraliza reputa\u00e7\u00f5es e rouba pontos no vestibular, no concurso, no emprego. Valha-nos, Deus!<\/p>\n<p><strong>Pleonasmo<\/strong><\/p>\n<p>Sem humildade, o haver se sente autossuficiente. Na indica\u00e7\u00e3o de tempo, basta o h\u00e1. Dizer \u201ch\u00e1 dois anos atr\u00e1s\u201d? Cruz-credo! O <em>atr\u00e1s<\/em> sobra. Explica-se. O h\u00e1 indica passado. O atr\u00e1s tamb\u00e9m. X\u00f4, pleonasmo! Fique com um ou outro. Assim:<\/p>\n<p><em>Chegou h\u00e1 duas horas.<\/em><\/p>\n<p><em>Chegou duas horas tr\u00e1s. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O verbo mais ardiloso da l\u00edngua? \u00c9 o haver. 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