{"id":1664,"date":"2008-05-28T01:00:00","date_gmt":"2008-05-28T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/premio_polemico\/"},"modified":"2008-05-28T01:00:00","modified_gmt":"2008-05-28T04:00:00","slug":"premio_polemico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/premio_polemico\/","title":{"rendered":"Pr\u00eamio pol\u00eamico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/1475b656c49dcc93dba09f0c6b61fb85.jpg\"><BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Telesservi\u00e7os lan\u00e7ou um pr\u00eamio na pra\u00e7a. Quer, com ele, homenagear empresas e profissionais que se destacam no setor. Para divulgar o evento, p\u00f4s an\u00fancios em jornais e revistas. Ao l\u00ea-los, interessados ou indiferentes estranharam a grafia de telesservi\u00e7o. &#8220;Est\u00e1 correta?&#8221;, perguntaram ao blog.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOps! Trata-se do velho e enigm\u00e1tico h\u00edfen. A hist\u00f3ria do tracinho vem de longe \u2014 dos tempos em que se escrevia o rascunho da B\u00edblia. Conhece? A terra tinha uma s\u00f3 l\u00edngua e um s\u00f3 modo de falar. Ningu\u00e9m precisava estudar ingl\u00eas, franc\u00eas, \u00e1rabe ou alem\u00e3o. Todos se entendiam.<br \/>\n<BR>\u2014 Que mundo mon\u00f3tono, disseram os homens. Vamos agitar. Que tal construir uma torre que nos leve at\u00e9 o c\u00e9u? L\u00e1 as coisas devem ser mais animadas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;Semanas depois, o Senhor deu uma espiadinha na obra. Irou-se:<BR><br \/>\n\u2014 As criaturas pensam que \u00e9 f\u00e1cil chegar ao c\u00e9u? Enganam-se. Os caminhos s\u00e3o outros. Os filhos de Ad\u00e3o v\u00e3o ver. <BR><br \/>\nO castigo veio a galope. Deus criou mais de tr\u00eas mil l\u00ednguas. Os pedreiros de Babel n\u00e3o se entenderam mais. Engenheiros, arquitetos, mestres-de-obra tampouco. A torre ficou ali, esqueleto inacabado. Os homens se dispersaram. <BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Castigo de Deus<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nCada l\u00edngua ganhou puni\u00e7\u00e3o \u00e0 parte. O chin\u00eas ficou com os mais de 23 mil ideogramas (aqueles desenhozinhos que os alunos estudiosos levam 12 anos para decorar). O ingl\u00eas, com a escrita totalmente diferente da pron\u00fancia. O franc\u00eas, com a praga dos acentos. Ningu\u00e9m sabe coloc\u00e1-los. O alem\u00e3o, com as palavras coladas, t\u00e3o compridas quanto a cobra que tentou Eva no para\u00edso.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;E o portugu\u00eas? Ganhou o h\u00edfen. O Todo-Poderoso pegou um mont\u00e3o de hifens na m\u00e3o direita, um mont\u00e3o de palavras na esquerda. Jogou tudo pro alto. O resultado? A confus\u00e3o que todos conhecem. Algumas palavras se ligaram com h\u00edfen (anti-social), outras n\u00e3o (antiimperialismo). Por qu\u00ea? \u00c9 o castigo de Deus. <BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>Longe do h\u00edfen<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nNa corrida do pega-h\u00edfen-n\u00e3o-pega-h\u00edfen, alguns elementos nem chegaram perto do sinalzinho. Eles nunca, nunca mesmo, se usam com h\u00edfen. Um deles \u00e9 o tele-. Aquele que aparece em televis\u00e3o para dar a id\u00e9ia de &#8220;de longe&#8221;. Da\u00ed telefone (voz de longe), televis\u00e3o (imagem de longe), telegrama (mensagem escrita transmitida de longe).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNesta era de compras pelo telefone, a confus\u00e3o com o tele \u00e9 geral. Ora a palavra aparece com o tracinho, ora sem. N\u00e3o acredite nos seus olhos. Tele nunca aceita h\u00edfen: telecimento, telepizza, telet\u00e1xi, telenovela.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo caos divino, h\u00e1 uma lei. As palavras escritas com tele mant\u00eam a pron\u00fancia e o acento originais. Por isso, diante do <STRONG>s<\/STRONG> e do <STRONG>r<\/STRONG>, \u00e9 necess\u00e1rio respeitar a pron\u00fancia \u2014 telessinaliza\u00e7\u00e3o, telessonda, telerradar, telerreserva, telerrem\u00e9dio. Assim, com dois ss e dois rr. Por qu\u00ea? O s entre duas vogais soa z (casa, pesquisa, pesadelo). O r fica fraquinho como em caro.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nResumo da opereta: telesservi\u00e7o, obedicente \u00e0 lei, respeita a fon\u00e9tica. Da\u00ed a dose dupla do s. <BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>Desencontro<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nEst\u00e1 pensando na TeleSena? Nome fantasia, a loteria deixou de dobrar o s. A pron\u00fancia virou telezena. Da\u00ed o desencontro. A gente pensa na telessena. Joga na telezena. Resultado: s\u00f3 ganha na sorte. <BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Telesservi\u00e7os lan\u00e7ou um pr\u00eamio na pra\u00e7a. Quer, com ele, homenagear empresas e profissionais que se destacam no setor. Para divulgar o evento, p\u00f4s an\u00fancios em jornais e revistas. Ao l\u00ea-los, interessados ou indiferentes estranharam a grafia de telesservi\u00e7o. &#8220;Est\u00e1 correta?&#8221;, perguntaram ao blog. &nbsp; Ops! Trata-se do velho e enigm\u00e1tico h\u00edfen. 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