{"id":1662,"date":"2008-05-28T00:00:00","date_gmt":"2008-05-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/xo_redundancia-2\/"},"modified":"2008-05-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-05-28T03:00:00","slug":"xo_redundancia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/xo_redundancia-2\/","title":{"rendered":"X\u00f4, redund\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p><B><br \/>\nRecado<\/B><br \/>\n&#8220;Prosa = palavras na melhor ordem. Poesia = as melhores palavras na melhor ordem.&#8221;<br \/>\nColeridge<br \/>\n<B><br \/>\nComo \u00e9 que se diz?<\/B><br \/>\nA l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 a casa-da-m\u00e3e-joana. Nem a casa da sogra. Muito menos a casa de Irene. As tr\u00eas casas t\u00eam um denominador comum. \u00c9 a falta de regra. Ali, pode-se tudo. Dorme-se a qualquer hora e em qualquer lugar. Acorda-se quando Deus permite.<br \/>\nMais: joga-se roupa no ch\u00e3o. Deixam-se copos espalhados pelos quatro cantos de salas e quartos. Os cinzeiros est\u00e3o sempre cheios. Os banheiros, alagados. O fog\u00e3o exp\u00f5e panelas destampadas. A pia, montanhas de pratos. A mesa, toalhas manchadas.<br \/>\nNo idioma, a bagun\u00e7a ensaia atrevimentos. Mas n\u00e3o al\u00e7a v\u00f4o. Gram\u00e1ticas e dicion\u00e1rios p\u00f5em ordem no caos. Quem tem a duplinha por perto previne trope\u00e7os fon\u00e9ticos, morfol\u00f3gicos e sint\u00e1ticos. Basta consultar.<br \/>\n\u00c9 a\u00ed que a porca torce o rabo. H\u00e1 ocasi\u00f5es em que se torna dif\u00edcil recorrer ao pronto-socorro. Vale o exemplo da Beatriz Saldanha. Ela terminou o curso de comunica\u00e7\u00e3o. Candidatou-se a uma vaga de rep\u00f3rter na TV. <B><br \/>\nO teste<\/B><br \/>\nBonita, fotog\u00eanica e dona de bela voz, tinha todas as condi\u00e7\u00f5es de abocanhar a vaga. S\u00f3 precisava fazer o teste. A prova consistia em ler meia d\u00fazia de frases. Microfone na m\u00e3o, Beatriz deu voz a estas senten\u00e7as:<I><br \/>\nPr\u00eamio Nobel de Economia \u00e9 cr\u00edtico da globaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCostumo tirar uma c\u00f3pia xerox dos meus documentos antes de viajar.<br \/>\nGovernos ibero-americanos aliam-se na luta contra a pobreza.<br \/>\nAs praias s\u00e3o o lazer mais democr\u00e1tico do pa\u00eds. Pobres e ricos s\u00e3o igualmente recebidos. A entrada \u00e9 gratuita.<br \/>\nA novela <\/I>Am\u00e9rica bate recordes de audi\u00eancia semana ap\u00f3s semana. Com freq\u00fc\u00eancia atinge os 50%. \u00c9 um sucesso.<I><br \/>\nO criminoso agiu com dolo ao disparar tiros contra duas pessoas. Em outras palavras: ao atirar, ele tinha a inten\u00e7\u00e3o de matar e assumiu o risco de produzir esse resultado.<br \/>\nNos contratos, \u00e9 obrigat\u00f3ria a rubrica das partes em todas as p\u00e1ginas.<\/I><br \/>\nMoleza? Nem tanto. Em cada uma h\u00e1 uma armadilha. S\u00e3o pron\u00fancias viciadas que, de t\u00e3o ouvidas, parecem certas. Mas certas n\u00e3o est\u00e3o. A bela Beatriz caiu em todas. Perdeu o emprego. Mas n\u00e3o a esperan\u00e7a. Pediu ajuda \u00e0 coluna para fixar o jeitinho nota dez de dizer. <B><br \/>\nMacetes<\/B><br \/>\nPediu? Levou. Eis macetes para se lembrar sempre:<I><br \/>\n1. Nobel<\/I> rima com <I>Mabel <\/I>e <I>papel<\/I>. A s\u00edlaba t\u00f4nica \u00e9 a \u00faltima. O Brasil nunca ganhou o pr\u00eamio. Neste ano, 50 mulheres concorrem ao Nobel da Paz. Entre elas, a brasiliense Mara R\u00e9gia. A torcida verde-amarela est\u00e1 ansiosa. Quer porque quer que o Nobel bata \u00e0 porta desta alegre Pindorama. \u00c9 esperar pra ver.<B><I><br \/>\n***<\/B><br \/>\n2. Xerox ou x\u00e9rox? <\/I>A gente ouve as duas formas. A empresa tira proveito da confus\u00e3o:<br \/>\n\u2014 O importante \u00e9 que falem na marca, brincam diretores e funcion\u00e1rios.<br \/>\nEles se esqueceram de um pormenor. Em portugu\u00eas h\u00e1 um pacto entre as palavras. As terminadas em x s\u00e3o ox\u00edtonas. O acento t\u00f4nico cai na \u00faltima s\u00edlaba. \u00c9 o caso de <I>inox, pirex, xerox.<\/I><br \/>\nNo reino das letras como no dos homens, h\u00e1 os rebeldes. Alguns voc\u00e1bulos querem ser diferentes. Desrespeitam o trato. Passam para o time das parox\u00edtonas. Tudo bem. S\u00f3 que precisam do acento. O sinalzinho gr\u00e1fico avisa que eles viraram a casaca. Valem os exemplos de <I>F\u00e9lix, \u00f4nix, t\u00f3rax, f\u00eanix.<\/I><br \/>\n***<br \/>\n3. <I>Ibero<\/I> faz parzinho com <I>severo<\/I> e <I>Antero<\/I>. Parox\u00edtona, a fortona cai na pen\u00faltima s\u00edlaba.<br \/>\n***<I><br \/>\n4. Gratuito<\/I> joga no time de <I>circuito<\/I> e <I>fortuito<\/I>. O ui forma ditongo. Sem acento, o parzinho se pronuncia numa s\u00f3 emiss\u00e3o de voz. N\u00e3o se desgruda. \u00c9 como unha e carne. Se separar um, d\u00f3iiiiii.<B><I><br \/>\n***<\/B><\/I><br \/>\n5. <I>Recorde<\/I> tem origem inglesa. Ao se naturalizar brasileira, ganhou pron\u00fancia tupiniquim. Tornou-se parox\u00edtona. Ficou igualzinha ao <I>recorde<\/I> do verbo recordar. A s\u00edlaba t\u00f4nica \u00e9 a pen\u00faltima (cor). Pertence \u00e0 fam\u00edlia de <I>concorde<\/I> e <I>lorde<\/I>: re-<I>cor<\/I>-de, con-<I>cor<\/I>-de, <I>lor<\/I>-de.<br \/>\n***<I><br \/>\n6. Dolo \u2014 <\/I>som aberto ou fechado? Lembre-se de colo e solo. Os tr\u00eas s\u00e3o parceiros. Pronunciam-se do mesmo jeitinho.<B><I><br \/>\n***<\/B><br \/>\n7. Rubrica <\/I>\u00e9 grande v\u00edtima dos falantes. Gente importante ou gente boa como n\u00f3s cometem silabada sem cerim\u00f4nia. Pronunciam rubrica como se tivesse acento no u. Mas ela n\u00e3o tem. \u00c9 parox\u00edtona e n\u00e3o abre. A s\u00edlaba fortona \u00e9 bri.<B><I><\/I><br \/>\nUfa<A name=\"Save1\"><\/A><\/B><br \/>\n\u00c9 isso. Nobel, xerox, ibero, gratuito, recorde, dolo e rubrica n\u00e3o s\u00e3o nenhum bicho-de-sete-cabe\u00e7as. Duvida? Pronuncie-as em voz alta. Voc\u00ea vai acertar todas. V\u00e1 em frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recado &#8220;Prosa = palavras na melhor ordem. Poesia = as melhores palavras na melhor ordem.&#8221; Coleridge Como \u00e9 que se diz? A l\u00edngua n\u00e3o \u00e9 a casa-da-m\u00e3e-joana. Nem a casa da sogra. Muito menos a casa de Irene. As tr\u00eas casas t\u00eam um denominador comum. \u00c9 a falta de regra. Ali, pode-se tudo. Dorme-se a qualquer hora e em qualquer lugar. Acorda-se quando Deus permite. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}